| Subject: Re: RECAPITULEMOS |
Author:
Luís Carvalho
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Date Posted: 11/10/04 22:43
In reply to:
Fernando Penim Redondo
's message, "RECAPITULEMOS" on 10/10/04 15:13
Não me revejo nalguns pressupostos em que o caro amigo REedondo fundamenta esta sua análise.
Caso tivesse ganho as eleições, eventualmente até com maioria absoluta, Ferro Rodrigues seria um secretário-geral a prazo?
Não necessariamente. O mais provável talvez fosse o contrário. Durão Barroso também foi, no PSD, um líder fraco... até ganhar as eleições.
A 'mesa do poder' tem por vezes um grande poder de persuação a favor do líder instalado...
Caso o PS tivesse ganho as eleições com maioria absoluta... seria completamente irrelevante o prazo de Carvalhas nas vestes de líder do PCP
Caso o PS tivesse ganho as eleições sem maioria absoluta... teria talvez ficado bem próximo dela... E o seu interlocutor à esquerda seria muito mais o BE do que o que resta do PCP.
Caro amigo Redondo, o que resta do PCP, independentemente da criatura que vista as roupas de secretário-geral, auto-exclui-se, em termos práticos, de uma solução governativa.
E se, por acaso, desse a grande reviravolta de ser capaz, não digo de apoiar, mas de viabilizar um governo PS com o qual pudesse negociar e concretizar algumas reformas progressistas (como as que ficaram no papel durante os governos Guterres nas áreas da segurança social, saúde, fiscal)... no dia em que o grupo dirigente do PCP fizesse isto... eram uns traidores, revisionistas, social-democratizantes, serventuários de uma campanha anti-comunista, sedentos de protagonismo e de cargos ministeriais... ou não foi tudo isto e outros exemplos de alto nível linguístico, político e moral que esse grupo dirigente disse de João Amaral, Carlos Brito, Edgar Correia e outros comunistas por defenderem precisamente essa atitude face ao PS?
Esta reviravolta não vai, certamente acontecer. A questão pessoal do futuro secretário-geral do PCP não vai alterar a questão política do rumo seguido por este partido.
Quanto ao PS liderado por Sócrates... as forças à sua esquerda não devem esperar dele favores - tal como não o deveriam esperar de um PS liderado por Ferro Rodrigues e mesmo por Manuel Alegre.
Devem é procurar afirmar ao máximo o seu projecto próprio e, simultaneamente, rentabilizar, também ao máximo, a força de que disponham para influir na governação do país. Em termos mais concretos, serem capazes, por exemplo, de viabilizar um governo minoritário do PS, nomeadamente em matéria de orçamentos de Estado. Como diz a experiência dos governos Guterres, com um governo PS é possível negociar algumas reformas progressistas, que já aflorei mais acima. Viabilizar esse governo é condição para essas reformas serem concretizadas - foi aqui, em grande medida, que o BE e o PCP falharam, no meu modesto ver, na anterior legislatura.
Entretanto o BE tem tido uma evolução muito interessante. Infelizmente o PCP teve uma involução... que dispensa mais comentários.
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