Se acontecer esse acordo poderá ser interessante e positivo para a democracia e para o socialismo.
Mas, como todos os passos, contém riscos e neste caso o risco é perceber exactamente qual será a plataforma ou medidas que substanciarão esse possível, remoto e incerto, acordo. A discussão que o PCP deveria ter tido há anos a esta parte deveria ter sido a discussão sobre a dita plataforma. Ela deveria inclusivamente ser o o factor chave de mobilização e de campanha eleitoral.
Ora, tudo faz pensar num discurso de campanha do PCP baseado no anti-PS e não na reclamação da dita plataforma. Mas ainda se está a tempo de arrepiar caminho.
Acho que pode ser tarde mas melhor seria tarde do que nunca.
É claro que a base militante do PCP esquerdizada pelo primarismo da direcção vai esfregar os olhos atónita com uma tal inflexão. Mas mesmo assim seria, ou poderia ser, bom
Como interpretar que uma plataforma de governo fosse uma preocupação táctica major do PCP e o congresso sobre ela não dissesse ou analizasse nada? Seria no mínimo fazer do Congresso tudo menos o órgão máximo!
É óbvio que o congresso esteve noutro comprimento de onda: malhar no PS, nos que querem que em Portugal se forme um governo com uma orientação de esquerda e gerar a base para uma imunização anti-veleidades de governo.
Até porque isso seria entrar em coisas difíceis como orçamento, política económica, orientação da acção popular em articulação com a acção governativa. Isso é contrário ao actual conforto de reclamação popular sem cuidar de formar construtivamente as condições para essas reclamações poderem ser satisfeitas...
O que aliás prova que se pratica sobretudo um eleitoralismo ou populismo de esquerda, o inverso do que é o marxismo
Mas continuemos a discutir!
Pergunto, se a perspectiva é tão assim possível como o Medeiros Ferreira - admissão de resto bem realista de que o Sócrates dificilmente chegará à maioria absoluta - a coloca, qual será em concreto a orientação do PCp?