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Subject: Justa análise da situação política


Author:
Menezes de Castro
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Date Posted: 16/07/04 21:46
In reply to: Carlos Carvalhas, Secretário-geral do PCP 's message, "A justeza do objectivo colocado pelo PCP" on 16/07/04 17:37

Eis aqui a resposta pronta, correcta e adequada do PCP.
Que sirva de licção a quem aqui anda com (in)confessados intuitos de destruír a única força política revolucionária e consequente em Portugal.


>Comício do PCP em Almada
>
>Intervenção de Carlos Carvalhas, Secretário-geral do
>PCP
>15 de Julho de 2004
>
>A justeza do objectivo colocado pelo PCP
>
>Este nosso comício tem lugar depois de se ter perdido
>uma oportunidade decisiva de interromper uma política
>que levou o país para uma profunda e prolongada
>recessão e ao seu atraso relativo, com o afastamento
>da média Europeia.
>
>Afastamento que se vai prolongar pelo menos durante
>este ano e durante 2005, com a fragilização do
>aparelho produtivo e a dominação crescente do capital
>estrangeiro e que se tem traduzido no aumento do
>desemprego, da precariedade, da pobreza e da redução
>contínua do nível de vida de milhares e milhares de
>famílias.
>
>A crise política podia e devia ter tido outro desfecho.
>
>Mas, para o presente e para o futuro é também de
>interesse lembrar como é que se chegou a este quadro
>de crise que propiciou o ter estado em cima da mesa, a
>dissolução da Assembleia da República e a convocação
>de eleições antecipadas.
>
>Alguns dirão – tivemos esta crise porque houve uma
>situação de abandono do governo do Primeiro-Ministro,
>que jurava a pés juntos que iria cumprir o seu mandato
>e o seu compromisso com os portugueses.
>
>Isto é verdade, mas está longe de ser a explicação
>cabal.
>
>A verdade é que este abandono se verificou depois de
>uma estrondosa derrota eleitoral da coligação de
>direita, a maior derrota eleitoral da direita, depois
>do 25 de Abril, num quadro de um governo desgastado e
>desmascarado e de um grande descontentamento que
>percorre o país.
>
>E como se chegou a esta repulsa generalizada do
>governo? Chegou-se no fundamental com a luta de massas
>e com a interligação entre a luta de massas e a luta
>institucional, com o desmascaramento e isolamento do
>governo em relação à sua política para a qual o PCP
>deu uma contribuição determinante.
>
>É hoje importante sublinhar e recordar que o PCP nunca
>se resignou diante da propalada inevitabilidade da
>coligação de direita prosseguir a sua obra de
>devastação e destruição até 2006.
>
>E é necessário lembrá-lo porque o PCP há cerca de um
>ano, precisamente na Festa do «Avante!», colocou como
>objectivo essencial a criação de condições para se pôr
>fim a este governo e a esta política o mais cedo
>possível e, através da sua intervenção e prática,
>procurou aproveitar todas as ocasiões para combater e
>denunciar a sua política classista, a sua política de
>concentração de riqueza.
>
>E é também de recordar que, no campo das oposições não
>poucos se distanciaram ou criticaram mesmo a posição
>do PCP e, mais recentemente, a fórmula usada pela CDU
>do “cartão vermelho” nas eleições para o Parlamento
>Europeu.
>
>Como se viu três semanas depois de contados os votos
>das eleições para o Parlamento Europeu, o “cartão
>vermelho” esteve à beira de uma indiscutível
>concretização apoiado por todas as forças de oposição.
>
>Sublinhamos isto hoje porque mais uma vez se comprovou
>que vale a pena ter coerência, que vale a pena ser
>persistente, que vale a pena confiar nos objectivos
>justos em que se acredita e que o caminho é agir,
>intervir e lutar e não ficar na postura da resignação,
>da expectativa, do conformismo.
>
>Também agora, apesar desta inaceitável e extremamente
>negativa decisão do Presidente da República, a nossa
>postura em relação à continuação do governo de
>Barroso/Portas, agora com Santana é de prosseguir a
>luta e de tudo continuar a fazer para lhe pôr fim o
>mais depressa possível.
>
>E também na nova situação o determinante e decisivo
>será a luta de massas, conjuntamente com a proposta
>demonstrando que há outros caminhos e outras medidas,
>estas sim ao serviço do povo e do país.
>
>E reafirmamos que a luta de massas e a convergência
>das forças de oposição é decisiva porque houve quem
>logo a seguir à decisão do Presidente da República
>viesse a correr dizer que iria apresentar na
>Assembleia da República uma «moção de rejeição»,
>aconselhando os outros partidos a fazer o mesmo,
>procurando assim “surfar” a teoria criada por Marques
>Mendes e pela direita “de força que lidera a
>oposição”, quando sabia e sabe que, tal como aconteceu
>em 2002 em relação ao governo de Durão Barroso, todos
>os partidos da oposição a apresentariam... A
>necessária convergência na luta contra a direita
>dispensa estes truques.
>
>A moção de rejeição tem um valor simbólico e político,
>mas é uma evidência que não é esta que tirará o sono a
>Santana/Portas e companhia.
>
>O que lhe tirará o sono será a luta de massas, será o
>combate quotidiano ao populismo e à demagogia, será o
>combate sem tréguas à continuação da mesma política
>desgraçada de concentração de riqueza e de regressão
>social.
>
>O que lhe tirará o sono será o confronto com os
>problemas concretos, como o desemprego, as listas de
>espera, as negociatas da GALP e de outras
>privatizações, os problemas dos trabalhadores, dos
>reformados, da saúde e do ensino, da segurança e das
>forças policiais.
>
>A mobilização popular e a unidade na acção de todas as
>forças democráticas é da máxima importância para que
>se derrote a direita e se abram as portas da esperança.
>
>Depois de ter recusado dar ao povo a decisão o
>Presidente da República disse que ia estar vigilante e
>que continuava a dispor do poder de dissolução!
>Veremos no que isto se traduz no concreto. No veto
>legislativo e na intervenção política dissuasiva já
>vimos os resultados. E para já aceitou o Bagão! Quanto
>à dissolução depois de se ter perdido esta ocasião de
>ouro, Santana e Portas não o levam a sério.
>
>O velho governo travestido de novo
>
>O governo de direita e extrema direita agora com
>Santana, governo de continuação do de Durão/Portas,
>vai procurar apresentar-se como se fosse um governo
>novo, como se não tivesse qualquer responsabilidade
>com a política anterior, como se tivesse acabado agora
>de chegar, como se tivesse direito a qualquer
>benefício da dúvida ou crédito de confiança.
>
>Ora é preciso não esquecer que Durão Barroso, para dar
>um ar de que iríamos ter uma nova política, já pensava
>remodelar o governo, desembaraçando-se dos ministros
>mais desgastados.
>
>O que temos agora é a continuação do anterior governo
>com uma remodelação que abarca o Primeiro-Ministro...
>e com o seráfico Ministro Bagão, aquele que os
>trabalhadores chamaram o «Ministro das Seguradoras
>privadas” e o “Ministro do patrão”, o “Ministro do
>código laboral», o Ministro que disse que as mulheres
>que abortaram deviam expiar os seus pecados com
>serviços à comunidade... Não há dúvida que o país está
>bem servido. Os representantes dos grandes interesses
>não deixarão de aplaudir. E o Presidente da República
>terá ficado “sossegado”?!
>
>A desgraçada política vai continuar provavelmente com
>mais demagogia e populismo, com muitas promessas, com
>muita encenação e política espectáculo.
>
>Ainda antes de ser indigitado já Santana Lopes,
>fazendo da Presidência um não existente, falava do
>“meu governo”, do meu “estilo de fazer política” e, em
>poucos dias, deu duas largas entrevistas à RTP e à SIC
>e a primeira ideia que avançou foi a de colocar vários
>ministérios em vários pontos do país... É o estilo
>Parque Mayer no seu melhor. No essencial, tirando o
>foguetório, o cinto continuará a apertar-se para os
>trabalhadores e a alargar-se para os mesmos do costume.
>
>Vai continuar a política de concentração da riqueza,
>das privatizações e das negociatas com os bens
>públicos, procurando deixar-se cair umas migalhas que
>a disfarçam.
>
>Portugal vai continuar atrás da Grécia, a
>distanciar-se da Espanha e da média da União Europeia,
>com a substituição crescente da produção nacional pela
>estrangeira.
>
>Alguém tem ilusões que com o velho novo Ministro das
>Finanças vamos ter mudanças na política de
>privatizações, na política de benefícios fiscais às
>actividades financeiras e especulativas, no
>agravamento dos impostos indirectos, designadamente no
>IVA, no combate à fuga e à evasão fiscal feita no
>essencial às pulgas para deixar passar os elefantes?
>
>Alguém tem ilusões que no governo de Santana haverá
>rectificações ao subsídio de doença, ao código
>laboral, à entrega às seguradoras privadas das partes
>mais rentáveis da segurança social?
>
>Alguém tem ilusões que na saúde continuará a
>estratégia de privatizações do Serviço Nacional de
>Saúde e que os portugueses vão continuar a ser na
>União Europeia os que mais gastam directamente com a
>saúde...
>
>Alguém tem ilusões sobre rectificações nas concepções
>retrógradas, no ensino e na família, ou em relação ao
>aborto?
>
>Alguém tem ilusões que em relação à União Europeia
>continuará o apoio às teses federalistas e a submissão
>ao “Directório” das grandes potências?
>
>Podemos todos ficar descansados e pelos vistos o
>Presidente da República também, que a política de
>concentração de riqueza, de leilão das empresas e do
>património público, de intensificação da exploração
>vai continuar, como na política externa vai continuar
>a política de submissão: aos EUA como se viu na guerra
>do Iraque e às decisões da União Europeia como também
>se viu e verá na aceitação acrítica da dita
>Constituição Europeia e na revisão Constitucional
>feita para fazer prevalecer a “Constituição Europeia”
>sobre a Constituição da República Portuguesa.
>
>As políticas do anterior governo com maior ou menor
>disfarce vão continuar no essencial.
>
>E foi também por isto que, a seguir à decisão do
>Presidente da República, considerámos muito
>negativamente o facto deste, com todas as letras, ter
>vindo invocar a “vantagem e a necessidade da
>continuação das políticas essenciais do actual governo
>quando foram precisamente essas políticas essenciais”
>que tantos prejuízos têm causado ao país e tantas
>agressões têm desencadeado contra a vida dos
>portugueses.
>
>Exigir mais do mesmo com novos e velhos protagonistas
>é uma exigência dos boys e das clientelas do PSD e do
>PP, mas não é seguramente exigência da maioria do povo
>português.
>
>O que o país precisa é de uma nova política que
>relance a produção e o investimento, que defenda e
>valorize a produção nacional, que mobilize os
>trabalhadores, que corrija os principais «aleijões»
>das contra-reformas na saúde, ensino, segurança social
>e na legislação laboral, que dê resposta ao
>desemprego, aos baixos salários e reformas, que
>proceda a uma justa distribuição do Rendimento
>Nacional e que tenha uma postura de intransigente
>defesa da soberania e da independência nacional.
>
>Não podemos continuar a deixar hipotecar o futuro das
>novas gerações e do país.
>
>Os trabalhadores, o povo e o país não precisam de mais
>propaganda e de mais demagogia, nem dos chamados
>“pactos de regime”. O grande pacto de regime é a
>Constituição da República. Os trabalhadores, o povo e
>o país precisam sim é de respostas concretas para os
>seus problemas.
>
>Há que agregar forças, energias e vontades e levar à
>prática uma ampla política de unidade porque vamos ter
>muita luta pela frente. Pela nossa parte com
>convicção, determinação e confiança vamos continuar o
>combate e o que podemos dizer ao povo português é que
>podem contar com este Partido de luta, protesto e de
>proposta, o Partido Comunista Português.
>
>E se não for antes encontrar-nos-emos na Festa do
>«Avante!», festa do povo e dos democratas, festa da
>juventude e dos comunistas, festa que também será de
>luta e de intervenção, festa da luta que continua,
>festa da vontade de conquistar um novo rumo, uma nova
>política e um novo governo para o país.
>
>
>Este nosso comício tem lugar depois de se ter perdido
>uma oportunidade decisiva de interromper uma política
>que levou o país para uma profunda e prolongada
>recessão e ao seu atraso relativo, com o afastamento
>da média Europeia.
>
>Afastamento que se vai prolongar pelo menos durante
>este ano e durante 2005, com a fragilização do
>aparelho produtivo e a dominação crescente do capital
>estrangeiro e que se tem traduzido no aumento do
>desemprego, da precariedade, da pobreza e da redução
>contínua do nível de vida de milhares e milhares de
>famílias.
>
>A crise política podia e devia ter tido outro desfecho.
>
>Mas, para o presente e para o futuro é também de
>interesse lembrar como é que se chegou a este quadro
>de crise que propiciou o ter estado em cima da mesa, a
>dissolução da Assembleia da República e a convocação
>de eleições antecipadas.
>
>Alguns dirão – tivemos esta crise porque houve uma
>situação de abandono do governo do Primeiro-Ministro,
>que jurava a pés juntos que iria cumprir o seu mandato
>e o seu compromisso com os portugueses.
>
>Isto é verdade, mas está longe de ser a explicação
>cabal.
>
>A verdade é que este abandono se verificou depois de
>uma estrondosa derrota eleitoral da coligação de
>direita, a maior derrota eleitoral da direita, depois
>do 25 de Abril, num quadro de um governo desgastado e
>desmascarado e de um grande descontentamento que
>percorre o país.
>
>E como se chegou a esta repulsa generalizada do
>governo? Chegou-se no fundamental com a luta de massas
>e com a interligação entre a luta de massas e a luta
>institucional, com o desmascaramento e isolamento do
>governo em relação à sua política para a qual o PCP
>deu uma contribuição determinante.
>
>É hoje importante sublinhar e recordar que o PCP nunca
>se resignou diante da propalada inevitabilidade da
>coligação de direita prosseguir a sua obra de
>devastação e destruição até 2006.
>
>E é necessário lembrá-lo porque o PCP há cerca de um
>ano, precisamente na Festa do «Avante!», colocou como
>objectivo essencial a criação de condições para se pôr
>fim a este governo e a esta política o mais cedo
>possível e, através da sua intervenção e prática,
>procurou aproveitar todas as ocasiões para combater e
>denunciar a sua política classista, a sua política de
>concentração de riqueza.
>
>E é também de recordar que, no campo das oposições não
>poucos se distanciaram ou criticaram mesmo a posição
>do PCP e, mais recentemente, a fórmula usada pela CDU
>do “cartão vermelho” nas eleições para o Parlamento
>Europeu.
>
>Como se viu três semanas depois de contados os votos
>das eleições para o Parlamento Europeu, o “cartão
>vermelho” esteve à beira de uma indiscutível
>concretização apoiado por todas as forças de oposição.
>
>Sublinhamos isto hoje porque mais uma vez se comprovou
>que vale a pena ter coerência, que vale a pena ser
>persistente, que vale a pena confiar nos objectivos
>justos em que se acredita e que o caminho é agir,
>intervir e lutar e não ficar na postura da resignação,
>da expectativa, do conformismo.
>
>Também agora, apesar desta inaceitável e extremamente
>negativa decisão do Presidente da República, a nossa
>postura em relação à continuação do governo de
>Barroso/Portas, agora com Santana é de prosseguir a
>luta e de tudo continuar a fazer para lhe pôr fim o
>mais depressa possível.
>
>E também na nova situação o determinante e decisivo
>será a luta de massas, conjuntamente com a proposta
>demonstrando que há outros caminhos e outras medidas,
>estas sim ao serviço do povo e do país.
>
>E reafirmamos que a luta de massas e a convergência
>das forças de oposição é decisiva porque houve quem
>logo a seguir à decisão do Presidente da República
>viesse a correr dizer que iria apresentar na
>Assembleia da República uma «moção de rejeição»,
>aconselhando os outros partidos a fazer o mesmo,
>procurando assim “surfar” a teoria criada por Marques
>Mendes e pela direita “de força que lidera a
>oposição”, quando sabia e sabe que, tal como aconteceu
>em 2002 em relação ao governo de Durão Barroso, todos
>os partidos da oposição a apresentariam... A
>necessária convergência na luta contra a direita
>dispensa estes truques.
>
>A moção de rejeição tem um valor simbólico e político,
>mas é uma evidência que não é esta que tirará o sono a
>Santana/Portas e companhia.
>
>O que lhe tirará o sono será a luta de massas, será o
>combate quotidiano ao populismo e à demagogia, será o
>combate sem tréguas à continuação da mesma política
>desgraçada de concentração de riqueza e de regressão
>social.
>
>O que lhe tirará o sono será o confronto com os
>problemas concretos, como o desemprego, as listas de
>espera, as negociatas da GALP e de outras
>privatizações, os problemas dos trabalhadores, dos
>reformados, da saúde e do ensino, da segurança e das
>forças policiais.
>
>A mobilização popular e a unidade na acção de todas as
>forças democráticas é da máxima importância para que
>se derrote a direita e se abram as portas da esperança.
>
>Depois de ter recusado dar ao povo a decisão o
>Presidente da República disse que ia estar vigilante e
>que continuava a dispor do poder de dissolução!
>Veremos no que isto se traduz no concreto. No veto
>legislativo e na intervenção política dissuasiva já
>vimos os resultados. E para já aceitou o Bagão! Quanto
>à dissolução depois de se ter perdido esta ocasião de
>ouro, Santana e Portas não o levam a sério.
>
>O velho governo travestido de novo
>
>O governo de direita e extrema direita agora com
>Santana, governo de continuação do de Durão/Portas,
>vai procurar apresentar-se como se fosse um governo
>novo, como se não tivesse qualquer responsabilidade
>com a política anterior, como se tivesse acabado agora
>de chegar, como se tivesse direito a qualquer
>benefício da dúvida ou crédito de confiança.
>
>Ora é preciso não esquecer que Durão Barroso, para dar
>um ar de que iríamos ter uma nova política, já pensava
>remodelar o governo, desembaraçando-se dos ministros
>mais desgastados.
>
>O que temos agora é a continuação do anterior governo
>com uma remodelação que abarca o Primeiro-Ministro...
>e com o seráfico Ministro Bagão, aquele que os
>trabalhadores chamaram o «Ministro das Seguradoras
>privadas” e o “Ministro do patrão”, o “Ministro do
>código laboral», o Ministro que disse que as mulheres
>que abortaram deviam expiar os seus pecados com
>serviços à comunidade... Não há dúvida que o país está
>bem servido. Os representantes dos grandes interesses
>não deixarão de aplaudir. E o Presidente da República
>terá ficado “sossegado”?!
>
>A desgraçada política vai continuar provavelmente com
>mais demagogia e populismo, com muitas promessas, com
>muita encenação e política espectáculo.
>
>Ainda antes de ser indigitado já Santana Lopes,
>fazendo da Presidência um não existente, falava do
>“meu governo”, do meu “estilo de fazer política” e, em
>poucos dias, deu duas largas entrevistas à RTP e à SIC
>e a primeira ideia que avançou foi a de colocar vários
>ministérios em vários pontos do país... É o estilo
>Parque Mayer no seu melhor. No essencial, tirando o
>foguetório, o cinto continuará a apertar-se para os
>trabalhadores e a alargar-se para os mesmos do costume.
>
>Vai continuar a política de concentração da riqueza,
>das privatizações e das negociatas com os bens
>públicos, procurando deixar-se cair umas migalhas que
>a disfarçam.
>
>Portugal vai continuar atrás da Grécia, a
>distanciar-se da Espanha e da média da União Europeia,
>com a substituição crescente da produção nacional pela
>estrangeira.
>
>Alguém tem ilusões que com o velho novo Ministro das
>Finanças vamos ter mudanças na política de
>privatizações, na política de benefícios fiscais às
>actividades financeiras e especulativas, no
>agravamento dos impostos indirectos, designadamente no
>IVA, no combate à fuga e à evasão fiscal feita no
>essencial às pulgas para deixar passar os elefantes?
>
>Alguém tem ilusões que no governo de Santana haverá
>rectificações ao subsídio de doença, ao código
>laboral, à entrega às seguradoras privadas das partes
>mais rentáveis da segurança social?
>
>Alguém tem ilusões que na saúde continuará a
>estratégia de privatizações do Serviço Nacional de
>Saúde e que os portugueses vão continuar a ser na
>União Europeia os que mais gastam directamente com a
>saúde...
>
>Alguém tem ilusões sobre rectificações nas concepções
>retrógradas, no ensino e na família, ou em relação ao
>aborto?
>
>Alguém tem ilusões que em relação à União Europeia
>continuará o apoio às teses federalistas e a submissão
>ao “Directório” das grandes potências?
>
>Podemos todos ficar descansados e pelos vistos o
>Presidente da República também, que a política de
>concentração de riqueza, de leilão das empresas e do
>património público, de intensificação da exploração
>vai continuar, como na política externa vai continuar
>a política de submissão: aos EUA como se viu na guerra
>do Iraque e às decisões da União Europeia como também
>se viu e verá na aceitação acrítica da dita
>Constituição Europeia e na revisão Constitucional
>feita para fazer prevalecer a “Constituição Europeia”
>sobre a Constituição da República Portuguesa.
>
>As políticas do anterior governo com maior ou menor
>disfarce vão continuar no essencial.
>
>E foi também por isto que, a seguir à decisão do
>Presidente da República, considerámos muito
>negativamente o facto deste, com todas as letras, ter
>vindo invocar a “vantagem e a necessidade da
>continuação das políticas essenciais do actual governo
>quando foram precisamente essas políticas essenciais”
>que tantos prejuízos têm causado ao país e tantas
>agressões têm desencadeado contra a vida dos
>portugueses.
>
>Exigir mais do mesmo com novos e velhos protagonistas
>é uma exigência dos boys e das clientelas do PSD e do
>PP, mas não é seguramente exigência da maioria do povo
>português.
>
>O que o país precisa é de uma nova política que
>relance a produção e o investimento, que defenda e
>valorize a produção nacional, que mobilize os
>trabalhadores, que corrija os principais «aleijões»
>das contra-reformas na saúde, ensino, segurança social
>e na legislação laboral, que dê resposta ao
>desemprego, aos baixos salários e reformas, que
>proceda a uma justa distribuição do Rendimento
>Nacional e que tenha uma postura de intransigente
>defesa da soberania e da independência nacional.
>
>Não podemos continuar a deixar hipotecar o futuro das
>novas gerações e do país.
>
>Os trabalhadores, o povo e o país não precisam de mais
>propaganda e de mais demagogia, nem dos chamados
>“pactos de regime”. O grande pacto de regime é a
>Constituição da República. Os trabalhadores, o povo e
>o país precisam sim é de respostas concretas para os
>seus problemas.
>
>Há que agregar forças, energias e vontades e levar à
>prática uma ampla política de unidade porque vamos ter
>muita luta pela frente. Pela nossa parte com
>convicção, determinação e confiança vamos continuar o
>combate e o que podemos dizer ao povo português é que
>podem contar com este Partido de luta, protesto e de
>proposta, o Partido Comunista Português.
>
>E se não for antes encontrar-nos-emos na Festa do
>«Avante!», festa do povo e dos democratas, festa da
>juventude e dos comunistas, festa que também será de
>luta e de intervenção, festa da luta que continua,
>festa da vontade de conquistar um novo rumo, uma nova
>política e um novo governo para o país.

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