| Subject: Assim Se Vê a Força do PC! |
Author:
Ramiro Correia
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Date Posted: 12/12/04 23:53
Assim Se Vê a Força do PC!
Por ANTÓNIO VILARIGUES, Consultor de informática
Segunda-feira, 29 de Novembro de 2004, in Publico
Grande partido o PCP! Neste partido, sobre o mesmo evento, duas pessoas conheceram e participaram em duas realidades perfeitamente diferentes.
De Edgar Correia guardo a imagem do dirigente firme nas suas convicções marxistas-leninistas e o da pessoa séria, de poucos sorrisos, mas afável no convívio. Com ele aprendi alguns princípios de acção política e de vida. Recordo, entre outras, e ainda hoje procuro aplicar no meu dia a dia, a sua imagem de que as pessoas não se podem arrumar em "gavetas", tão complexa é a sua personalidade. Foi pois com espanto que li a sua entrevista ao PÚBLICO, em particular no que ao processo que conduziu à eleição de Carlos Carvalhas respeita.
Edgar Correia, é do domínio público, mudou de convicções, o que é um direito que lhe assiste. Manifestamente, em cada um dos seus escritos e intervenções públicas, transparecem alguns rancores e mesmo ódios de estimação em relação a dirigentes do PCP. É um direito seu. Mas, pelos vistos, o PCP em que militou e foi destacado dirigente era diferente do "meu" PCP.
No "meu" PCP, não havia as guerras e intrigalhadas que ele retrata. Prevalecia, em particular ao nível dos dirigentes, o espírito de amizade e solidariedade, forjados em dezenas de anos de clandestinidade, de prisão, de combates e privações partilhadas. O trabalho colectivo era, de facto, uma realidade. As lacunas referidas em todas as resoluções políticas (as tais que a comunicação social raramente lê na sua totalidade, quando não ignora pura e simplesmente) de todos os Congressos, não invalidam o essencial do que acima foi escrito. No "meu" PCP, havia vários dirigentes que, entre o X (1983) e o XII Congresso (1988), "acumulavam", ao nível dos organismos executivos do Comité Central, o Secretariado e a Comissão Política: Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Domingos Abrantes, Fernando Blanqui Teixeira, Joaquim Gomes, Octávio Pato, Sérgio Vilarigues. Havia mesmo um Secretariado Permanente: Álvaro Cunhal, Carlos Brito, Carlos Costa, Domingos Abrantes, Octávio Pato. Logo havia quem "acumulasse" três cargos...
No "meu" PCP, era o Secretariado do CC (há que acrescentar Jorge Araújo aos outros nomes) quem, em primeiro lugar, preparava a nova lista do CC que, depois de consulta interna ao CC e às diferentes organizações, era submetida ao novo CC eleito em Congresso. Dedução lógica (de acordo com "o PCP segundo Edgar Correia"): Octávio Pato e Carlos Costa auto sanearam-se! Refira-se que no XII Congresso, num significativo processo de renovação, saíram do CC 46 membros e entraram 53. Aliás Carlos Costa, Fernando Blanqui Teixeira, Joaquim Gomes e Sérgio Vilarigues, passaram a integrar, juntamente com outros dirigentes, um novo órgão executivo do CC: Comissão Central de Controlo e Quadros. No "meu" PCP, o secretário-geral adjunto era para ser isso mesmo e não o "adjunto" do secretário-geral (que tinha para esse fim um gabinete próprio...). O processo de escolha do secretário-geral adjunto culminou na eleição de Carlos Carvalhas no XIII Congresso (1990). Como podia ter sido Luís Sá. De acordo com os critérios estabelecidos foram estes, e não outros, os dirigentes em causa. Significativamente foi Octávio Pato quem apresentou ao Congresso a informação sobre a nova composição dos organismos executivos do CC.
"Enquanto se é membro do PCP é-se uma pessoa cinzenta, pouco mediática, como todos os atributos negativos que são conhecidos. Basta que se faça o charme, mesmo que seja só o charme discreto da dissidência, para passar a ser um sujeito brilhante." Carlos Carvalhas in "Notícias Magazine", 21-11-04. Parece ser o caso de Edgar Correia. E, no sentido inverso, de Jerónimo de Sousa. Ninguém me tira da cabeça que 90 por cento, ou mais, dos comentários negativos que por aí circulam sobre o novo secretário-geral do PCP provêm de quem, consciente ou inconscientemente, não se consegue libertar do paradigma do canudo. Não é doutor nem engenheiro, logo não está à altura. A prática, esse único critério da verdade, como dizia Lenine, logo o dirá.
Nota final para os leitores do PÚBLICO: parafraseando algo que foi dito noutro congresso doutro partido, Edgar Correia sabe que eu sei que ele sabe que eu sei como tudo efectivamente se passou.
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