| Subject: Re: O Busilis das Noções Descontextualizadas... |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 1/09/04 9:56
In reply to:
Guilherme Statter
's message, "O busilis da questão?..." on 31/08/04 23:40
Caro Guilherme Statter, o busilis é o reducionismo anti-dialéctico de isolar noções e princípios e descontextualizá-los.
Como diziam os clássicos do marxismo - leninismo a politica ,o elemento politico nunca se separa do social e do económico.Nenhuma "muralha da China" os isola.
Marx morreu em 1884 .Sabemos que a sua obra ficou incompleta.Marx não pôde aprofundar certas noções e resvalou ,não pouco , na "unilateralidade" do economicismo ,denunciado ,aliás,posteriormento por Lénin e dando lugar a correntes ortodoxas que separavam o económico do social e do político. Estes economicistas,que se projectaram ao longo do tempo, negligenciavam as relações de produção ,as relações sociais ,e portanto a luta de classes reais e as suas incidências sobre a economia, por um lado, e a politica por outro.
De facto, e contra o determinismo, a revolução não saiu espomtãneamente das forças de produção quando estas atingiram determinado nível. As condições políticas realizaram-se e realizam-se evolutivamente e obedecendo a contextos específicos de desenvolvimento , no quadro de respostas que a sociedade e os elementos mais destacados que , no seio dela , entendam dar.
As respostas têm que ser datadas sendo necessário esperar que o crescimento qualitativo das forças produtivas tenha gerado as condições de transformação social.
Estar a introduzir ,no quadro da emergente " Sociedade de Informação " noções e a discussão sobre principios que brotam do "fordismo" deixa-nos perplexos , no mínimo... Valor ,força de trabalho, mais-valia ,sim pois (ainda em áreas geográficas extensas do mundo )...
uosque tandem Catilina abutere tu patientia nostra...
>
>Mas a curiosidade ficou mesmo desperta com este
>contributo do sr. J.M.Correia...
>Em particular quando nos diz:
>
>"A minha teoria da exploração não é esta, como está
>bem explícito na minha intervenção, e a resumo
>novamente: na troca, o vendedor de uma mercadoria cede
>a utilidade e o benefício que o comprador obtém com
>ela; a força de trabalho não é factor produtivo
>necessário e suficiente para a produção das
>mercadorias em geral; as mercadorias não são vendidas
>pelos seus valores (marxistas); por muitas razões, a
>força de trabalho é vendida abaixo do valor pela
>relação de forças em que se realiza a sua alienação
>(valor que o Estado burguês se encarrega de não
>permitir que ultrapasse dimensão que ponha em causa
>uma determinada taxa de lucro)".
>
>Saliento em particular a frase "A FORÇA DE TRABALHO É
>VENDIDA ABAIXO DO VALOR PELA REALIZAÇÃO DE FORÇAS EM
>QUE SE REALIZA A SUA ALIENAÇÃO"
>(Estou para aqui cheio de cuidado a transcrever isto,
>quase letra a letra, só espero não errar não volte a
>acontecer-me uma de "deshonestidade intelectual"...).
>
>E a curiosidade leva-me a perguntar.
>Como se determina então o padrão de valor?...
>Para se poder constatar que a venda é "abaixo", ou
>"acima" ou "ao mesmo nivel" desse valor?
>Se esse padrão é determinado pela interacção de forças
>no mercado (a "oferta" e a "procura"),
>ou se, em alternativa, é determinado por um outro
>critério. E então qual é?
>O valor que permite "uma determinada taxa de lucro"?...
>"Just a simple question"...
>Cordiais saudações,
>Guilherme Statter
>Um iletrado (que bem se esforça...)
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