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Date Posted: 00:20:45 04/01/09 Wed
Author: Ana Clara Magalhães de Medeiros
Subject: Lingüística Aplicada: Perspectivas Para uma Pedagogia Crítica

1. Rajagopalan, em seu texto "Lingüística Aplicada: Perspectivas Para uma Pedagogia Crítica", estimula o posicionamento crítico de pedagogos e professores para com seus alunos, de forma que também estes modifiquem suas ações. Essa atitude crítica é lançada pelo autor como uma postura de reflexão e questionamento acerca de tudo o que envolve a comunidade além da sala de aula, indo muito além daquele velho conceito de crítica como transferência de ideologias. No campo específico da Lingüística Aplicada, Rajagopalan nos leva à análise de teorias impostas pela Lingüística ou por outras áreas, para que, com consciência, elas venham ou nao a ser utilizadas.
2. Nas palavras de Rajagopalan, o educador crítico deve ser "um ativista, um militante", ou seja, deve ter a convicção de que é seu dever estimular os pensamentos críticos que possam erradicar a subserviêcia alienada (seja em relação à língua ou aos aspectos socio-políticos instituídos) e promover a capacidade de resistência, para que a partir disso, as mudanças culturais e sociais sejam viáveis. O educador, então, assume a condição de alavanca dessas mudanças.
3. Defender que o educador deve manter sua neutralidade ideológica e política em sala de aula é uma forma de impor uma ideologia, ou seja, ao defender-se a não-veiculação de qualquer opinião, defende-se também que se adote uma postura conservadora no meio acadêmico, a fim de manter inabalável a ordem e a situação instaladas, não dando margem ao questionamento e à reinvindicação, por isso o autor diz que optar pela neutralidade é uma forma de "atitude política".
4. O autor deixa claro que Lingüística e Lingüística Aplicada são, hoje, disciplinas distintas e esclarece que esta nasceu como sub-área daquela. Além disso, mostra que a Lingüística convencional esteve sempre muito alheia a questões práticas e salienta a importância do conhecimento prático, muitas vezes esmagado pelo teórico. Por fim, vê também a Lingüística como uma fornecedora de teorias e bases para a Lingüística Aplicada, mas que, seguindo a proposta de todo o texto, precisam passar por processos de análise ou até reformulação.
5. O autor cria duas frentes para a pedagogia crítica na Lingüistica Aplicada, a "postura crítica" - que é o questionamento, a não-aceitação ou a reformulação de teorias importadas da Lingüística teórica - e a segunda frente, que baseia-se em ensinar aos alunos como se manterem resistentes e decididos a fim de alcançarem o que for melhor para si e para a comunidade.
6. A questão do "imperialismo lingüístico" é preocupante pois, com a globalização, o ensino de línguas tornou-se mais uma forma de manipulação das comunidades aprendizes, pois o que se faz é ensinar uma língua sem esclarecer de forma crítica as características lingüísticas, sociais e culturais de seus falantes. Esse tipo de ensino é que faz surgir a chamada "cultura coca cola" e toda a invasão cultural estrangeira (principalemnte norte-americana) que afeta inúmeros países do planeta. O termo imperialismo é extremamente coerente quando se percebe que atrelados à língua de um povo estão também suas visões políticas e seus modos de agir, que chegam aos pupilos como um ingrato brinde.

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