Author:
Jorge Nascimento Fernandes
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Date Posted: 19/07/04 10:36
In reply to:
José Manuel Faria
's message, "Um Governo de Direita" on 19/07/04 9:32
A propósito de uma estratégia concertada da esquerda
Volta aqui a falar-se de uma estratégia concertada da esquerda para resistir a um Governo Santanista. Relembro um pequeno texto que publiquei aqui a propósito de uma pergunta que ia no mesmo sentido: que fazer? Sei que na altura esse texto não teve grandes comentários, mas o tempo não ia também nesse sentido. Hoje, nomeado Santana, espero que suscite mais discussão:
“Que queremos, quando hoje falamos de uma alternativa de esquerda, provavelmente não mais do que aquilo que propõe” (referia-se a um programa mínimo proposto por José Manuel Faria), “simplesmente pôr de acordo, tornar governável essa alternativa é hoje um trabalho hercúleo, pois presentemente as diferentes esquerdas têm objectivos e preocupações eleitorais bastante diferentes. Não me compete a mim, ao falar de alternativa de esquerda, começar a atacar as outras forças, mas a vontade de aproximação é neste momento mínima.
Simplesmente, este desejo de criar uma alternativa de esquerda e de verificar a sua dificuldade, não nos pode impedir de lançar pistas, de caminhar na abertura de novos paradigmas e, nesse sentido, em trabalhos futuros gostaria de abordar estas minhas preocupações.
Assim, e desde já, gostaria de afirmar que Portugal não é uma ilha. Hoje as alternativas à esquerda passam também por aquilo que na Europa se pensa da esquerda, das possibilidades de reversão das situações. Por isso a nossa participação no Partido da Esquerda Europeia, a nossa inserção naquela Europa que caminha para o progresso e para as tentativas de transformação social é tão importante.
Hoje, cada vez mais, o problema não é só a aliança das forças sociais do progresso é igualmente a conquista da hegemonia cultural e ideológica por essas forças. E isto é um trabalho paciente, aquilo a que Gramsci chamava a "guerra de posição".
Por isso, para lá das situações conjunturais, que determinam alterações na correlação de forças, tornando o trabalho mais fácil ou mais difícil consoante os casos, há um trabalho de fundo, paciente, de toupeira, como diria o Zeca Afonso, que progressivamente vá permitindo reverter a nosso favor o domínio cultural e ideológico que a direita, o capitalismo e o imperialismo exercem na sociedade.”
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