Author:
NUNO SÁ LOURENÇO (Publico)
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Date Posted: 21/11/04 8:45
Os promotores do abaixo-assinado que começou a circular na passada semana, entre os militantes do PCP, entregaram na quinta-feira ao Comité Central (CC) a carta aberta com as assinaturas dos seus primeiros 171 subscritores.
Uma parte significativa deste grupo é composta por ex-dirigentes de órgãos executivos e do Comité Central comunista. Emídio Ribeiro (que fez parte da comissão política), Artur José Vidal e Henrique de Sousa (que foram do secretariado), Branca de Carvalho, José Antunes e José Fidalgo (antigos responsáveis das direcções regionais de Viana, Braga e Lisboa) e até mesmo actuais presidentes de câmaras comunistas: Alfredo Barroso (Redondo), Carreira Marques (Beja), Rogério de Brito (Alcacer do Sal).
O documento, segundo Henrique de Sousa, foi também subscito por ainda funcionários do partido e mesmo vários delegados ao próximo Congresso, a realizar daqui a uma semana em Almada.
Henrique de Sousa frisou ao PÚBLICO que a carta aberta aos membros do PCP "não se pretende constituir em nenhum projecto ou centro contabilizador de adesões e assinaturas". Este ex-dirigente afirma que o abaixo-assinado serve de "alerta". "Este abaixo-assinado continua a circular, está na mão de muitos membros do partido, e a partir de agora não pertence aos seus priemiros signatários. cada militante é livre de o assinar e enviar ao partido", explicou.
O texto, intitulado "O próximo Congresso e o futuro do PCP", considera que "o processo preparatório do próximo Congresso e as orientações propostas não respondem aos males de que padece o partido nem constituem o caminho para reforçar o indispensável papel do PCP". Mais à frente está escrito que "o melhor caminho que serve" o PCP "é o da suepração das lógicas internas de intolerância, de rotulagem e de exclusão", precisando ainda que o actual rumo "facilita a divisão dos comunistas e o fechamento sectário e crispado do PCP".
O abaixo-assinado temina com um apelo aos "órgãos de direcção e conjunto dos membros do PCP para que evitem que o próximo Congresso seja mais um negativo passo no fechamento do partido".
O Comité Central (CC) do PCP está, entretanto, reunido desde ontem para finalizar a preparação do XVII Congresso e depois de anunciar a "inclinação consensualizada" em relação a Jerónimo de Sousa para sucessor de Carlos Carvalhas no cargo de secretário-geral.
A ordem de trabalhos da última reunião do actual CC inclui a aprovação do projecto de resolução política e das propostas de alteração dos estatutos e da nova composição daquele órgão.
De acordo com Jerónimo de Sousa, que será proposto no CC eleito no Congresso para suceder a Carlos Carvalhas no cargo de secretário-geral, foram recebidas "cerca de mil" propostas de alteração ao projecto de resolução política.
Nas teses propostas, o PCP manifesta-se disponível para uma solução governativa de esquerda, mas recusa ser "força de apoio ou cúmplice" de um governo socialista que mantenha "uma orientação ou práticas de direita"
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