| Subject: Re: 130 mihoes e Operações filibusteiras |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 5/11/04 12:33
In reply to:
pjnsilva
's message, "130 mihoes" on 5/11/04 9:20
Os P.Ps as OPA , o que se lhes quiser chamar, são carambolas típicas do capital financeiro nestes tempos de cega alienação de bens públicos.
E , neste quadro , o Avante pela pluma de Vítor Dias faz bem em relevá-las.
>
>130 milhões
>
>
>A direcção do Independente, que não é certamente
>suspeita de ser inimiga das privatizações, até
>resolveu dar honras de chamada de primeira página ao
>assunto, mas o que se seguiu foi um silêncio sepulcral
>que talvez fale exuberantemente sobre as acomodações
>existentes e os interesses instalados.
>Essa chamada de primeira página informava que
>«Citigroup e Finantia avaliaram há um ano a área do
>petróleo da Galp em 3,7 e 3,3 mil milhões de euros» e
>que «o negócio fez-se por 2,1 mil milhões».
>Por sua vez, a respectiva notícia, inserida no caderno
>«Economia» daquele semanário, arrancava com a
>afirmação peremptória de que «o Estado perdeu pelo
>menos 650 milhões de euros ao vender os 40,79% do
>capital da Galp à Petrocer por um valor cerca de 50%
>abaixo das avaliações realizadas pelo banco Finantia e
>pelo Citigroup, as duas instituições a que a Galp
>encomendou há um ano relatórios de avaliação». A
>notícia explicava de seguida que o negócio acabou por
>se fazer na base do valor de 2,1 mil milhões de euros
>indicado como preço de referência pelo «adviser»
>técnico-financeiro do Governo, a Goldman Sachs e
>esclarecia ainda que este valor era muito inferior ao
>valor mínimo apontado quer pelo Finantia (2,7 mil
>milhões) quer pelo Citigroup (2,9). Para já não falar
>dos valores máximos apontados por aquelas empresas (4
>mil milhões e 4,7 mil milhões).
>Já calculamos que sobre isto alguns dirão que o mais
>provável é que esta notícia seja inspirada pela
>ciumeira de algum grupo concorrente à privatização da
>Galp que tenha sido preterido, que a avaliação de
>empresas e ramos de negócio não é uma ciência exacta e
>que o preço era apenas um dos 13 critérios fixados
>para a análise comparativa das propostas.
>A tudo isso só diremos «pois, pois», acrescentando que
>todos os ignominiosos antecedentes dos processos de
>privatização em geral e da Galp em particular (em que
>têm estado entusiasticamente envolvidos tanto Governos
>do PS como do PSD) legitimam perfeitamente a fundada
>suspeita de que alguém fez o Estado e o interesse
>público perderem pelo menos 130 milhões de contos e
>que alguém os fez entrar ilegitimamente no património
>de grupos privados.
>E se, em vez de 130 milhões, fossem apenas 10 milhões
>de contos, seria ainda com as mesmas cinco letras – as
>que compõem a palavra «roubo» – que descreveríamos
>este «negócio» que nunca levará ninguém à cadeia e,
>daqui por três anos de nojo legal, bem poderá levar
>algum ministro ao conselho de administração do grupo
>privado que comprou a posição do Estado na Galp.
>
>Vitor Dias
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