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Subject: Re: Um caso exemplar de simulação


Author:
Manuel Falcão
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Date Posted: 15/07/04 23:01
In reply to: Luís Carvalho 's message, "Re: Um exemplo" on 15/07/04 9:46



Fiquei intrigado com a tua pergunta: “Não chegou a ser discutida a adesão do bloco à coligação entre o PS e o PCP? E não houve divergências sobre quem deveria ceder um lugar ao Bloco?”. Como não estou no “segredo” destas coisas e não tinha memória de tal ter lido nos jornais, fiquei mesmo intrigado.

Falei com amigos, ninguém tinha ideia alguma. Nada. Aproveitei o almoço, fui à Hemeroteca procurar os artigos do Miguel Portas no DN em 2001. Tive sorte. Logo descobri um artigo de 15 de Março de 2001, com o título “Poder e cidadania” de que te vou transcrever algumas partes. Dizia ele:

“Poder e cidadania

Amanhã anunciarei a minha decisão quanto à câmara de Lisboa (...).
Nos últimos meses muitas pessoas insistiram para que me candidatasse. Amigos e amigas que tenho no Bloco de Esquerda e também pessoas anónimas que não conheço (...). E ainda amigos e amigas de outras áreas políticas.

Parte das insistências decorre de uma simples constatação: muitos foram os que se reconheceram na esperança aberta em Lisboa por Jorge Sampaio e entretanto ela consumiu-se.

Essas pessoas não querem caucionar o esgotamento de uma ideia mais que generosa, também não querem o regresso do populismo ao governo da cidade e desejam uma candidatura onde depositem o seu voto com confiança. De consciência tranquila. Não é preciso ser-se do Bloco de Esquerda para se partilhar esta opinião. E ela pesa.

Mas há também os que querem um “salvador de Lisboa” e esperam isso de mim. São pessoas de quotidianos sofridos, sem outra voz para lá da revolta ou do aviltamento. Essas pessoas, ou já não esperam nada da política ou dela querem nada menos nada mais que tudo, ou seja, muito pouco. Acontece que não sou, não quero ser e não serei messias de coisa alguma. Duvido sempre deles, principalmente se são de esquerda. E isto também pesa, porque a fronteira entre esperança e ilusão é muito ténue e não depende apenas de quem espalha a “mensagem”. Depende também de quem a ouve, e o que se ouve raramente é o que se diz. A decisão que amanhã anunciarei obriga-me à sinceridade sobre o modo como estou na política”.

Agora quando estava a transcrever o artigo “ouvia” um tango argentino à medida que ia batendo as teclas...Mas regressando ao artigo:

“Qualquer coisa de profundo está a acontecer neste país depois da tragédia de Castelo de Paiva (...). Alguns analistas já tiraram as consequências mais imediatas: este governo está acabado mesmo que não o saiba. Nenhum outro governo rosa será capaz de evitar a queda livre em que se encontra António Guterres. E só masoquistas dariam a mão a quem não soube merecer. Numa palavra, o país está farto do governo que lhe caiu em sorte. E a necessidade de uma nova legitimação popular das sedes de poder entrou na ordem do dia” (...)

Ainda queres que transcreva mais? São precisos mais comentários? Ou o artigo não é suficientemente explícito?

Repito: “E a necessidade de uma nova legitimação popular DAS SEDES DE PODER entrou na ordem do dia” escreveu Miguel Portas em 15 de Março de 2001, isto é 9 meses antes das autárquicas de 2001!

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Replies:
Subject Author Date
Re: Um caso exemplar de simulaçãoLuís Carvalho17/07/04 1:27


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