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Subject: A propósito de lucro económico


Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 4/09/04 0:11

... e concorrência perfeita.
Já por várias vezes que aqui neste forum causou burburinho a afirmação de que em concorrência perfeita, o lucro económico é zero.
Para tentar esclarecer esse facto trouxe aqui à colação três autores, um dos quais mundialmente famoso. Mas a verdade é que não expliquei o porquê daquela afirmação. Vou tentar.
Mas lembro e sublinho que nestas coisas de ciências sociais tudo são TENDENCIAS.
E já agora que é nos movimentos para o "nucleo central" dessas tendências, é nesses movimentos de "ajuste" permanente, que está a fonte dos lucros não-económicos. Designadamente os de monopólio temporário, quando há uma qualquer inovação tecnológica. E como todos sabemos, sempre há inovações. É por isso que é importante não confundir aqueles dois tipos de lucro.
Vejamos então:
Num mercado perfeitamente concorrencial (e é isso que nos vendem como o ideal dos modelos do capitalismo liberal), as empresas são tendencialmente forçadas ao máximo da produtividade, minimizando os custos e maximizando os resultados.
Nesse "mercado perfeitamente concorrencial", todas as empresas do mesmo sector de actividade têm acesso à mesma tecnologia (e, por tabela, tenderão a ter a mesma "composição orgânica do capital" ou "índice de intensidade capitalística").
Ter acesso à mesma tecnologia quer dizer que as empresas compram as mesmas máquinas (ou equivalentes) em fornecedores que são por sua vez também concorrentes entre si.
Em resultado disso, as taxas de amortização tenderão a ser iguais, para todas as empresas fornecedoras do mesmo tipo de produto. Ou seja, a fracção de valor de capital fixo que é imputado a cada unidade produzida, tende a ser a mesma para todos os fornecedores que estão no mercado a tentar vender a sua produção. Sendo que, em todo o caso, é valor que vem de trás...
É por isso também que se diz que a única fonte do valor ACRESCENTADO é o trabalho humano. Facto banal e reconhecido pela fiscalidade de todos os países industrializados.
Para entender isto não é preciso ser marxista.
Se cada empresa (nesse tal mercado perfeitamente concorrencial) conseguir vender toda a sua produção – aos preços de equilíbrio do mercado – chega-se à conclusão que as suas receitas darão exactamente para pagar todos os factores de produção, incluindo-se aí a remuneração do capital avançado. Lembro/sublinho, que na perspectiva convencional, esta remuneração do capital (em rigor o chamado "lucro normal") é considerado como um "custo" da empresa.
Em situação de concorrência pura, o lucro económico então é zero e as empresas não têm como imputar ao valor da produção mais valor do que aquele que advém do trabalho (vivo).
E a fonte do lucro dito "normal" (a tal paga ou remuneração do capital) acaba por ser o "título de propriedade" do capital. Sendo esse lucro "normal" uma espécie de tributo que a sociedade tem que pagar aos detentores do capital
Era só isto...
Cordiais saudações,
Guilherme Statter

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Subject Author Date
Uma tese genialCidadão comum 4/09/04 7:45
Re: A propósito de lucro económicoAntónio Fagundes 4/09/04 11:19


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