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Subject: Agora é que vão ser elas!


Author:
revolucionário de sofá
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Date Posted: 28/11/04 20:41
In reply to: José Manuel Faria 's message, "Vamos Ignorar o PCP" on 27/11/04 9:08

Bem, malta, acabou o congresso do nosso glorioso, e, por isso, cá estou, pronto para vos desancar, sua cabranagem. Mais descansado, quanto a umas coisas, mas cansado do canastro, mas acima de tudo com as dúvidas todas remetidas para um canto. Por isso, estou finório para vos dar na corneta, seus ramelosos da RC! E estou tão contente que até vou moderar a linguagem, seus finórios!

Com muito trabalho a montar e a desmontar aquela tralha toda (sim, não julguem que a Câmara da Maria Emília nos deu alguma coisa ou pôs lá alguém a trabalhar ou a apoiar, aquilo saiu-nos tudo do coirão, e até as garrafas de água tivemos de comprar, que a gente não funciona como nos partidos burgueses), mas no fim acabou tudo nos conformes, tal como tinha começado e, melhor ainda, tal como tinha sido previsto ou, antes, tal como tinha sido previamente delineado e programado, que a malta não gosta nem está para encaixar imprevistos de última hora, e é por isso que é tudo discutido com antecedência (bem, tudo é como quem diz, tudo o que a malta da direcção quer) e o congresso acaba por ser um ritual de consagração público. E, agora, aqui para a gente, digam lá que não esteve tudo nos trinques?

Também, com tanto delegado, vocês já viram o que era vir-se para ali discutir a sério propostas de resolução e listas alternativas? Nem uma semana, se calhar, chegava! Além disso, já imaginaram o estardalhaço que era, ainda para mais com as televisões a levarem as discussões, as divergências e as contradições internas até à casa de cada um? Não pode ser! É por isso que a gente tem o centralismo democrático e não se desfaz dele! Mesmo que o Domingos Abrantes diga que o centralismo democrático é a minoria a submeter-se às decisões da maioria, isto é para inglês ver, porque a malta sabe muito bem que é muito mais do que isso. A gente é que não lhe chama o nome correcto – centralismo autocrático, ou, melhor, centralismo oligárquico, já que quem põe e dispõe é a direcção central, que é uma espécie de oligarquia – porque, então, ainda éramos menos compreendidos e via-se logo que estávamos a violar princípios básicos da liberdade de discussão e da igualdade de oportunidades para todos se expressarem. Assim, consagramos os velhos princípios leninistas do tempo da clandestinidade, em que era necessário ter um núcleo dirigente suficientemente coeso para dirigir a organização dispersa e hermética do partido, único modo de preservá-lo da destruição pelas investidas da polícia, e nem mesmo admitimos os princípios limitativos restabelecidos durante o comunismo de guerra, em que era necessário preservar a unidade do partido a todo o custo e foram proibidas as fracções, embora fosse mantida a liberdade de cada um se dirigir ao partido com propostas alternativas durante o congresso.

Com o nosso método, em que só se discute o que a malta da direcção aprova e segunda as regras aprovadas por ela, garantimos a fidelidade aos princípios e à linha dominante, evitamos perdas de tempo desnecessárias com discussões intermináveis e garantimos o direito de cada um manter as suas opiniões. Nem nos damos ao trabalho de expulsar ninguém por delito de opinião, basta-nos que as opiniões discordantes nunca se possam vir a transformar em opiniões dominantes. Depois, como quem discorda passa a ser visto com outros olhos e a gente fica sempre com uma pulga atrás da orelha em relação a eles, o clima de confiança e de fraternidade vai-se degradando, um ou outro mais abrutalhado passa a fazer uns comentários de corredor ou a mandar umas bocas, e o pessoal que tem ideias próprias e um pouco de dignidade começa a sentir-se mal e acaba por se demitir (porque até aqui ainda ninguém teve a capacidade e a coragem, já que é necessária a sua conjugação, para apresentar propostas alternativas para um congresso, que é a altura própria, visto nos intervalos a minoria ter de submeter-se à maioria); ou, então, amocham e perdem as veleidades, para não perderem os lugarzinhos, que é o que tem acontecido na maioria dos casos. Em último caso, o Álvaro salta em cima deles, nas reuniões do cc, se ainda lá puder ir, ou numas quantas intervenções públicas para que é “convidado”, e aquela malta enfia a viola no saco. Se chateiam muito, é só esperar que metam o pé na argola em questões de disciplina, o que até nem é nada difícil, porque aquela malta está desejosa de explicar aquilo que pensa e de encontrar quem o compreenda, para além de ter necessidade de desabafar e de desanuviar, e corre-se com eles em três tempos (nota de culpa, resposta pró-forma e decisão previamente tomada). É trigo limpo, Farinha Amparo, nunca falha!

Bem, deixemos as justificações que não precisam de ser justificadas e passemos aos finalmentes. Enh! Que é que acharam do novo look, da nova imagem de marca? O Jerónimo, a nossa grande esperança, ali, todo muito bem aperaltado, de fato e gravata, destacando-se da malta toda e já com a pose de grande estadista, antecipando o futuro promissor que tem pela frente, esteve maravilhosamente bem! Eh! pá, estava porreiraço! Tem de arranjar outros óculos, talvez de aros fininhos e de lentes progressivas, para não estar com aquelas cangalhas de meias lentes a meio pau no nariz. Daqui por uns anos já poderá usar meias lentes, mas agora ainda não, que é muito novo. Ah! e tem de deixar de fumar, para não perder o fôlego. E tem de deixar os copos, porque estraga a voz e embota o pensar. E tem de passar a comer menos pão, carne e enchidos, para não ganhar barriga e não perder o ar jovial e atlético. E tem de melhorar as técnicas de dança (porque é um bocado pé de chumbo e desconchavado de ombros quando se meneia, embora a malta não lhe diga). E tem de mudar para uma placa fixa, que o ar sibila um pouco naquela (mas, também, não há-de ser nada que uma prótese de meia dúzia de dentes aparafusados não resolva e que um bom metalúrgico não preze de ter em si). Bem, mas isto são tudo pequenas coisas que a malta do marketing do partido corrige em dois tempos (e é apenas para isso que estou a referi-lo aqui). Como não é sisudo, sabe sorrir e até se dá à paródia, a forte consciência de classe vai de certeza contrabalançar qualquer pequena (pequeníssima, digo, até, desprezável, pelo que já se viu) limitação a nível intelectual, e, sendo assim, além de poder vir a parecer-se com o nosso Álvaro é neste momento o homem certo no lugar certo!

O gago ainda quis dar um ar da sua graça, no discurso inaugural, a ver se se justificava, mas a gente não lhe deu rédea; aquilo foi tudo escrito antes, passado a pente fino, e o gajo não se atreveu a meter qualquer colherada de improviso. Também, não tinha grande coisa para dizer de novo que a gente não soubesse já, e como bom pau mandado que sempre foi, limitou-se a ler o que lhe deixaram do que escreveu. Nas teses, ainda quis pôr uns pozinhos, mas a malta aí jogou pelo seguro e não lhe deu chances. Mas, além do mais, o gago também não tem tomates, aliás, nunca os teve, e muito menos ali, sujeito a levar uma monumental vaia à despedida. Houve quem dissesse que o gago era um fraco, que não soube pôr os “fraccionistas” na ordem, isto é, na linha do Novo Impulso, mas não é nada disso. O gago é um ultra-leve, um tipo sem densidade, sem capacidade e sem vontade própria, e portanto estava sempre ao de cima. Quando se ia afundando um pouco, dando uma no cravo, outra na ferradura, o Álvaro jogou-lhe uma fiada e o gajo, como delfim obediente, deixou-se logo de afinidades com Joões Amarais, Ruis Sás, Edgares e quejandos de triste memória. Compreendeu logo que amizades não quadram com fidelidade ao marxismo-leninismo e ao comunismo, e que no partido a única lealdade permitida é para com a sua história e para quem a personifica, neste caso, o nosso Álvaro, primeiro, e os outros dinossáurios ainda vivos que ainda por lá se arrastam.

E, depois, vamos lá ver, o que é que querem? Bem, esta matéria fica para amanhã, que eu preciso de descansar.

Viva o glorioso!
Cem vezes viva, que isto agora está tudo esclarecido e como deve ser!
A vitória é mais do que certa, está garantida!

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Replies:
Subject Author Date
A vitória é difícil...mas é nossa!João Laveiras28/11/04 21:39


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