Author:
Jorge Nascimento Fernandes
|
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 12/11/04 15:33
In reply to:
Fernando Penim Redondo
's message, "Crítica e Aternativa às Teses Propostas ao 17º Congresso do PCP" on 12/11/04 9:07
Ontem, com alguma alegria, li o texto do Fernando sobre a análise das classes nas Teses do PCP e gostei do que vi, apesar de ter dito que havia algumas coisas que não percebia e atribuí isso ao meu horror pelos números. Hoje, depois de uma leitura mais atenta, e depois de me obrigar a fazer algumas contas, algumas questões se me põem. Para já elas referem-se exclusivamente ao capítulo 2, porque em relação aos outros muita coisa tenho para dizer, mas isso fica para depois.
Primeiro, o Fernando para justificar a sua tese, de que o assalariamento está a decair, faz algumas contas que eu me vi obrigado a analisar. Assim, compara o aumento do trabalho assalariado entre o sector privado e o sector público e verifica que no primeiro houve um crescimento de 16,8 % e no segundo de 40,5 %. É evidente que neste caso está a comparar universos de grandezas francamente diferentes, porque o primeiro tem entre 2,5 a 3 milhões de trabalhadores e o segundo entre 500 e 700 mil, ou seja um aumento significativo no primeiro seria mais difícil, do que no segundo. Basta fazer esta comparação se uma empresa tivesse só um trabalhadores e aumentasse para 2 teria um aumento de 100 %, se outra de dez admitisse o mesmo trabalhador teria um aumento de 10 %. Mas deixando esta análise matemática, posso até admitir, por razões do desenvolvimento do capitalismo, que seja hoje mais difícil haver uma aumento do assalariamento no sector privado.
Segundo, se compararmos, de acordo com os dados do Fernando, o crescimento da população assalariada com o crescimento da população activa entre 1991 e 2001 verifica-se que, em percentagem, o aumento daquela, mesmo no sector privado (16,8 %), é maior do que esta (13,47 %). Ou seja, o assalariamento cresceu mais do que a população activa. Mas isto também se verifica em números absolutos. Enquanto que a população activa cresceu na sua totalidade 592 517 habitantes a população assalariada no seu conjunto cresceu 649 754 (é evidente que estamos aqui a considerar a população assalariada no seu conjunto, público e privado). Neste caso a população assalariada teve que ir buscar efectivos à população inactiva existente.
A conclusão a tirar seria de que eu não seria tão peremptório em afirmar que “as empresas capitalistas estão a ter muitas dificuldades ou retraimento na criação de empregos assalariados”.
Tal como afirmei na minha última intervenção parece-me que o dado mais interessante do Fernando, e que é de facto escamoteado nas Teses é o número de inactivos, sejam eles de domésticas, de estudantes ou de pensionistas e reformados. Esse é sem dúvida um aspecto a considerar.
Outro de igual valor é a distribuição da população activa e do assalariamento pelas diferentes categorias profissionais e a tentativa de incluir os serviços no proletariado.
Ou seja, o problema não está, como o Fernando deseja, que o assalariamento esteja a desaparecer, o problema está na diversificação cada vez maior dos diferentes estratos sociais e na dificuldade que é, ao contrário do que pensavam os marxistas, de haver um operariado homogéneo e apresentando objectivos comuns.
Quanto aos capítulos 1 e 3 ficam para outra altura.
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
|