Author:
revolucionário de sofá
|
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 27/11/04 4:22
In reply to:
Ângelo Novo
's message, "Re:O" Museu Da História" - Já agora (meter uma colherada)" on 26/11/04 22:09
Eu não disse que o ultra-esquerdista quer é tribunas para corroer as certezas da malta e pôr-nos com dúvidas? Estava visto que mais tarde ou mais cedo este gajo voltava à carga. É o que dá darem-lhe ouvidos!
O engraçadinho veio para aqui lançar a confusão com as "hipóteses de transformação do capitalismo em algo que o não seja" e o ultra-esquerdista pegou logo na deixa. Este gajo é um perigo, está mais do que provado!
Já está a dizer que vai investigar as hipóteses do engraçadinho. E isto é para lançar ainda mais dúvidas e fazer-nos vacilar nas nossas certezas. Enquanto o gajo investiga, a gente fica na expectativa, e no domingo já vai estar de pé atrás com as certezas do discurso do nosso grande camarada Jerónimo! Nem o vozeirão do Jerónimo é suficiente para nos sossegar! Olha que porra, enh!
O que vale é que o gajo não está “a ver como é que se vai "investigar" essa hipótese” do engraçadinho, e também acha que a “simulação por computador parece-me inviável porque o objecto de estudo é demasiado complexo”. Está visto, o gajo não chega aos calcanhares do barbas, e é o que nos vale. O barbas deslindou tudo à base da lógica e da dialéctica, usando a força do pensamento, dumas boas doses de inspiração, duns milhares largos de maços de cigarros e duns copanços de rum que lhe espatifaram o fígado (mas tinha de ser, para aquecer nas longas noites de Inverno que levou a matutar e a escrever, ainda por cima à luz mortiça das velas), e isso a merda dos computadores, por mais rápidos que sejam e por mais matemática que usem, e muita, muita memória que tenham, não são capazes de fazer. Falta-lhes o sentimento, a noção de que para uns ganharem é preciso que outros percam! E falta-lhes pensarem por si próprios e a genialidade da intuição certeira!
A gente diz-lhes que o valor na troca é pura decorrência do valor de custo, como se não houvesse trapaça, que a troca é um contrato entre livres e iguais, e os computadores dizem-nos logo que está tudo nos conformes, que a coisa é repartida equitativamente. Quer dizer, os computadores são a voz do dono, do bandalho do burguês, que é como quem diz, do sacana que arranja o programa que os põe a fazer contas na sequência do algoritmo tido por correcto.
O barbas ainda disse que o burguês se apropriava do que a malta produzia a mais, sem compreender que o que se produz no mesmo tempo nem é mais nem menos, é apenas o mesmo tempo, e que a maior quantidade de objectos produzida apenas faz com que cada um tenha menos tempo incorporado, logo, menor valor de custo; e independentemente de quem produz o quê, a exploração radica na distribuição, na troca desigual do produto, depois de estar feitinho da silva, não é uma questão de produção, mas de troca, efeito para o qual os sacanas acrescentam um tanto como lucro, aumentando o valor do produto na troca com a força de trabalho. Tempo, tempinho de produção, é uma coisa, repartição do bolo é outra, mas, pronto, se a malta começa a limar o que já está dito, adeus ortodoxia e fidelidade, e, às tantas, até a profecia vai por água abaixo. Por isso, bico calado, e cá vamos repetindo, repetindo, que é para não destoar.
A malta bem esperneia, a querer também aumentar o valor da força de trabalho na troca, mas aqueles bandalhos têm a faca e o queijo na mão, e se um gajo alardeia muito está fodido, ao outro dia nem muito nem pouco, está no olho da rua e com a barriga a dar horas e os putos a berrarem lá em casa. Aliás, esta é a fraqueza dos fracos, dos fracos de todos os tempos, não apenas nossa. E os fracos antes de nós ainda estavam mais lixados. Esses, então, nem liberdade para morrer à fome tinham, porque a produção era a braço, mais do que agora, e se morria um lá se ia uma parte da força de trabalho necessária, enquanto a malta agora é descartável e tem essa e outras liberdades, que dispensam o chicote e as grilhetas, e nos dão a ilusão de liberdade total.
É claro, a malta, para manter a indignação e elevar o moral, vai dizendo que o burguês nos rouba o que a gente produz, embora cada vez mais quem faz tudo sejam as máquinas, e mais malta vá vendo que não faz um par de sapatos de princípio ao fim, à unha e com faca e sovela. Mas, pronto, seja lá quem for que faz, o que é certo é que o bolo final não é repartido equitativamente, e o sacana do burguês arrepimpa-se com uma parte extra a que chama lucro. É por isso que o gajo não vende em tempo produtivo, mas em preço, porque a gente também podia dizer que a nossa força de trabalho demora xis tempo a produzir, e era uma merda. Assim, em partes, é muito mais simples e eficaz. O gajo bem se justifica com o risco de não vender, com a renovação da maquinaria (como se a nova não fosse proporcionalmente mais barata), e com mais isto e mais aquilo, mas a gente bem vê que uma boa parte da parte com que ele fica vai para a vida boa que leva.
A questão onde o barbas esbarrou foi na merda do destino que nos deu. Deu-lhe para ali! Se toda a gente que tinha alguma coisa de seu vacilava quando chegava a hora da verdade, quem é que podia ir para a porrada mais destemido se não a gente, que não tínhamos onde cair mortos? Dantes, os outros coitados dos fracos nem podiam dispor de si próprios. Nos tempos modernos, os sacanas dos fracos juntavam-se aos magotes nas manufacturas e nas fábricas, quando a coisa dava para o torto dava-lhes para partir as máquinas que os dispensavam, e estava mais do que visto, esta miséria toda só podia acabar quando os fracos se armassem em fortes e tomassem conta desta merda toda. E, dito e feito, vá de inventar que a malta não só era esbulhada do que produzia a mais, como, pela lógica da evolução social, já não haveria mais para explorar, porque os explorados acabavam com a indignidade da exploração!
Mesmo que esta cantiga não tivesse lógica nenhuma, não decorresse da história, porque os sacanas dos fracos de todos os tempos nunca se tinham transformado em fortes, e houve sempre uns cabrões que se foram colocando no meio e ganhando cada vez mais importância, quer metendo na lei e na ordem os fracos, depois do caos da porradaria que os conquistadores bárbaros distribuíam a torto e a direito, quer inventando outras coisas e outras formas de levarem coisas ás pessoas, e foram engordando ao ponto de poderem levantar a voz e de se aventurarem a disputar o poder aos do mando, isto era música para os ouvidos destes novos fracos.
Porra! Pela primeira vez, pela primeirinha, havia um gajo que nos dava a música que a gente gostava de ouvir. Ainda por cima, o gajo, que era o barbas, apresentava a coisa com foros de ciência, e naquele tempo a ciência era a linguagem do conhecimento certo, não do conhecimento provável e apenas eficaz, como é hoje, mas do conhecimento certo, explicativo do hoje e preditivo do amanhã. O que é que a malta podia querer mais? E o certo é que esta música encantou os ouvidos de rapaziada radical, filhos-família emigrados, como o barbas, que se tinha dado mal com as burguesias temerosas dos seus países, e que encontraram no comunismo e na profecia marxista uma nova forma de protagonismo: explicar aos fracos o seu destino e ajudá-los a concretizá-lo!
Esta cantiga de embalar ganhou pernas para andar, ainda para mais porque ao lado dos fracos se punham estes radicais, condoídos, uns, aventureiros, outros, mas espertalhões grande parte. Também, tempo para estudar a cantilena não lhes faltava, e aqueles neurónios nunca tinham tido com que se preocupar na vida, por isso não admira que soubessem a cantilena toda e vissem nela uma ocupação que dava sentido às suas vidas até aí meio inúteis ou sem grande perspectiva de futuro. Verbo fácil, escritores prolixos, fartos de pregar radicalismo à burguesia, que já os achava subversivos, nada melhor do que pregar às turbas dos deserdados, que a pouco e pouco passavam a dar ouvidos às suas prédicas inflamadas. E desta gente e de outros aventureiros sem calos nas mãos surgiu uma nova categoria de revolucionários profissionais, que se armou em vanguarda dos fracos, e os espicaçava para a luta radical pela conquista do poder político, sabendo que eles, como vanguarda, seriam os novos senhores do mando.
Também, não se pode querer tudo: ser os predestinados e dispensar os intelectuais revolucionários. Ainda bem que eles tomam o partido dos fracos! Já viram bem se o nosso Álvaro tivesse tomado o partido dos fortes? Era uma grandessíssima merda. Nem o nosso glorioso se tinha transformado no glorioso, com esta gloriosa história, nem o fascismo tinha sido o que foi, obra dum padreco filho de feitor. Mas isto é assim, a juventude é abnegada e altruísta, e a malta jovem que se indigna com a exploração e a miséria mas não tem queda para padre, porque os acha uns vígaros cínicos, que pregam balelas e papam as gajas, para onde é que havia de ir? Igreja, por igreja, ao menos uma igreja laica, cuja doutrina de felicidade é bem mais terrena, e onde somos todos iguais e se papam as gajas sem qualquer problema de consciência.
Não estejam para aí indignados, que isto é mesmo assim. Se isto era música para os nossos ouvidos, imaginem o que foi para os ouvidos das gajas, do mulherio, serem consideradas iguais à gente! Sim, porque isto não foi sempre assim, como é agora. Antes delas irem conquistando a igualdade, por força das circunstâncias da escassez que as puseram a fazer o trabalho da gente nas fábricas e, depois, outros trabalhos mais delicados e repetitivos aparecidos com a extrema divisão do trabalho, ainda por cima com salários menores, e ainda antes das pílulas contraceptivas que as levaram a usar e a abusar do clitóris como a malta usava da piça, sem medo nenhum, quem primeiro as considerou iguais fomos nós, comunistas. E este pioneirismo é uma glória, das poucas que a burguesia não nos pode negar, mesmo que com a merda da pílula, e sem quererem, tivessem alargado isto a todas e com a vantagem de não emprenharem.
Este é um problema que a gente tem. Os cabrões dos burgueses, sem quererem, aos poucos, vão transformando esta merda. A duzentos à hora, nem eles se apercebem das consequências que as putas das invenções que fazem só a pensar no lucro vão depois tendo nas formas como a malta trabalha, vive e pensa. Muito daquilo de que a gente clamava, os cabrões têm ido melhorando. Não é porque queiram, porque muita merda tem de se lhes arrancar do cu com um gancho, mas desde que se apercebam que têm mais lucro, mesmo que à custa de outros desgraçados, é tudo a andar, e quando dão por ela esta merda já não é o que era. A pequena burguesia, essa escumalha do meio, é pior que os gajos do dinheiro. Esses cabrões sabem que quanto mais a gente obtiver menos fica para eles, e à conta disso são ainda mais reaças. Mas, pronto, a gente não pode falar mal desses gajos porque a nossa linha é pensar que enganamos os gajos, para arregimentá-los para o nosso lado, quando eles é que nos fodem à grande e à francesa (e não digo mais nada, porque há muito camarada que é pequeno e médio industrial e comerciante, e às tantas ainda me lixam).
Então, não é? Vejam só o que os gajos estão a fazer agora no médio oriente: nem que seja à bomba, estão a transformar aquela merda toda, a tirar as mesquitas de dentro do estado, a dizerem às gajas para mandarem o véu para o museu, a darem-lhes direito de voto, a acabar com as sharias e o raio que parta, coisa que os progressistas locais nem em cinquenta anos fariam! Onde lhes cheira a possibilidades de ampliação do mercado, é à Napoleão, progresso na ponta das baionetas! Um gajo é que não pode dizer estas merdas assim à lagardère, porque depois há malta que não percebe e põe-se logo a dizer que um gajo já está meio virado, quando a vertente imperialista do capitalismo, na sua nova versão de guerra preventiva, está a pôr a humanidade em risco. É claro, para um gajo manter a cantilena tem mesmo é que alinhar na treta da catástrofe iminente.
Mesmo que a guerra tenha sido uma constante na história, mesmo que o risco de destruição total fosse maior durante a guerra-fria, quando os russos e os americanos andavam às porras e tinham arsenal que dava para destruir esta merda toda umas quantas vezes, a malta tem de manter a coisa de que o cabrão do capitalismo está cada vez mais agressivo e com intuitos destruidores. Mesmo que um gajo depois se pergunte como é que eles realizavam o lucro e como é que os cabrões dos burgueses ficavam cá, a malta tem de pintar a manta das cores mais negras. Doutro modo, quem é que acreditava na nossa profecia e na nossa cantilena de que isto vai de mal a pior? É claro, os desgraçados dos inocentes que morrem no meio desta merda toda ajudam a malta a exaltar a indignação contra esta cabranagem, mas o que é certo é que a gente também não somos santos nenhuns.
E vai daí, como os computadores não dão conta do recado, o ultra-esquerdista ANovo, para estar sempre um passo à frente da gente, já diz que admite todas as hipóteses. Mas é tudo paleio. O gajo fala, fala, mas não diz mais do que a gente diz, parece é dizer de outra forma e quer é agarrar todas as hipóteses. Por isso o gajo agarrou logo a hipótese do engraçadinho. Mas é claro, como o engraçadinho põe sempre a coisa no campo das hipóteses, não vá o diabo tecê-las e depois ser catalogado de virado, até pelos ramelosos da RC, e como não vê os computadores a darem a receita certa da explicação do passado e da previsão do futuro, o ultra-esquerdista ANovo descarta-se dizendo que gosta do Marx e que quer conservá-lo como um ícone. Mas se os computadores dissessem, mandava o barbas às urtigas, porque para ele “a verdade científica acima de tudo”.
E isto é assim, um gajo é que não pode dizer isto às claras, porque era logo fodido. È por isso que estou aqui com estes desabafos à noite, quando há pouca malta a ouvir, porque de dia é um perigo um gajo estar a desabafar estas merdas. Porra, começavam logo a olhar um gajo de soslaio e a mirarem com desprezo mal disfarçado, e às tantas acabavam a virar a cara para o lado, a mandar bocas e ainda me expulsavam. E eu não quero nada dessas merdas. Já entrei para o glorioso há mais de trinta anos e não é agora que vou sair. Para quê? Porquê? Para onde?
Os ramelosos da RC, que não são carne nem peixe, não têm estas dúvidas. Para eles tudo se resume à falta de transparência e de liberdade no interior do partido. Vê-se logo que os gajos não têm nada a dizer de novo, nem de velho. Aquilo, não lhes deram protagonismo, e pronto, amuaram e começaram com estas merdas da fracção estalinista e etc. Se têm alguma coisa a dizer, e admito que sim, porque já caiu o muro, já ruíram muitos dos nossos sonhos, e, porra, algumas dúvidas devem assaltá-los, como me assaltam a mim, deviam dizê-lo. Dentro ou fora do partido. E não me venham com essa lengalenga da falta de liberdade. Os gajos até têm sítio na Internet e aqui o sítio do Redondo. Mas não, os gajos não são nem deixam de ser. Se puserem as dúvidas, são fracos; se assumirem certezas, são vendidos! É disto que os gajos não podem sair, e por isso estão caladinhos que nem uns ratos.
Bem, malta, amanhã, no fim dos trabalhos, logo passo por cá outra vez. Isto agora, nestes três dias está muito fraco de tempo. Eu bem levo o portátil para lá e desabafo nos intervalos, mas lá não posso ter estes desabafos de dúvidas. Ainda algum gajo dava uma mirada ao ecrã e então é que eram elas, era o bom e o bonito! E a partir de amanhã entra em cena o nosso grande Jerónimo. Com as convicções que tem para dar e vender até eu venho de lá com as ideias melhor arrumadas. E domingo, então, passam todas as dúvidas. Venho de lá mais ortodoxo que os ortodoxos!
Viva o glorioso!
Três vezes viva!
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
|