Author:
Menezes de Castro
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Date Posted: 16/07/04 21:58
In reply to:
Jorge Nascimento Fernandes
's message, "Algumas reflexões distanciadas sobre “uma decisão correcta e corajosa”" on 13/07/04 18:08
A propósito da decisão de Sampaio e do apoio inqualificável de Redondo vem aqui o Fernandes bolsar mais vitupérios contra o PCP. Tal é o ódio.
O Fernandes, transvestido de pessoa de esquerda, mais não é de que um primário anti-comunista.
Vejam-se todas as suas intervenções e a mania da perseguição que tem, vendo em cada interveniente os "agentes da Soeiro" como se alhuém da direcção do PCP se preocupasse com este ou outros Fernandes.
Desista, Fernandes, que o combate é inglório.
>
>Algumas reflexões distanciadas sobre “uma decisão
>correcta e corajosa”
>
>Depreende-se do texto do Fernando Redondo que esta
>decisão do Presidente serviria para impedir a esquerda
>de ganhar na secretaria aquilo que não consegue com
>uma preparação física adequada. O Jorge Sampaio
>consciente desta fraqueza endémica da esquerda
>preferiu manter a mesma aliança de direita, permitindo
>que esta só fosse julgada daqui a dois anos.
>Depois, respondendo às minhas críticas, diz que esta
>prática apressada e trapalhona da esquerda é já a
>antiga e que a fomos beber ao PCP.
>Penso que não ter simplificado demasiado qualquer dos
>seus raciocínios.
>Mas respondamos a esta última observação. De facto,
>houve uma prática antiga do PCP que era de apontar a
>porta da rua aos sucessivos governos que, entre o
>primeiro do PS sozinho e a primeira maioria absoluta
>de Cavaco, se sucederam a grande velocidade. Se
>estamos recordados, durante a vida desses Governos lá
>aparecia a palavra de ordem: “a luta continua, governo
>para a rua”.
>E quando caíam era uma grande vitória dos
>trabalhadores e da sua luta. Simplesmente a cada
>Governo sucedia-se um pior, actuando sempre de acordo
>com o que o PCP definia como “a recuperação
>capitalista, agrária e imperialista”. Este ciclo só
>terminou, porque no plano político a direita encontrou
>o seu líder carismático, Cavaco Silva, e no plano
>económico se começou a receber milhões de Bruxelas.
>Mais recentemente, quando o Guterres se demitiu, foi a
>pressa em pedir eleições, quando havia uma maioria de
>esquerda na Assembleia.
>Mas se esta política trapalhona e apressada existiu e
>existe ela não é um exclusivo do PCP, nem ele é
>unicamente o seu inspirador.
>Mas voltemos à decisão do Presidente e vejamos se ela
>é correcta e corajosa.
>Do ponto de vista do Fernando ela justificar-se-ia
>pelas razões acima referidas. Num artigo publicado
>hoje no Público, Jorge Almeida Fernandes considera a
>demissão do Ferro Rodrigues como a melhor justificação
>para a decisão do Presidente, ou seja, o PS não estava
>em condições de Governar e ninguém acreditava no PS
>que aquele dirigente o fosse capaz de fazer.
>Quanto a mim, se foi isto que motivou secretamente a
>decisão do Presidente, de poupar o PS e a esquerda de
>governar com estes dirigentes, os resultados práticos
>são outros e veremos no futuro como nos recompomos
>desta derrota..
>Assim, a ofensiva contra o PS e o seu secretário-geral
>demissionário, mesmo que Belém, não tenha
>responsabilidades nisso, e eu acho que tem, visa
>unicamente fazer virar aquele Partido ao centro e pôr
>na sua direcção esse boneco animado chamado José
>Sócrates. No futuro, será muito mais difícil qualquer
>alternativa de esquerda. Poderemos ter soluções
>limianas, mas não alianças à esquerda. Pacheco Pereira
>também já afirmou que esta alteração do PS vai acabar
>igualmente com o Louçã, pelos vistos o seu pior
>inimigo, transformando-o, segundo ele diz, de líder da
>oposição em elemento marginal ao sistema. Ou seja,
>tudo se prefigura para uma reconversão ao centro, tão
>de agrado dos órfãos do Cavaco ou dos nostálgicos do
>Bloco Central.
>Por outro lado, a política também é feita de homens
>concretos e quando eu afirmei no meu primeiro
>comentário com que cara na segunda feira iríamos
>encarar o ar satisfeito de chefes e patrões, era que,
>pelo menos, e disso se aperceberam os empresários, a
>ofensiva contra os trabalhadores seja nas fábricas,
>nos serviços ou simplesmente na função pública, onde é
>real, abrandaria e poderia mesmo reverter a nosso
>favor. É com pessoas que se faz a política e se não as
>tomamos em consideração, aquela transforma-se numa
>abstracção, incapaz de compreender para quem é
>dirigida.
>Não terminaria sem afirmar que a opção de Sampaio foi
>a pior de todas, não só garantiu ao patronato que se
>iriam manter as mesmas políticas restritivas, como
>optou pelo pior dos primeiros-ministros. Segundo Vital
>Moreira, ver hoje o Público, ele deveria não ter
>aceite o primeiro-ministro indicado pelo PSD e esperar
>que propusessem outro, que era o que defendia o
>Marcelo Rebelo de Sousa.
>Portanto, a decisão do Presidente nem foi correcta nem
>corajosa.
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