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Date Posted: 9/12/04 11:25 In reply to:
João Carlos
's message, "Avanço teórico ou masturbação mental?" on 8/12/04 20:59
O problema do modêlo económico não suscitará assim tantos problemas.O problema da passagem , da transição para o Socialismo é que não pode ser colocado em abstracto, fora das condições históricas concretas em que se encontra esta ou aquela sociedade , no momento em que decida iniciar esse processo.
No marxismo , porém , não há lugar para esquemas de validade universal e intemporal. Nas actuais condições vigentes nas sociedades económicamente mais avançadas , e naquelas que neste momento é possível entrever para o futuro imediato, sob as leis do desenvolvimento capitalista , podemos estimar que essa transição , a iniciar-se agora, tomaria como ponto de partida a realidade crescente da socialização do trabalho , herdado pela grande indústria do século XX , ( fordismo ).
Hoje , porém , a tendencia nos países do capitalismo desenvolvido ,com a socialização do trabalho mais complexa e o automatismo e robotização dando-lhe corpo,é no campo social para uma fragmentação da classe trabalhadora nos seguintes termos - uma camada altamente qualificada que tem estabilidade de emprego ,remunerações razoáveis ; uma larga camada de trabalhadores precarizados ,pouco qualificados,subcontratados,etc.,um exército industrial de reserva de deslocados socialmente e também de imigrantes que , embora fazendo pressão sobre o mercado de trabalho vivem tendencialmente na economia informal e com tendencia para a marginalização , os desempregados ,crescentemente sem perspectivas...
Encontramo-nos pois, cada vez mais longe do esquema mecanicista de certas correntes neo-marxistas , que supõem a existência de uma socialização acabada que resvalaria automáticamente para a destruição e o esfrangalhamento das relações de produção burguesas.
O grande problema hoje, é o de saber quando e como se gerará um sentimento de luta e de consciência de classe ,pondo fim a esse espontãneismo evolucionista , sabendo-se que a exploração capitalista provoca necessáriamente a polarização social e que desta poderá nascer a dinâmica objectiva da luta de classes revolucionária.
>Foi quando se constatou que o modelo económico
>previsto não era condição suficiente para a construção
>do socialismo rumo ao Comunismo (pela constatação da
>falência progressiva das sociedades construidas na
>base deste modelo)que se perdeu também uma coisa
>fundamental para a acção, que é a de saber então qual
>o modelo económico e social que as forças de esquerda
>querem alcançar. Este é o debate a fazer. E não outro.
>O problema é que é muito mais fácil fazer a critica a
>chavões (otodoxia, estalinismo, etc,etc,)!Na verdade,
>conseguir encontar e porpôr um novo modelo de
>sociedade que não seja apenas a gestão mais ou menos
>social do capitalismo, mas que não repita as
>deficiências dos velhos modelos do "socialismo real"
>está sendo bastante difícil, e não foi ainda sequer
>tentada a sua formulação pelas "novas" forças da "nova
>esquerda", que, percebendo-se o que defendem a curto
>prazo, são absolutamente vazias em termos de
>apresentação de formulações teóricas para a nova
>Sociedade. Assim, e apesar de tanto intelectual (ou
>pseudo...) que tanto fala, tanto expõe, o resultado
>teórico produzido continua a resumir-se ao "voltar a
>bater no ceguinho"!
>Este cometário é uma proposta. Tentemos formular
>propostas novas, arrojadas e deixemos para trás a
>discussão sobre se o Jerónimo é operário, é ortodoxo
>ou deixa de ser. Até porque, se uma Nova Ideia para
>Uma Sociedade Justa for encontrada, ideia que seja
>consistente e mobilizadora, então seguramente se
>conseguirão reagrupar as forças do progresso. Agora
>continuar a "bater no ceguinho" é que realmente não
>nos leva a lado nenhum,não passa de pura mastrubação
>mental.
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