| Subject: Re: contradição? |
Author:
Gonçalo Valverde
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Date Posted: 20/07/04 14:54
In reply to:
paulo fidalgo
's message, "contradição?" on 20/07/04 13:52
A tese proposta pelo Cipriano Justo (e penso que fale em nome do MRC) é de que existiu um entendimento desde a primeira hora entre Durão Barroso e Jorge Sampaio sobre esta questão.
Ora se existia à partida uma decisão tomada, se as duas semanas foi apenas para show off, por muito que a esquerda se apresentasse única não me parece que o resultado fosse de todo diferente, até porque a tónica do discurso do Sampaio aquando do anuncio da decisão foi exactamente o exigir da continuidade das politicas governamentais em pastas chave (o que é no mínimo paradoxal, pois significa o aval presidencial às mesmas políticas de direita que têm sido tomadas). Se o resultado das eleições anteriores não influenciou o presidente, se as sondagens não influenciaram o presidente, se a forte probabilidade do PS deter a maioria absoluta em caso de eleições não influenciou o presidente, porque é que uma frente unida de esquerda iria influenciar? Não quero com isto dizer que não seja importante uma convergência da esquerda para uma conquista do poder que leve à implementação de politicas de esquerda. O que me parece discutível é estar a apontar como causa de todos os males a não existência dessa mesma convergência.
Por outro lado, uma tese que já tenho ouvido defender é que o próprio PS não estaria verdadeiramente interessado actualmente em eleições antecipadas, pois teria que implementar medidas semelhantes às do PSD em termos de contenção financeira (o que não me parece de todo líquido, mas isto é uma questão diferente). Desta maneira, livraram-se do Ferro Rodrigues, um tipo que tinha uma imagem quase de esquerda e que já estava a ser contestado internamente agora que a passagem pelo deserto do PS está a acabar, e conseguem afastar o partido do perigo de uma imagem de esquerda (aliás, é sintomático que o candidato logo falado para substituir Ferro Rodrigues fosse António Vitorino). Num cenário de eleições antecipadas, o PS "arriscava-se" a ter como primeiro ministro um secretário-geral eleito meramente para fazer a travessia do deserto (como aliás, aconteceu com o PSD, aquando da demissão do Guterres). Se calhar o Sampaio até acabou foi por fazer um favor não só ao governo PPD/PP como ao próprio PS...
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