| Subject: Re: o (não) compromisso com os 9 |
Author:
Ângelo Novo
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Date Posted: 14/12/04 10:12
In reply to:
Observador atento
's message, "Re: o (não) compromisso com os 9" on 14/12/04 1:28
>A citação que aqui pus ajuda a "situar" as questões.
>Ajuda a perceber que o que estava em causa era...a
>Constituição da República Portuguesa, que apesar do 25
>de Novembro se conseguiu pela acção conjunta do PCP e
>do Grupo dos 9 levar a bom porto...
Não me custa muito a acreditar que Cunhal pensava que, com o acordo com os 9, salvava o "essencial".
E, como é óbvio, aquilo é tudo uma rapaziada porreira, o Melo Antunes, o Lourenço, o Pezarat, etc.. Gente honesta e progressista. Tudo bem. E o que é mais, cumpriram fielmente a sua parte. O que quer dizer que não só foram de palavra como os tiveram no sítio. E conseguiram assegurar as condições para prevelecer claramente no terreno no meio daquela confusão.
É que o PCP entregou-se de mãos atadas a eles. Se confiou, fez bem porque eles cumpriram. Mas nem sei se se assegurou bem que eles tinham efectivamente condições para cumprir.
Então se tudo aconteceu como Cunhal diz, por entendimentos implícitos e linguagem corporal cifrada, o que há a dizer é que foi de uma grande e gravíssima irresponsabilidade.
Mas a questão central é:
Compromissos pode haver muitos. Mas o PODER, é só um. Ou é nosso, ou é deles.
Quem leu Lenine tem a obrigação de saber isto. E o Álvaro até chegou a escrever qualquer coisa sobre 'A questão do poder, questão central ta-ra-ta-ta'. Não é preciso ser muito inteligente. Basta ter a coragem suficiente para ver com clareza.
Até Fidel Castro (que é um "autor" que eu não costumo citar muito) costuma dizer: "o poder, se o tem o povo, então tem-no todo". A partir daí fará os compromissos que entender. Se o cede, fica reduzido a mendigar.
Com este "acordo" ganhamos uma linda Constituição, mas para encaixilhar. É um registo fóssil da revolução de Abril. A partir daí foi o que se viu e não podia deixar de ser assim. Só podia ser assim. Se Cunhal pensava que podia ser de outra maneira, então não é marxista e muito menos leninista.
Por isso é que eu disse que este acordo foi uma rendição (isto supondo que o PCP alguma vez esteve de corpo inteiro com a revolução).
Ângelo Novo
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