Author:
antónio perez metelo
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Date Posted: 2/12/04 10:58
Os funcionários públicos, gostem ou não da queda do Governo, devem estar a torcer para que pelo menos os oferecidos 2,2% a mais apareçam já na folha de vencimentos do próximo mês de Janeiro.
A economia do país, essa, precisa de bastante mais.
A questão de evitar ou provocar uma situação na qual as administrações públicas só possam gastar até Maio de 2005 o mesmo que gastaram há um ano atrás pode dar azo a jogadas tácticas no plano político, com o fim de render algum dividendo eleitoral em plena campanha legislativa.
Mas não é um problema estratégico, ou sequer decisivo, para o rumo dos negócios e da actividade do Estado no próximo ano. O decisivo é saber quanto antes o que oferece um Governo alternativo a este que agora acaba.
Nos últimos dias ficou provada à saciedade a oposição frontal do mundo dos negócios ao Orçamento do Estado para 2005. Só que essa oposição está, também ela, carregada de ambiguidades.
Ela estriba-se na crítica a um fim da austeridade proclamado, para fazer subir o astral dos portugueses, sem base de sustentação em sinais sólidos da economia, que levaria a nova despesa descontrolada, das famílias e do Estado.
Mas, logo de seguida, exige-se para 2006 nova descida do IRC e lançam-se, com dados estatísticos de mais de duas décadas em punho, dúvidas sobre a necessidade de um novo alargamento da base fiscal.
Isto é, estão vivas e bem activas as reservas a uma política de maior equidade, seja ela uma maior abertura, ainda que tímida, do sigilo bancário, a criação da polícia tributária, a supervisão mais apertada ao paraíso fiscal da Madeira ou o IRC mínimo de 15% na banca.
Mais do que um simples voto contra o OE 2005, o que todos precisam de saber é a posição do PS nestas matérias.
Para que uma alternativa de Governo se funde na clareza e não em promessas vãs ou compromissos obscuros.
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