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Date Posted:13/09/04 19:47 In reply to:
José Manuel Faria
's message, "As Teses chegaram" on 3/09/04 15:26
A propósito da globalização diz-se a certa altura: Entre os que procuram salvaguardar e acentuar o seu carácter anticapitalista e os que, pretendendo apenas «humanizar» a globalização capitalista, se empenham na sua recuperação e institucionalização reformista.
De novo a abordagem dicotómica, um pouco à maneira dos “bons” e dos “maus”... Se a realidade não fosse muito mais complexa... era tudo muito mais fácil.
Mas, como já foi aqui assinalado (no dotecome) por Angelo Novo, o marco nacional de luta arrisca-se a sobrepôr-se à necessária solidariedade internacionalista.
Em termos práticos e naturalmente simplistas, ou se facilita a vida aos exportadores laranjas e de vinhos da África do Sul, “lixando” ainda mais a agricultura portuguesa, ou se “lixa” a vida aos trabalhadores sul-africanos aumentando a sua já mais do que elevada taxa de desemprego...
Vem também mais adiante: 1.3.32.... ...o PCP, ao mesmo tempo que discorda de partidos supranacionais, defende há muito a necessidade de caminhar para formas mais estáveis de articulação entre partidos comunistas e outros partidos revolucionários.
1.3.33. Mas os atrasos neste domínio, nomeadamente na Europa, não se resolvem precipitando soluções e com lógicas de tipo federalista, com «maiorias» e «minorias», ignorando a grande diversidade de situações existentes. São necessárias soluções unitárias, respeitadoras da soberania e identidade de todos, que unam e não que possam criar dificuldades e fracturas suplementares.
Aqui caberá perguntar qual é o mal de vir a haver “maiorias” e “minorias” numa discussão intra-classista sobre qual o melhor rumo a tomar para alcançar o poder, por exemplo?...
Mas continuando no mesmo texto: 1.3.34. Tal é o caso do «Partido da Esquerda Europeia» que, na sua origem, na sua lógica federalista, no seu relacionamento com as instituições da UE, no enquadramento político e ideológico que lhe é colado por alguns dos seus principais protagonistas, está em contradição com as concepções que temos defendido de cooperação, autonomia e soberania. Ao que acresce o facto de ser concebido, por alguns, em contraposição com critérios básicos que o PCP considera serem os que melhor servem a agregação de forças progressistas e os de um partido revolucionário.
Repete-se aqui o êrro de considerar federalismo aquilo que é o seu contrário... Ou então e em termos mais simples uma Confederação de Sindicatos (aliás ainda “aglutinados” em diversas Federações...) está bem para a organização do movimento sindical em Portugal, mas está mal para aglutinar o movimento socialista internacional, em geral e trans-europeu em particular?...
Mais adiante (os sublinhados são meus...): 1.4.13. Nas actuais circunstâncias de grande instabilidade, só uma coisa é realmente certa quanto ao futuro: as transformações progressistas e revolucionárias que a alternativa ao actual estado de coisas reclama não serão fruto de esquemas e modelos pré-concebidos a que a realidade tenha de conformar-se, antes resultarão necessariamente da dialéctica da luta revolucionária nos planos nacional, regional e mundial, irrompendo lá onde o feixe de contradições for mais denso e mais fortes as forças revolucionárias, num processo irregular e acidentado em que, à resistência da reacção e do imperialismo, será necessário opor cada vez mais a força da solidariedade internacional e internacionalista.
Não podia estar mais de acordo com isto. Mas talvez não fosse má ideia apontar direcções “às massas”...
E agora adopto eu uma abordagem dicotómica: Ou o PCP adopta uma postura “terceiro mundista” (será lá no "terceiro mundo" que estarão mais fortes as forças revolucionárias e mais denso o feixe de contradições?...), ou adopta um postura “primeiro-mundista” (de partido de um país do centro), na premissa - avanço eu - de que será então aí (nos países do centro) que são “mais fortes as forças revolucionárias e mais denso o feixe de contradições”)...
Por agora fico-me por aqui,
Cordiais saudações,
Guilherme Statter
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