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Subject: As Raízes Históricas de Uma Divisão Secular


Author:
José Milhazes (Público 25/11/04)
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Date Posted: 25/11/04 16:37
In reply to: observador acidental 's message, "O aluno que ultrapassa os mestres" on 24/11/04 23:58

As Raízes Históricas de Uma Divisão Secular
Quinta-feira, 25 de Novembro de 2004

O actual território da Ucrânia só adquiriu fronteiras definitivas em 1956, quando o dirigente comunista soviético Nikita Khrutchov, um ucraniano, decidiu tirar a Península da Crimeia à Rússia e oferecê-la ao seu país de orige

A Ucrânia só se tornou um Estado independente em Dezembro de 1991, depois da desintegração da União Soviética. Até essa data, durante muitos séculos, não passou de um extenso território da Europa Central cobiçado e dividido pelos seus vizinhos mais fortes: a Polónia, a Rússia, o Império Austro-Húngaro, o Império Otomano...

É verdade que Kiev, actual capital do país, se orgulha do título de "mãe das cidades russas", pois foi em torno dela que se formou a Rus de Kiev, o primeiro Estado russo. No ano de 810, o príncipe Vladimir fazia-se baptizar nas águas do rio Dniepre, que atravessa a capital ucraniana, e obrigou os seus súbditos a fazer o mesmo. Por isso, não será errado afirmar que o que actualmente é o centro da Ucrânia foi outrora o berço da civilização russa.

As lutas intestinas entre os senhores feudais e a invasão da Rus pelas hordas tártaro-mongóis de Ghengis-Khan, nos séculos XII e XIII, levaram à desintegração da Rus de Kiev e ao início da separação de um grande povo eslavo em três: russo, ucraniano e bielorrusso.

Derrotadas as hordas mongóis, em finais do século XIV, Moscovo tornou-se o núcleo da centralização dos territórios russos, dando origem ao Reino da Moscóvia. A expansão avançou em várias direcções. Em 1654, o "hetman" da Ucrânia, Bogdan Khmelnitski, fez um acordo (Rada) com o czar russo, que levou à adesão de parte significativa do território actual da Ucrânia à Russia. No reinado de Catarina II, na segunda metade do século XVIII, Moscovo conquistou o Sul da Ucrânia ao Império Otomano. Entre os militares ao serviço da Rússia que conquistaram praças como Ismail e Otchakov, estavam oficiais portugueses, nomeadamente o "mártir do liberalismo", Gomes Freire de Andrade.

Enquanto as partes central e oriental da Ucrânia iam sendo integradas no Império Russo, recebendo o nome de Pequena Rússia, a parte ocidental era dividida entre países vizinhos a Ocidente como a Hungria, a Polónia e a Áustria.

Os russos sempre olharam para a Ucrânia como parte do seu território. O escritor Leão Tolstoi sublinhava que a Ucrânia "não era uma nação".

Quando a revolução comunista de 1917 pôs fim ao Império Russo, formou-se na Ucrânia uma república popular, dirigida pelo nacionalista Vladimir Gruchevski, mas com pouco território e de curta duração. As partes central e oriental passaram a fazer parte da União Soviética. As regiões ocidentais da Ucrânia foram integradas definitivamente na URSS em 1945, durante a II Guerra Mundial.

Mas o actual território da Ucrânia adquiriu as fronteiras definitivas em 1956, quando o dirigente comunista Nikita Khrustchov, ele próprio ucraniano, decidiu tirar a Península da Crimeia à Rússia e oferecê-la ao seu país de origem. As regiões orientais e centrais do país, sempre mais ligadas a Rússia, transformaram-se em grandes centros mineiros e industriais (dois terços da indústria ucraniana estão aí concentrados ainda hoje), enquanto a parte ocidental é mais rural e menos desenvolvida. Victor Ianukovitch nasceu e fez carreira política na região mineira e industrial de Donets, onde a língua russa é dominante e as ligações com o vizinho do Leste muito fortes. O próprio Ianukovitch comete erros gramaticais ao exprimir-se em ucraniano.

Após a desintegração da URSS, as indústrias mineira, pesada e militar ucranianas entraram em crise. A recuperação só começou recentemente, e também graças à cooperação com a Rússia. Nas regiões ocidentais, a crise foi mais profunda e longa, obrigando milhões de ucranianos a emigrar para a Europa - incluindo Portugal, onde há entre 80.000 e 120.000 (legais e ilegais) - e Estados Unidos.

O facto de a Ucrânia Ocidental não ter estado durante séculos na órbita da Rússia, levou os seus habitantes a olhar para a Europa. O grande número de emigrantes clama também por uma maior aproximação ao Ocidente, considerando que é uma garantia de liberdade e bem estar. Do nosso enviado José Milhazes, em Kiev

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Subject Author Date
Re: As Raízes Históricas de Uma Divisão SecularGuilherme Statter26/11/04 19:26


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