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Subject: Carvalho da Silva Descontente com Escolha de Jerónimo de Sousa


Author:
MARIA JOSÉ OLIVEIRA (Publico)
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Date Posted: 19/11/04 11:39
In reply to: Nelson Silva 's message, "E o Escolhido é Jerónimo" on 17/11/04 17:56

O secretário-geral da CGTP-IN, Manuel Carvalho da Silva, não quer proferir quaisquer comentários sobre a provável escolha de Jerónimo de Sousa para suceder a Carlos Carvalhas na liderança do PCP e já garantiu que não vai dizer "absolutamente nada" sobre esta matéria.

Instado pelo PÚBLICO para falar sobre a sua relação de trabalho com Jerónimo de Sousa - o deputado agregou às suas funções no Parlamento a coordenação dos influentes pelouros do trabalho e sindicalismo -, Carvalho da Silva foi lacónico: "Não vou responder a nada". Questionado sobre se a proposta de a direcção do PCP é ou não do seu agrado, o líder da central sindical insistiu na recusa, assegurando: "Sobre este assunto não digo absolutamente nada".

Semelhante posição teve José Ernesto Cartaxo, membro da comissão executiva do conselho nacional da CGTP-IN, que também se recusou a falar sobre o trabalho desenvolvido por Jerónimo de Sousa enquanto elo de ligação entre o partido e a central sindical, espécie de braço-armado do PCP. Cartaxo admitiu que trabalhou durante muitos anos com o provável sucessor de Carvalhas, mas não quis falar sobre o deputado comunista. "Prometi a mim mesmo que enquanto ele não for eleito secretário-geral não vou pronunciar-me sobre isso", disse.

Cartaxo não o declarou explicitamente, mas deixou entrever que a CGTP está descontente com a possibilidade de Jerónimo de Sousa vir a ser o futuro secretário-geral dos comunistas. Quando o PÚBLICO lhe perguntou se a recusa se devia a um eventual desagrado com esta escolha, o sindicalista respondeu: "Agora já está a entender".

Mário Jorge Neves, dirigente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), não teve dúvidas em designar a proposta do nome de Jerónimo de Sousa como "absolutamente desastrosa". Militante comunista até há cerca de um ano - aquando das refiliações foi "expurgado" das listas, classificou -, este médico admitiu não ter ficado muito surpreendido com a escolha do deputado, uma vez que, justificou, "há muito tempo que o nome apontado pelo grupo restrito que decide tudo era o de Jerónimo de Sousa".

Para Mário Jorge Neves, a ideia de Carvalho da Silva vir a liderar os comunistas "foi lançada à revelia da sua opinião", já que muitos acreditavam que o dirigente sindical - "um nome com um grande prestígio político e social", sublinhou - poderia protagonizar uma "alternativa de peso àquilo que muitas pessoas adivinhavam como o desenlace disto". O sindicalista não quer, por ora, apontar previsões para o futuro relacionamento entre a CGTP e o PCP - "não faço ideia do impacte desta situação", assumiu -, mas não escondeu que "a solução é absolutamente desastrosa".

O clima de crispação entre a central sindical e o PCP já se arrasta há cerca de dois meses, quando o partido denunciou, através do "Avante!", que existem sintomas de "desvirtuamento" e "desagregação" no interior da CGTP. No mesmo jornal, os comunistas criticam ainda outras forças partidárias (não nomeiam quais) de tentarem acabar com a unidade da organização: "Subestimaram os sentimentos unitários e a elevada consciência de classe dos trabalhadores", pode ler-se.

Ao apontar críticas à CGTP-IN, o PCP acabou por admitir a progressiva perda de controlo da central sindical. No mesmo número do jornal oficial do partido, a publicação das teses propostas ao Congresso (entre 26 e 28, em Almada) ilustra o reconhecimento da fragilidade da influência dos comunistas sobre a estrutura sindical: "Resultante da grande pressão ideológica, forças e sensibilidades político-ideológicas, designadamente reformistas e ex-esquerdistas, que se reviam e participam no projecto colectivo e unitário na CGTP-IN, têm vindo a evoluir para concepções que a serem concretizadas no plano do funcionamento e composição das estruturas de direcção do movimento sindical, conduziriam ao desvirtuamento e desagregação do que constitui a obra mais criativa dos trabalhadores portugueses", lê-se

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Replies:
Subject Author Date
O homem disse "nada"... e comentou "nada"...Ephesus19/11/04 13:54


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