| Subject: Re: Não Falhou Porque Não se Chegou.. 2 |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 14/09/04 11:41
In reply to:
António Fagundes
's message, "Re: Não Falhou Porque Não se Chegou..." on 14/09/04 10:22
A.Fagundes :isto é um bocado chover no molhado.
Eu tentei assinalar que a perspectiva do socialismo é ou devia ter sido totalmente diferente duma opção pelo capitalismo enquanto modelo politico ,económico e social.
Sendo as grandes prioridades diferentes ,poquê tanta admiração de determinadas "lacunas" ?
Claro que no plano económico houve bastantes falhas ,os incentivos produtivistas muito aquém do pretendido.
Agora não diga que em matéria de investigação :espacial,química ,industrial etc , nas artes e na difusão dos valores culturais, na educação piloto Pré-escolar ,em muitos aspectos da biotecnologia e da investigação médica, não diga que não se fez nada.
Como conciliar a iniciativa com o aprofundamento de uma sociedade mais solidária,generosa e comunitária foi a pedra de toque do socialismo.
O Preço das liberdades individuais não pode ser ,como quer , o sacrificio da comunidade pela submissão à lei do mais forte.
A implosão do campo socialista deveu-se ,sim,à falta de uma escola socialista traduzida numa ética social diferente da dos actuais dirigentes russos,por exemplo , e isso foi decisivo.O Fagundes, continua, de facto, a pautar-se pelo modelo que conhece e talvez o mais conseguido dentro das desigualdades que ele gera :O capitalismo.
>
>Não vejo nas minhas intervenções a irregularidade que
>refere. Não se esqueça que não sou comunista nem
>marxista.
>
>Mas, voltando ao assunto.
>
>Colocar as causas da derrocada total do comunismo, ou
>do socialismo, como você se lhe refere, apenas na
>educação não é um bocado redutor? Outros, indo um
>pouco mais além, já chegam à imaturidade das condições
>materiais em que os comunistas chegaram ao poder. E
>alguns nem atribuem à revolução de Novembro o
>qualificativo de revolução proletária ou socialista.
>Por este andar, um dia destes, aquele Mundo não
>existiu, é riscado da História.
>
>Mas, não lhe parece estranho, por exemplo, que naquele
>Mundo comunista, ou socialista, como você lhe chama,
>abrangendo milhões e milhões de pessoas, não tenha
>produzido uma descoberta significativa no âmbito das
>ciências puras ou uma invenção marcante que lhes
>permitisse alcançar níveis de desenvolvimento
>tecnológico comparáveis ou superiores ao do
>capitalismo, e os livrasse da sina de andarem a vender
>cereais e matérias-primas para comprarem aos outros a
>tecnologia (atrasada, porque a actual eles não lhes
>vendiam e tinha de ser roubada pela espionagem) com
>que produziam?
>
>A mim, este sempre foi um mistério que me intrigou. A
>você, não? Nada daquilo que marca as nossas vidas na
>actualidade, do simples transistor à pílula
>contraceptiva, foi invenção do comunismo. Não estariam
>prái virados, apesar de tanta necessidade, ou a
>imaginação só produz bons resultados em plena
>liberdade?
>
>Isto, pra não falar da ditadura férrea que exerciam
>sobre todo o povo, porque aí, então, haveria pano pra
>mangas.
>
>Certamente, irão encontrar muitas causas políticas,
>sem chegarem ao cerne da questão, que servirão de
>consolo para encararem a situação actual como de
>derrota temporária. Mas há uma questão
>inultrapassável: é que o comunismo almeja controlar a
>vida social, planificar a produção, homogeneizar os
>produtos, unificar os modos de pensar! E isso tem
>nome: totalitarismo!
>
>António Fagundes.
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