| Subject: Não podia ser mais certeira esta análise. |
Author:
João Laveiras
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Date Posted: 19/11/04 18:44
In reply to:
Observador estupefacto
's message, "Liturgia de seita" on 18/11/04 13:09
Faço minhas as sábias palavras deste interveniente.
>Um congresso em que apenas é possível apresentar para
>discussão uma proposta de resolução política,
>precisamente a do grupo dirigente, e em que este grupo
>dirigente propõe igualmente o futuro grupo dirigente,
>não passa de um ritual de consagração, de uma liturgia
>de seita (neste caso, laica).
>Dizem que o facto da proposta ter sido alvo de ampla
>discussão nos organismos de base é sinónimo da mais
>ampla democracia, o que até poderia sê-lo se a
>democracia se resumisse a discutir e apreciar. A
>democracia, porém, não se resume a isso, mas implica a
>escolha, a opção decisional entre alternativas, o que
>pressupõe a liberdade de apresentação de alternativas.
>Sem liberdade de presentação de propostas alternativas
>para discussão no interior do partido não há
>democracia possível.
>Caricato, ainda, ser o próprio grupo dirigente
>proponente a fazer o balanço das propostas de
>alteração da sua própria proposta, apresentando o que
>mais lhe convém “das sugestões” (já que não passam
>disso) dos organismos de base. Acontece que pela
>incomunicabilidade entre organismos de base estes
>nunca saberão porque as suas eventuais propostas de
>alteração não foram contempladas (deduzirão, no melhor
>dos casos, que foram minoritárias e, por isso, não
>tiveram acolhimento).
>Cúmulo da caricatura: o secretário-geral,
>presumidamente a ser eleito de entre e pelos membros
>eleitos do comité central, é de antemão “sugerido”
>pelo grupo dirigente.
>Deste modo, o grupo dirigente e as suas opções
>políticas e de direcção perpetuam-se no poder e não há
>mudança possível. Eventualmente é uma das causas da
>degradação do PCP, sem ser a única, é claro.
>Será que os militantes do PCP não conseguem alcançar
>que esta caricatura de funcionamento democrático
>transforma o seu partido numa caricatura de partido? É
>que este folclore é ainda mais risível do que o que se
>observa nos partidos burgueses. Como querem que o povo
>acredite nos seus modelos de liberdade e de democracia
>para a sociedade com estes tristes exemplos que
>praticam no seu interior?
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