| Subject: Antes de o ser já o era |
Author:
Curiosíssimo
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Date Posted: 28/11/04 23:10
In reply to:
pjnsilva
's message, "SG PCP quem é?" on 28/11/04 22:16
Apre que o Jerónimo antes de ser já o era. Ainda na barriga da mãe já era comunista o fedelho. Assim, sim
Viva o PCP!
>Pirescoxe, a terra que viu nascer Jerónimo
>
>Jerónimo de Sousa nasceu à beira-Tejo, em Pirescoxe,
>uma freguesia operária de Santa Iria da Azoia. Ali se
>fez menino a jogar com uma bola de trapo; ali se fez
>adolescente e dali entrou para a MEC, onde deu os
>primeiros passos para o sindicalismo. E é ali que
>ainda hoje vive e joga à petanca. Todos lhe gabam a
>modéstia e o tratam por «camarada». O irmão Manel
>recorda com emoção os tempos de miséria e não esconde
>o orgulho pelo mano que «nunca voltou a cabeça».
> DN-Natacha Cardoso
>
>orgulho: «Ele não era deputado e já era comunista e
>meu irmão», sublinha «ti Manel», irmão de Jerónimo
>
>AGraça Henriques
>
>Jornalista
>Pirescoxe, a terra que viu nascer Jerónimo
>
>terra que há 57 anos viu nascer Jerónimo de Sousa fica
>à beira-Tejo, entre uma espreitadela à Margem Sul e a
>Cintura Industrial de Lisboa. Factores geográficos que
>acabariam por ser marcantes na sua vida: o futuro
>líder do PCP viveu junto ao rio uma infância como
>Ginete, o menino de Esteiros de Soeiro Pereira Gomes;
>ali se fez operário, comunista e sindicalista; e a
>outra banda seria determinante para o eleger como
>deputado à Assembleia da República.
>
>Jerónimo de Sousa nasceu, cresceu e ainda hoje vive
>modestamente em Pirescoxe, uma freguesia de Santa Iria
>da Azóia. Basta perguntar, a resposta é pronta: «É
>sim, é aqui que vive o deputado», mais conhecido na
>zona por «camarada». Dias antes de ser eleito o
>primeiro entre os comunistas, Jerónimo mantinha o
>status de antigamente e continuava a não dispensar o
>seu café com brandy-mel no modesto Clube Desportivo de
>Pirescoxe, de que, aliás, é dirigente. É ali que passa
>algumas horas entre disputadas partidas de cartas,
>dados, dominó ou, ao fim-de-semana e quando faz bom
>tempo, a jogar petanca, uma espécie de chinquilho
>importado pelos emigrantes. «Quando está calor é vê-lo
>a jogar em tronco nu», conta o electricista da terra,
>que explica ainda que os parceiros do «camarada» mudam
>consoante o tipo de jogo. «Parecem os Reis Magos atrás
>do Menino Jesus», ilustra outro cliente do bar.
>
>A tarde está fria e no grupo desportivo já não bate
>uma nesga de sol. A casa onde funciona a colectividade
>fica escondida por detrás de uns muros e não disfarça
>que lá vão 57 anos desde a fundação, tantos como a
>idade de Jerónimo. As paredes exteriores são velhas,
>descascadas, só o símbolo se destaca colorido.
>Jerónimo não renega as origens e por ali vai passando
>as horas de lazer que lhe restam entre a sede da
>Soeiro Pereira Gomes e São Bento: «Ele já não pode
>viver sem isto», atira Vera, por detrás do balcão,
>enquanto vai servindo uma Sagres gelada. A princípio
>desconfiados - «não temos nada que dizer do homem, não
>vamos dizer mal» -, os frequentadores do clube vão
>soltando a língua à medida que o tempo passa. Gabam a
>Jerónimo a modéstia - «não é nada vaidoso, fala a toda
>a gente. Há alguns que são muito menos e andam de
>nariz empinado».
>
>João Filipe, apoiado na vitrina, foi colega de escola
>de Jerónimo de Sousa. Não gosta de falar muito, mas lá
>vai discorrendo sobre os tempos em que andavam a
>roubar fruta nas quintas. «Era vida de pobre, não
>tínhamos divertimento. Quando arranjávamos uma meia,
>enchiamo-la de trapos e íamos jogar à bola a São João
>da Talha.
>
>Discreto, entra no bar Manuel Carvalho de Sousa, 70
>anos no próximo dia de Primavera. É irmão de Jerónimo
>e portador de um orgulho descomedido, ao ponto de não
>conter as lágrimas. «Ele não era deputado e já era
>comunista e meu irmão.» A sentença está dada para o
>«ti Manel» se lançar nas memórias que o transportam
>aos tempos de criança, às vezes com fome, à procura de
>saramagos para fazer sopa. «Porque não havia dez
>tostões para comprar nada.» Eram seis irmãos e aos 14
>anos, com uns magros 40 quilos, carregava sacas de 100
>para ajudar a criar os irmãos. Recorda como Jerónimo
>foi obrigado a largar os estudos - fez o 4.º ano do
>antigo liceu - porque a velhota não tinha
>possibilidades. «Entrou logo na MEC, no
>sindicalismo…»
>
>O facto de Jerónimo ser o novo líder do PCP é quase um
>dado natural para o «ti Manel». «A cabeça dele nunca
>voltou. Vive num palacete», diz, com ironia, apontando
>para uma casa modesta da rua. «Uma vez disse-lhe:
>"Mano, já podias ter a tua vida estabilizada com a
>reforma da Assembleia da República." Sabe o que ele me
>respondeu? "É por isso que eu sou comunista."»
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