| Subject: Re: 17º CONGRESSO DO PCP - NOTAS SOBRE O PROJECTO DE RESOLUÇÃO POLÍTICA |
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Editorial
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Date Posted: 6/11/04 9:17
In reply to:
Joaquim Miranda
's message, "17º CONGRESSO DO PCP - NOTAS SOBRE O PROJECTO DE RESOLUÇÃO POLÍTICA" on 2/11/04 1:04
DN, 06/10/04
Editorial
O sereno adeus de Carvalhas
Carlos Carvalhas anunciou ontem que vai abandonar a liderança do PCP, no próximo congresso, marcado para os últimos dias de Novembro. Fá-lo depois de 12 anos como secretário-geral e dois como secretário-geral adjunto, que coincidiram com o período de maior desgaste dos partidos comunistas da Europa Ocidental, nomeadamente o francês e o italiano, em consequência do desmembramento da União Soviética e das transformações que se lhe seguiram. Apesar das dificuldades, o PCP foi o que melhor resistiu, perdendo muitos votos, é certo, mas mantendo, sobretudo, uma identidade forte.
Para um partido de matriz operária consolidado nos pesados e estalinistas anos 40 da luta contra o fascismo, o mundo unipolar que se seguiu à queda do Muro de Berlim, em 1989, e que pôs em causa os principais dogmas da mensagem comunista, deixou o PCP aturdido. Entre um passado histórico e glorioso e um presente ainda mal definido, houve que redefinir conceitos, estabelecer pontes, manter equilíbrios, cada vez mais difíceis e precários, dada a pressão dos renovadores. Carlos Carvalhas é o rosto desse esforço de conciliação que conduziu a algumas aberturas – não as suficientes, segundo algumas opiniões – de que a questão europeia é o exemplo mais vincado. Mas se Carvalhas pode ser criticado por não ter aberto o PCP de acordo com as exigências dos novos tempos, ninguém o pode acusar de ter descaracterizado o partido ou deformado o seu perfil de organização de massas. Porventura errou, mas olhando para trás percebe-se que preservou o essencial do pensamento comunista.
Na hora da saída, coloca-se, obviamente, a questão da sucessão. O nome é importante, seja ele Jerónimo de Sousa, Agostinho Lopes ou Carvalho da Silva, mas não o é menos a urgência de renovar os quadros – um problema comum a todos os partidos. Trata-se de uma tarefa inadiável, que só pode ser agora executada, com o PCP estabilizado, como Carvalhas o deixa.
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