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Subject: Re: é muito imporovável que dê o meu voto ao PCP


Author:
Observador atento
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Date Posted: 12/12/04 12:14
In reply to: paulo fidalgo 's message, "é muito imporovável que dê o meu voto ao PCP" on 12/12/04 11:04

Porque o Paulo disse “o PCP esta numa linha negativíssima e segundo muitos Jerónimo é eleito para aumentar a linha anti PS. Não porque o PS seja inclinado a direita, mas porque a estratégia do PC é que o PS não cresca para que o PC cresça.”, parto do princípio que o que conhece da linha do PCP é de ouvir dizer. Tomei a liberdade de trazer excertos da intervenção de encerramento do Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa:

“(...) Assumimos uma tese:
Dificuldade não significa impossibilidade!

(...) Aqui afirmámos que o nosso combate imediato e continuado é contra o Governo e a política de direita. Demonstrámos que o executivo PSD-CDS/PP é responsável pela recessão do país e pelo seu aprofundamento e prolongamento, pelo distanciamento mais acentuado da economia portuguesa em relação à media europeia, pelo agravamento da situação social.

(...) Se o Presidente da República sustentou a sua lamentável opção de empossar este Governo com base no critério da estabilidade, ela não existe nem no plano político, nem no plano económico, nem no plano social. (...)

É necessário e é urgente uma outra política e um outro Governo.

E este é o primeiro apelo deste Congresso dirigido a todos os trabalhadores, a todos os que se sentem atingidos e penalizados por esta política, a todas forças democráticas, a todos os cidadãos inquietos e insatisfeitos com o futuro do seu país e da democracia, para que convirjam no objectivo de pôr fim a esta política desastrosa e a este Governo.

Neste Congresso assumimos o compromisso de nos empenharmos, de não regatear nenhum esforço para o êxito desta convergência e desta luta.

E se este é o caminho mais sólido e seguro para alicerçar a construção duma verdadeira alternativa política, importa saber como é que ela se concretiza.

Discutimos e debatemos essa questão crucial, definimos e aprovámos orientações. Considerámos a sua necessidade e da sua possibilidade.

Tratando-se duma alternativa de esquerda a encontrar no plano institucional, há uma primeira questão incontornável.

Há forças democráticas, designadamente o PS, que afirmam que o PCP tem de mudar na sua postura e disponibilidade, nas questões estruturantes em relação à política económica, à definição que fazemos sobre a evolução da União Europeia, nas questões da segurança e de defesa. Ou seja, precisamente em questões onde o PS mais se confunde e acerta o passo com a direita.

O problema é que o PS põe as coisas ao contrário: Uma força política como o PCP, que assume de forma coerente e consequente valores, causas e um projecto de esquerda devia abdicar deles! um partido como o PS que se afirmando de esquerda praticou e pratica uma política de direita manter-se-ia tal como está.

Não dá resposta à contradição fundamental que é a de saber se é possível uma alternativa verdadeiramente de esquerda, mantendo, exercendo e executando uma política de direita.

Afirmámos aqui no Congresso que não renunciamos à convergência, ao diálogo com forças e sectores democráticos em tudo o que servir os interesses dos trabalhadores, do povo e do país. Mas não peçam ao PCP que deixe de ser o que é, que deixe de defender e de lutar por outra política, uma política de esquerda que rompa com o circulo cansativo e desgastado da alternância, uma política de verdade que nem sempre dá votos mas que vincula este partido ao compromisso que tem com os interesses, direitos e aspirações dos trabalhadores e do povo como razão de ser da sua natureza, da sua vida, da sua existência e da sua luta.

Aqui estamos prontos para as batalhas e as tarefas que aí vem.

Estaremos nas batalhas com os trabalhadores tendo em conta a ofensiva que aí está: o desemprego crescente, os bloqueios à contratação colectiva, as novas ameaças que decorrem para os horários de trabalho da aplicação imperativa das normas mais gravosas do Código do Trabalho a partir do próximo dia 1 de Dezembro, os perigos que decorrem para o direito à Segurança Social, à saúde, ao ensino público.

Aqui estamos na primeira linha do combate em defesa dos direitos das mulheres e pela sua participação em igualdade. E daqui reitero o apelo feito às mulheres portuguesas, aprovado no XVII Congresso, para que reforcem a sua unidade e acção organizada em torno de problemas e reivindicações comuns, pelo exercício de direitos económicos, sociais, laborais e políticos; uma luta que afronte e responsabilize a actual maioria PSD-CDS/PP e contribua para a luta pela construção de uma alternativa à política de direita, condição necessária ao êxito da sua justa aspiração de igualdade.

Aqui estamos prontos para desmistificar o ensaio que está a ser feito em torno do referendo sobre o denominado Tratado Constitucional da União Europeia, a travar a batalha do esclarecimento, sobre o que visa: dar um passo mais adiante na nossa perda de soberania e dar cobertura à política militarista e neoliberal que marca hoje a evolução da União Europeia. (...)

Daqui lançamos um desafio para que haja uma ruptura com a política de direita que dura há décadas, que rompa com o neoliberalismo e a concentração da riqueza, que valorize o nosso aparelho produtivo e uma produção de maior e mais rico valor acrescentado, a centralidade e a valorização do trabalho dos portugueses como elemento intrínseco da economia, o combate aos três grandes défices (tecnológico, energético, alimentar), a defesa da nossa soberania e o interesse nacional.

O que deste Congresso se expressou com mais força e sentido foi a afirmação confiante de que o povo e o país não estão condenados por qualquer fatalidade ou má sorte, que é possível outra política e um futuro melhor.

Reafirmámos o nosso carácter patriótico e internacionalista. Se valorizamos e priorizamos a nossa acção e a nossa luta no plano nacional não é porque nos acantonemos e não entendamos a necessidade cada vez mais premente de dar respostas mais globais ao processo de globalização capitalista.

Os nosso êxitos, a nossa luta, as nossas experiências aqui no nosso país são a melhor contribuição para o desenvolvimento da solidariedade, cooperação internacionalista, a nossa melhor contribuição para fazer frente à ofensiva imperialista.

Nós acompanhamos e empenhamo-nos no vasto movimento antiglobalização capitalista na luta contra o neoliberalismo e a guerra, respeitando e estimulando a sua diversidade. Mas julgamos que a existência e participação de Partidos Comunistas, de Partidos de classe, nesse vasto movimento não é só um bem para estes partidos mas um bem para a esquerda e para as forças progressistas que o integram, na medida em que consideramos que a questão da luta de classes continua a ser a grande questão da nossa época contemporânea.(...)

Temos orientações, assumimos deliberações, elegemos a Direcção, afirmámos um Partido de proposta, de luta e de projecto. Temos ideias para o futuro.

Confiamos que muitos e muitos portugueses compreenderão que este não foi um Congresso invadido por qualquer sentimento de forte isolado e cercado mas de um PCP que sabe, pela sua história, pela sua vida e pela sua luta, que enquanto estiver ancorado nos interesses, direitos e anseios dos trabalhadores e do povo português nunca se sentirá cercado. Um PCP constituído por mulheres e homens livres, voluntariamente associado em torno de um grande e honroso projecto de liberdade, democracia e socialismo, que numa atitude de grandeza cívica e consciência política, sem nenhuma perda da sua individualidade, também de forma livre decidiram forjar uma grande obra colectiva que dá força e eficácia aos valores e ideais em que acreditam.

Com aquela confiança e convicção de que continuamos com mais projecto que memória, aos comunistas portugueses vai ser exigida coragem política, coragem ideológica, coragem moral e se necessário coragem física para continuar, para encetar o caminho duma democracia avançada e do socialismo.(...)”

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Re: é muito imporovável que dê o meu voto ao PCPObservador atento12/12/04 12:15


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