| Subject: Re: Vítor DIAS e O REFORÇO DO PCP |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 29/11/04 12:23
In reply to:
Júlio Terenas
's message, "Vítor Dias fora da Comissão Política" on 29/11/04 0:27
Dando de barato a chusma de provocações e a exibição da mais ignóbil e rasteira estatura moral e intelectual de alguns visitantes deste site , não poderiamos deixar de nos regozijar com o novo momento que se oferece à esquerda.
É bom que o PCP veja reforçada a sua identidade e mergulhe nas suas origens históricas ,sem complexos de obreirismo , com uma liderança forte e consequente ,capaz de manter,coesionar , alargar e congregar a militância ,quantas vezes desistente e amorfa por uma direcção fragilizada.
Embora ,ao menos teóricamente , não seja de atribuir poderes especiais à liderança ,o colectivo partidário sai reforçado com Jerónimo de Sousa.
Vitor Dias e Domingos Abrantes continuam no Comité Central òrgão directivo por excelência ,o órgão mais importante entre congressos ,OK.
esquerda>Pois é, o Vítor Dias também não entrou na nova
>Comissão Política do PCP.
>Aguardo que alguma rapaziada abra uma garrafa de
>champanhe gritando «uf! um ortodoxo a menos».
>E com o ABRANTES JÁ VÃO DOIS QUE TANTAS VEZES AQUI
>FORAM ENXOVALHADOS.
>Talvez aconteça que algum venha a dizer que o Vítor
>Dias foi castigado por causa deste artigo (delicioso)
>que publicou no dia da abertura do Congresso.
>
>
>Pronto, confessamos !
>Vítor Dias no "Semanário"
>26 de Novembro de 2004
>
>No exacto dia da abertura dos trabalhos do 17º
>Congresso do PCP, somos forçados a fazer um
>impressionante conjunto de confissões que arrasam
>compromissos e convicções de grande parte da nossa
>vida.
>
>Sim, confessamos que o PCP não tem a mais pequena
>ideia ou proposta interessante para apresentar ao país
>ou o mais pequeno papel a representar na vida política
>portuguesa, a ninguém sendo lícito perder tempo a
>interrogar-se porque é que, assim sendo, tantos
>comentadores e pessoas de outros quadrantes políticos
>sempre tão hostis ao PCP, à vez e não todos sobre
>tudo, exprimem posições praticamente idênticas às
>defendidas pelo PCP sobre um vasto conjunto de
>problemas e questões.
>
>Sim, confessamos que o PCP é “um deserto de valores” e
>um território político de onde, por oitava praga do
>Egipto, se sumiu todo o brilho, talento, sentido de
>humor, competência e inteligência.
>
>Sim, confessamos mais em concreto que o PCP, como
>alguns agora inteligentemente redescobriram, não tem
>intelectuais e que são meros pseudónimos ou invenções
>do departamento de propaganda do PCP todos os nomes de
>destacados e qualificados intelectuais que são
>apresentados ou se assumem como membros do PCP ou que
>às centenas figuram habitualmente nas listas de apoio
>à CDU.
>
>Sim, confessamos que os comunistas estão “velhos” e
>que isso é uma consequência natural desse justíssimo
>sistema em que, por cada ano que passa, os comunistas
>passam a ter mais um ano de idade, coisa que só a eles
>acontece e a que merecidamente escapam comentadores,
>jornalistas e membros de outros partidos.
>
>Sim, confessamos o grave e irreversível “declínio”
>eleitoral do PCP e a exclusiva responsabilidade que
>nele têm as orientações “obsoletas” e a empedernida
>resistência dos comunistas a gloriosas “mudanças”, com
>isto confessando também que não partilhamos da ideia
>“crispada”, “fechada” e “sectária” de que muitos dos
>que nos “media” flagelam o PCP por maus resultados
>eleitorais seriam bem mais sérios se, pura e
>simplesmente. dissessem : “Conseguimos! Bem fizémos
>por isso”.
>
>Sim, com respeito por todas as opiniões, confessamos
>entretanto que é um escândalo de bradar aos céus que
>um ex-operário possa porventura ser eleito
>Secretário-geral do PCP, não vindo agora ao caso
>lembrar quantos se deslumbraram e babaram com a
>chegada de Lech Walesa à Presidência da República da
>Polónia nos anos 90 ou com a eleição de Lula da Silva
>como Presidente do Brasil em 2002.
>
>Sim, confessamos que é uma imperdoável perversidade
>antidemocrática que no PCP se façam auscultações ou
>consultas alargadas sobre nomes em vez de assumir uma
>escolha arbitrária e iluminada, se fale em
>“inclinação” em vez de decisão ou eleição (que, por
>acaso, só outro órgão ainda a eleger pode fazer) e se
>fale em preparação de propostas quando, como toda a
>gente sabe, no PSD, no PS, no CDS-PP e no BE, elas
>sempre aparecem por geração espontânea ou por recado,
>via e-mail ou SMS, do Espírito Santo (não é o banco).
>
>Sim, confessamos que é uma horrorosa prática
>antidemocrática que no PCP, ao longo de dois meses, se
>realizem cerca de mil reuniões de militantes para
>discutir documentos, teses e propostas políticas e se
>divulgue a lista proposta para o seu Comité Central
>antes de o Congresso começar, sendo necessário
>reconhecer que fazem bem todos os jornalistas e
>comentadores que, pelos vistos, consideram como
>irrepreensíveis práticas de outros partidos como a de
>divulgar as moções para Congresso apenas quatro dias
>antes da sua realização ( o que significa que a
>esmagadora maioria dos delegados entra para o
>Congresso sem as ter lido) ou a de afixar listas
>apenas ao início da manhã da própria votação.
>
>Sim, confessamos que os rótulos e etiquetas
>persistentemente aplicados a comunistas (e a
>ex-comunistas) são uma incomparável manifestação de
>seriedade, espírito crítico e profundidade e que,
>razoavelmente e de todos os pontos de vista, nada se
>pode objectar ao decreto mediático que, “per secula
>seculorum” e salvo o parágrafo seguinte, procedeu à
>rígida e quase imutável identificação dos “ortodoxos”
>e “renovadores”, dos monstros e dos belos, dos
>demónios e dos anjos, dos cinzentos e dos cintilantes.
>
>Sim, confessamos o nosso rendido acordo à ideia
>longamente concretizada de que, salvo excepções que se
>contam pelos dedos de uma mão, comunistas bons ou com
>valor só aquele nosso primo ou o “gajo porreiro” que
>conhecemos da nossa rua ou empresa, só quem tenha
>entrado em conflito público com o PCP, só quem tenha
>deixado de ser comunista ou só quem já tenha morrido.
>
>Todas estas confissões de um dirigente do PCP, embora
>quase ignoto e irrelevante, têm, como seria de
>esperar, uma volta na ponta e visam propor um negócio
>ou um acordo sem o qual ficam sem valor ou falhas de
>sinceridade. E que consiste em, como justa
>contrapartida, jornalistas, comentadores e
>responsáveis de outros partidos se absterem durante
>três meses de, cansativa e desnecessariamente,
>repetirem, a seu modo, a substância essencial destas
>confissões e antes se dedicando a outro tipo de
>análises. Porventura igualmente críticas, como é seu
>direito, mas menos ligeiras e mais informadas, menos
>preguiçosas e mais exigentes, menos cansadas e mais
>inovadoras.
>
>E assim permitirem que, por via desta espécie de
>trégua negociada, os portugueses possam ajuizar pela
>sua própria cabeça dos méritos e deméritos e dos
>defeitos e qualidades do PCP, livres, por três meses,
>do turvo maremoto de preconceitos, falsificações,
>esquematismos, dogmatismos e ódios mal disfarçados que
>hoje, como ontem e anteontem, procuram cercar o PCP e
>impedir o seu reforço de influência que tantos, com
>inexcedível cinismo e desvelo tão comovente quanto
>suspeito, proclamam desejar ardentemente.
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