>3 linhas perpassam por aí:
>
>a) socialismo e mercado são categorias susceptíveis de
>conviver e que a distribuição mercantil dos bens pode
>SEMPRE coexistir com produção excedentária apropriada
>socialmente;
>
>b)socialismo, ou melhor comunismo e mercado, nunca
>podem coexisitir, nem ser tendencialmente tolerado o
>mercado, porque, isso significaria a persistência de
>uma hegemonia do valor de troca como expediente de
>socialização do trabalho humano "post festum" (marx
>nos grundrisse) e portanto apenas estaríamos a ser
>ricardianos, a defender um modo de produção
>hegemonizado pelo capital, mesmo que sob um formato
>pos-capitalista, baseado portanto no fetiche da
>mercadoria; nesta corrente inscrevem-se os autores do
>texto sobre a china na monthly review e fidel acerca
>do período especial em cuba; quando muito aceita-se o
>mercado como expediente limitado, como recurso
>absolutamente circunscrito; no seu extremo, esta
>corrente navega na internet sob o lema de "moneyless
>economy", a economia onde deixa de haver dinheiro;
>
>c) uma corrente reconhece a noção e os argumentos de
>marx sobre o fim do valor de troca, da emergência de
>um modo de produção onde se dá a socialização à
>partida do trabalho por troca de talentos e não de
>mercadorias, mas entende que não sabemos ainda como é
>que a transição se vai operar e que seguramente o
>mercado jogará um papel significativo na economia por
>muito tempo e que muito temos de aprender sobre o seu
>funcionamento e de como o poderemos usar, com toda a
>sua instabilidade que o mercado transporta para
>resolver problemas concretos; aqui o mercado não é
>absolutizado, mas é visto como subordinado. Na fase em
>que estou é nesta corrente em que me situo e condeno
>as declarações grandieloquentes contra o "socialismo
>de mercado", genéricas, baseadas em puro voluntarismo;
>sem querer esconder que por de trás da alínea a) se
>escondem porventura muitos desistentes reais do
>projecto socialista e muitos que embarcaram numa
>grande ilusão sobre o mercado que tudo poderia
>resolver.
>
>Por tudo isto o meu empenho em guardar reserva na
>esquerda portuguesa para que se possam encarar com
>espírito instrumental o que poderá ser um papel em
>Portugal para o mercado e até de mecanismos
>capitalistas na transição portuguesa; sobretudo quando
>se aposta numa possiblidade de formação de um governo
>de coligação com comunistas e socialistas.
>
>No concreto, na parte que me interessa, o Serviço
>Nacional de Saúde, a questão mercantil na regulação de
>certos comportamentos e na obtenção de determinados
>resultados, vejo-os como podendo ter alguma utilidade:
>poderemos discutir melhor exemplos sobre isso;
>noutros, como o mercado do medicamento, acho que o
>caminho é combater o mercado, abertamente.
>
>Acho muito importante a leitura do difícil livro,
>antigo, de Ramón Suevos, um marxista galego, e que se
>chama "socialismo e mercado", da campo das letras. É a
>sua tese de doutoramento e coloca com grande
>profundidade os problemas levantados pela questão
>mercantil no socialismo
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