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Subject: Re: Fernando Vicente Acusa PCP de Ser "Sectário" e "Controleiro"


Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 30/11/04 9:45
In reply to: Público 29-11-04 's message, "Fernando Vicente Acusa PCP de Ser "Sectário" e "Controleiro"" on 29/11/04 12:26

Claro que,quanto mais não fosse pelo seu passado, comunistas como Carlos Brito e Fernando Vicente ,não deveriam ,ao que parece ,ser marginalizados e hostilizados...Tirar ,porém,toda a sorte de ilacções a propósito de situações internas do PCP, supostamente injustas, é que me parece muito pré determinado...,e de poucos resultados.
P.S. Fernando Vicente foi parcialmente aplaudido e não foi apupado ou assobiado.
Por outro lado subsiste em mim uma dúvida. Os militantes, e têm sido vários , que divergem em dado momento com a direcção e com a práctica do Partido,estão na organização há vários anos; porquê só agora se "aperceberam" das distorções de que a acusam. O PCP traíu alguns princípios?.Foi o Partido que mudou ou eles é que,realmente ,"partiram para outra" ?









Fernando Vicente Acusa PCP de Ser "Sectário" e
>"Controleiro"
>Por MARIA JOSÉ OLIVEIRA
>Segunda-feira, 29 de Novembro de 2004
>
>Sectarismo, "rotulagem e exclusão", "estagnação
>teórica", "estatística virtual", "marginalização da
>capacidade crítica". Tudo isto foi ouvido, ontem de
>manhã, pelos 1300 delegados (e largas centenas de
>convidados) do XVII Congresso do PCP.
>
>Há cerca de uma semana, Fernando Vicente afirmou que
>estava a ponderar a possibilidade de intervir no
>conclave, manifestando o seu desacordo pelo rumo que o
>partido definiu nas teses. Não o fez no primeiro dia,
>nem no segundo. Mas reservou para a manhã de ontem,
>horas antes dos discursos de Carlos Carvalhas e de
>Jerónimo de Sousa, a verbalização das suas críticas.
>Mesmo sabendo que corria o risco de recolher assobios
>e apupos. Foi o que aconteceu.
>
>Vicente, que abandonou o Comité Central no sábado à
>noite, ainda não iniciara a sua intervenção e já se
>faziam ouvir assobios. O ex-dirigente não escondeu o
>nervosismo, olhou em redor e foi preciso um membro da
>Comissão Política levantar o braço para calar a
>assistência. Fernando Vicente explicou, tal como o
>fizera na sexta-feira o autarca alentejano Lopes
>Guerreiro, as razões do seu protesto contra o projecto
>de resolução política, optando por enumerar aquilo que
>gostaria que tivesse sido o congresso.
>
>Foi este o método que escolheu para lançar as
>críticas: acusou o partido de provocar "crispações",
>instigando à "rotulagem e exclusão"; insistiu na
>necessidade de o PCP se tornar num "partido
>tolerante", que deve "respeitar a diferença", de forma
>a evitar a criação de um "exército de desistentes".
>"Vê-se na discordância a dissidência, na diferença a
>traição. Exclui-se quem não é incondicional do poder
>aparelhístico, que é caracterizado pelo controleirismo
>em detrimento da militância viva", atacou. Não houve
>aplausos, mas o silêncio dos delegados não ocultava um
>indisfarçavel incómodo.
>
>O afastamento de alguns militantes acabou por pautar a
>maior parte do discurso de Fernando Vicente, que não
>escolheu palavras subtis e acusou mesmo o partido de
>ser "sectário" e de "marginalizar a capacidade
>crítica". E acrescentou não acreditar que o XVII
>Congresso pudesse converter-se numa oportunidade para
>uma "integração sincera" dos militantes comunistas que
>têm vindo a ser progressivamente afastados. Para o
>partido, justificou Vicente, os militantes que
>manifestam as suas discordâncias serão sempre tidos
>como "lacaios ao serviço do capital". Quanto aos
>dirigentes propriamente ditos, Fernando Vicente não
>foi menos acutilante, apontando que eles "transformam
>princípios em verdades eternas" e recorrem a
>"estatísticas virtuais e dinamismos imaginários".

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