| Subject: Aprender a aprender com as derrotas |
Author:
Carlos Aguiar
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Date Posted: 23/07/04 19:23
In reply to:
Jorge Nascimento Fernandes
's message, "Perder tempo para o povo" on 23/07/04 17:16
Tal como o sr. Jorge Nascimento Ferreira não me conhece a mim eu também não tenho o privilégio de o conhecer a ele, estamos quites.
No entanto eu respeito a opinião dele e não lhe ponho nenhum rótulo, limito-me a discordar dela. Outro tanto devia fazer o JNF, convencer-se de que a sua opinião é apenas mais uma, e que nada lhe garante atributos especiais.
Replico:
1. A demissão do Ferro Rodrigues não tem qualquer justificação na decisão do Presidente. O próprio Mário Soares, que JNF tanto cita, o disse.
A referência que ele faz no discurso de demissão à sua amizade pessoal com Sampaio é uma das maiores calinadas que já vi fazer a um político, aliás na sequência de outras do mesmo tipo a propósito da Casa Pia.
A demissão tornou claro para todos, e os analistas são unânimes, que a opção do Sampaio por eleições constituiria não a melhor solução para o país mas a sobrevivência para o Ferro Rodrigues e para a sua camarilha.
O Presidente limitou-se responsavelmente a proteger o país da salganhada socialista que se anunciava e, por tabela, a proteger a esquerda e os trabalhadores de mais um governo sem projecto que, tal como o do Guterres, prepararia uma vitória ainda mais expressiva da direita.
2. As “marteladas” não foram dadas pelo Sampaio mas sim criadas pela própria esquerda. Quem “contou com o ovo no cu da galinha” foi a esquerda demonstrando total incapacidade para perceber a realidade e fazer previsões.
Agora que o governo Santana é um facto incontornável o que se vê é uma total incapacidade para marcar o estilo e o ritmo da oposição.
O Santana vai lançando uns “ossos” para a esquerda roer e é ele quem comanda o jogo. Ele foi a “descentralização dos ministérios”, o tamanho do governo, a pasta da Teresa “não sei quantos”, o abaixamento dos impostos, etc.
Deixaram-se apanhar numa ratoeira como o caso dos impostos mostra: O Santana nem precisa de baixar os impostos basta-lhe dizer que o quer fazer e a seguir vem a esquerda dizer que não pode.
Até ao fim do mandato podemos assistir à cena kafkiana de um Santana a “querer” dar brindes ao povo e a esquerda a gritar que não pode pois é eleitoralismo.
Sempre estou para ver os resultados eleitorais depois disso, mas não venham depois dizer que também é culpa do Sampaio.
3. Como sempre quando faltam os argumentos entra em acção o “interesse do povo” que é obviamente propriedade exclusiva de quem o invoca.
Infelizmente “o povo” de que se fala é cada vez mais uma colecção de interesses de grupo, variável conforme o estatuto profissional de quem o invoca.
Convém não esquecer que a maioria de direita que nos governa não está no parlamento por obra e graça do espírito santo, foi lá posta pela maioria dos votos dos portugueses, ou seja do povo.
Esses portugueses parecem ter um entendimento diferente do JNF sobre os interesses do povo. Só espero que o JNF em vez de os exorcizar, por exemplo dizendo que são de direita, tenha a humildade de querer perceber porque é que votaram na direita e de procurar corrigir o seu discurso por forma a evitar que façam o mesmo da próxima vez.
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