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SUSETE FRANCISCO (DN)
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Date Posted: 21/10/04 16:36
O Comité Central do PCP aprovou na terça-feira uma proposta para que a eleição deste órgão, no próximo congresso, seja feita por voto secreto. Uma medida que, caso seja aprovada pelos delegados comunistas, marcará um ponto final na tradicional forma de votação do PCP - de braço no ar.
A notícia foi ontem avançada pela Agência Lusa e mais tarde confirmada pelo secretário-geral dos comunistas. Em declarações aos jornalistas, no Parlamento, Carlos Carvalhas fez questão de sublinhar que, apesar da proposta, o PCP discorda da imposição do voto secreto. «Fizemos essa proposta aos militantes no quadro do condicionamento da lei dos partidos e sobre um forte protesto. O que dá sentido a esta proposta é também a resolução política que aprovámos, em que contestamos esta lei de ingerência sobre a organização dos partidos e antidemocrática», afirmou. O diploma, de 2003, determina que «as eleições e referendos partidários se realizam por sufrágio pessoal e secreto».
A proposta para que o próximo Comité Central seja eleito por voto secreto (que será votada no XVII Congresso) nada adianta quanto à eleição da Comissão Política, Secretariado e Comissão de Controlo, órgãos executivos do partido.
DEBATE. As palavras de José Saramago, que esta semana defendeu a procura de «caminhos novos» por parte do PCP, vão ser secundadas por algumas dezenas de militantes comunistas «que não se revêem na voz oficial» e estão a preparar uma iniciativa de apelo à renovação.
Segundo fonte ligada a este «movimento», a intenção de intervir no processo de preparação do XVII Congresso comunista, agendado para o final de Novembro em Almada, já leva algum tempo, mas acabou por ter o empurrão decisivo após as declarações do escritor. «Há um movimento de opinião no PCP que vai no sentido das palavras de Saramago», adiantou a mesma fonte, acrescentando que as afirmações do Nobel criam a «expectativa» de que o descontentamento possa ter eco «junto de mais amplos sectores» do partido.
Em entrevista à TSF, Saramago defendeu esta semana a «reflexão, a autocrítica e a procura de caminhos novos» no PCP, acrescentando que as «batalhas de hoje não se ganham com as armas de ontem».
Escusando-se, para já, a adiantar o nome dos signatários do documento, a mesma fonte adiantou que entre estes se contam vários ex-membros do Comité Central. Uma iniciativa que pretende contribuir para o «debate de ideias», pelo que não deverá avançar nomes para a liderança do PCP.
Quem já afirmou a sua preferência foi Domingos Abrantes. Em artigo publicado ontem no jornal Público, o ex-dirigente do PCP defendeu Carvalho da Silva como o nome «mais indicado» para suceder a Carvalhas. Uma opinião que vem ao encontro da já expressa por vários militantes comunistas, que, como o DN noticiou, se preparam para formalizar a proposta junto do Comité Central.
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