Author:
Jorge Nascimento Fernandes
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Date Posted: 10/09/04 12:17
In reply to:
Guilherme Statter
's message, "Re: Ao “cidadão comum”" on 9/09/04 17:57
Resposta ao Statter
Não me oponho, e até diria ainda bem, que alguém de direita venha aqui escrever, se não vier a suceder os da esquerda deixarem de o fazer. Simplesmente acho que tenho o direito de rebater os seus pontos de vista, com já o fiz muitas vezes em relação ao dono do site, o meu amigo Fernando Redondo. Sem insinuar que o Fernando é de direita, mas para provar que não há aqui ninguém intocável.
Eu diria que este nosso “cidadão comum” reflecte uma ideologia que não alinha integralmente pelo “Centrão”. Força essa que, se muitas vezes exprime estes pontos de vista, tem a preocupação de ser politicamente correcta e não eleger outros grupos de trabalhadores como os seus principais inimigos. Pode, com muito gosto, ler o Medina Carreira e pensar que situação difícil o Governo tem para resolver, mas não tira as conclusões de ser preciso combater a casta dos funcionários públicos. Pode ser que esteja a ver mal o problema e, muitas vezes o “Centrão” ser isto mesmo, mas há “nuances” que me parece que existem.
Por outro lado, o PP de Paulo Portas, sendo do mais reaccionário que há, é isso mesmo, pretende encenar que conserva os valores do salazarismo: Deus, pátria e família. Veja-se a encenação de Paulo Portas a rezar por aquele militar que morreu em Timor (a defesa da religião) ou enviar os barcos de guerra (a defesa da pátria) contra o impropriamente chamado “barco do aborto” (a defesa da família)..
Ora o nosso “cidadão comum”, não faz a análise técnica da situação como faria o “Centrão”, encarniça-se sobre os funcionários públicos, os políticos, as profissões liberais, os sindicatos, numa típica ideologia de cidadão comum, como ele se denomina, que é onde vão buscar o seu alimento todos os populismos ou, provavelmente mais correctamente, todos os fascismos. Alberto João Jardim é essa mistura tenebrosa de populismo e fascismo, que dada a sua inocuidade aqui no Continente, não é levado a sério, mas que tem uma aceitação maior do que se pensa.
Quanto as outras análises que, sobre a capa do marxismo, são igualmente de extrema-direita, não duvido, simplesmente esta, pelo conjunto de afirmações que faz e por se enquadrar naquilo que eu poderei chamar de nacional-populismo, mereceu um destaque maior da minha parte.
Um abraço
PS. O Fernando, ou alguém que saiba, que responda se é possível, quando de edita um texto no fórum, pô-lo a itálico ou a negrito, dado que é muito difícil fazer realçar um texto a que se quer responder
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