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Date Posted: 3/12/04 13:47
No meio da balbúrdia desta semana, vi uma coisa que nunca julguei ver. Vi (e ouvi) o presidente da CIP, Francisco Vanzeller, chamar ao presidente do PSD, Santana Lopes, "volátil, inseguro" e, sobretudo, infiável.
Não que isso fosse absolutamente inesperado. Já corria que a decisão de Sampaio fora influenciada por gente "determinante" nos "negócios, para não falar num extraordinário número do "Jornal de Economia". Pior ainda: de João Salgueiro a Ferraz da Costa não notei a mais leve tristeza ou preocupação com a desamparada queda de Santana.
Só que Francisco Vanzeller, com a sua paciência e a sua calma, fechou o caso. E o caso é este: aquilo que dantes se descrevia com a palavra "capital" e hoje com a palavra "interesses", ou com qualquer outro eufemismo "respeitável", desistiu da direita em geral e do PSD em particular para promover os seus propósitos políticos. Digamos que o Dinheiro (com maiúscula), o dinheiro "sério", se convenceu de uma vez para sempre que não ia a parte alguma com um bando de miúdos de irresponsabilidade comprovada e de uma evidente insensatez. Barroso fugiu, Santana aluiu e o resto vale pouco ou nada.
Sucede que, para sair da estagnação e da miséria, Portugal precisa o mesmo do que precisa a "Europa" inteira: das reformas da sra. Thatcher. Do que Schroeder tenta fazer na Alemanha, do que Berlusconi tenta fazer em Itália, do que (em parte) Aznar e até o PSOE fizeram em Espanha e do que Sarkosy promete para França. O "modelo europeu" acabou e o défice, que se generaliza, não passa de um sintoma.
Ora a Direita portuguesa (o PSD e o PP) mostrou a sua absoluta incapacidade para pensar e conduzir, com um módico de método e um mínimo de conflito, a reorganização do Estado e da economia. Os "negócios" podem não ter ainda uma solução política para os seus sarilhos, mas sabem agora que ela não é o PP e o PSD. Talvez seja Cavaco, talvez seja Sócrates, não seja Cavaco e Sócrates.
Não será com certeza a Direita que por aí anda, que provou cabalmente a sua esterilidade e fraqueza. O despedimento de Santana não foi um incidente de percurso. Foi o fim de uma história e o anúncio de um terramoto no regime. Não vamos voltar à "normalidade".
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