Author:
Jorge Nascimento Fernandes
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Date Posted: 23/07/04 15:14
Da Possibilidade de Diálogo
Há mais de trinta anos, digamos no início dos anos setenta ou finais de sessenta, foi muito discutida esta problemática do diálogo. Para aqueles da minha idade, que ainda estão recordados, aí no início dos anos 60, no marxismo de inspiração francesa houve uma fase de defesa do diálogo. Era o tempo de Garaudy, e do seu “Perspectivas do Homem”, onde se propunha o diálogo com os católicos e com alguns dos seus teóricos. Depois foi a vez da abertura na arte e tivemos do mesmo autor “Um Realismo sem Fronteiras”, onde também se propunha um diálogo com alguns autores muito afastados daquela corrente artística. Nos anos referidos no início do “post”, como agora se diz, surge o estruturalismo e a influência de Althusser, onde o combate ao humanismo e as dificuldades de diálogo foram uma das temáticas. Esta dificuldade no diálogo entre ideologias, mas também entre a crítica e a obra criticada, foi entre nós realçada, como igualmente o seu contrário já o tinha sido, por Eduardo Prado Coelho e na altura os argumentos expostos, que de forma um pouco impressionista aqui relato, eram de que sendo os discursos diferentes, podemos dizer o seu referencial, era impossível encontrar pontos comuns. É evidente que isto está muito simplificado, mas neste momento não me apetece ir procurara quaisquer textos dessa época. No entanto, parece-me que esta breve referência a esta temática levanta um aspecto importante, se eu falo em alhos e me respondem com bugalhos, qualquer diálogo é manifestamente inviável e mais, dado a maneira como funciona este fórum, essa diferença de opinião é muitas vezes ampliada para servir de campo de batalha ideológico, que, em última instância, tem como objectivo a derrota do adversário e a vitória das nossas teses.
É pois muito difícil, e nisso o Partido foi sempre mestre, retomando os ensinamentos jesuíticos, que quando publicamente se começa a debater ideias isso implica no futuro divisões e lutas de facções. Por isso sempre se achou, que cada camarada só na sua célula, nos órgãos apropriados do partido, é que deveria intervir, visto que ao trazer a público as suas opiniões acarretaria sempre a resposta, e daí a facção e a divisão. Por isso, se manteve sempre a “sábia” decisão de cada um intervinha no seu sítio. É evidente que isto não tem nada a ver com o diálogo, nem com a liberdade de opinião, mas preserva a unidade que sempre foi o objectivo último.
Portanto, e para terminar, não me peçam que baixe os braços, pois para mim é no confronto que se afina a justeza da nossa linha política, tentarei, no entanto, não me envolver em polémicas inúteis e com afirmações provocatórias que só irão beneficiar o “infractor”.
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