| Subject: Apre, já estava mesmo preocupado |
Author:
João Laveiras
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Date Posted: 29/11/04 12:31
In reply to:
Luis Blanch
's message, "Re: Vítor DIAS e O REFORÇO DO PCP" on 29/11/04 12:23
Agora já me sinto melhor. Afinal aqueles dois camaradas ainda integram o CC. Caramba, podia ser pior. Imaginem que lhes acontecia o mesmo que ao José Soeiro, outro grande operário?
Claro que me regozijo com os resultados deste histórico congresso do PCP, Blanch. Ver tanta unicidade, tanta coesão até me dá forças acrescidas. Pena é que não tenham conseguido evitar a presença de mais de 60 inimigos internos, que tiveram a ousadia de votar contra ou de se abster. Para não falar daquele infiltrado do Lopes Guerreiro. Mas no XVIII nada disso acontecerá, estou certo.
>Dando de barato a chusma de provocações e a
>exibição da mais ignóbil e rasteira estatura
>moral e intelectual de alguns visitantes deste
>site , não poderiamos deixar de nos regozijar
>com o novo momento que se oferece à esquerda.
>
>É bom que o PCP veja reforçada a sua
>identidade e mergulhe nas suas origens
>históricas ,sem complexos de obreirismo , com uma
>liderança forte e consequente ,capaz de
>manter,coesionar , alargar e congregar a
>militância ,quantas vezes desistente e amorfa
>por uma direcção fragilizada.
>
>Embora ,ao menos teóricamente , não seja de
>atribuir poderes especiais à liderança ,o
>colectivo partidário sai reforçado com Jerónimo
>de Sousa.
>Vitor Dias e Domingos Abrantes continuam no Comité
> Central òrgão directivo por excelência ,o órgão
>mais importante entre congressos ,OK.
>
>
>
>
>
>
>
>
> esquerda>Pois é, o Vítor Dias também não entrou na
>nova
>>Comissão Política do PCP.
>>Aguardo que alguma rapaziada abra uma garrafa de
>>champanhe gritando «uf! um ortodoxo a menos».
>>E com o ABRANTES JÁ VÃO DOIS QUE TANTAS VEZES AQUI
>>FORAM ENXOVALHADOS.
>>Talvez aconteça que algum venha a dizer que o Vítor
>>Dias foi castigado por causa deste artigo (delicioso)
>>que publicou no dia da abertura do Congresso.
>>
>>
>>Pronto, confessamos !
>>Vítor Dias no "Semanário"
>>26 de Novembro de 2004
>>
>>No exacto dia da abertura dos trabalhos do 17º
>>Congresso do PCP, somos forçados a fazer um
>>impressionante conjunto de confissões que arrasam
>>compromissos e convicções de grande parte da nossa
>>vida.
>>
>>Sim, confessamos que o PCP não tem a mais pequena
>>ideia ou proposta interessante para apresentar ao país
>>ou o mais pequeno papel a representar na vida política
>>portuguesa, a ninguém sendo lícito perder tempo a
>>interrogar-se porque é que, assim sendo, tantos
>>comentadores e pessoas de outros quadrantes políticos
>>sempre tão hostis ao PCP, à vez e não todos sobre
>>tudo, exprimem posições praticamente idênticas às
>>defendidas pelo PCP sobre um vasto conjunto de
>>problemas e questões.
>>
>>Sim, confessamos que o PCP é “um deserto de valores” e
>>um território político de onde, por oitava praga do
>>Egipto, se sumiu todo o brilho, talento, sentido de
>>humor, competência e inteligência.
>>
>>Sim, confessamos mais em concreto que o PCP, como
>>alguns agora inteligentemente redescobriram, não tem
>>intelectuais e que são meros pseudónimos ou invenções
>>do departamento de propaganda do PCP todos os nomes de
>>destacados e qualificados intelectuais que são
>>apresentados ou se assumem como membros do PCP ou que
>>às centenas figuram habitualmente nas listas de apoio
>>à CDU.
>>
>>Sim, confessamos que os comunistas estão “velhos” e
>>que isso é uma consequência natural desse justíssimo
>>sistema em que, por cada ano que passa, os comunistas
>>passam a ter mais um ano de idade, coisa que só a eles
>>acontece e a que merecidamente escapam comentadores,
>>jornalistas e membros de outros partidos.
>>
>>Sim, confessamos o grave e irreversível “declínio”
>>eleitoral do PCP e a exclusiva responsabilidade que
>>nele têm as orientações “obsoletas” e a empedernida
>>resistência dos comunistas a gloriosas “mudanças”, com
>>isto confessando também que não partilhamos da ideia
>>“crispada”, “fechada” e “sectária” de que muitos dos
>>que nos “media” flagelam o PCP por maus resultados
>>eleitorais seriam bem mais sérios se, pura e
>>simplesmente. dissessem : “Conseguimos! Bem fizémos
>>por isso”.
>>
>>Sim, com respeito por todas as opiniões, confessamos
>>entretanto que é um escândalo de bradar aos céus que
>>um ex-operário possa porventura ser eleito
>>Secretário-geral do PCP, não vindo agora ao caso
>>lembrar quantos se deslumbraram e babaram com a
>>chegada de Lech Walesa à Presidência da República da
>>Polónia nos anos 90 ou com a eleição de Lula da Silva
>>como Presidente do Brasil em 2002.
>>
>>Sim, confessamos que é uma imperdoável perversidade
>>antidemocrática que no PCP se façam auscultações ou
>>consultas alargadas sobre nomes em vez de assumir uma
>>escolha arbitrária e iluminada, se fale em
>>“inclinação” em vez de decisão ou eleição (que, por
>>acaso, só outro órgão ainda a eleger pode fazer) e se
>>fale em preparação de propostas quando, como toda a
>>gente sabe, no PSD, no PS, no CDS-PP e no BE, elas
>>sempre aparecem por geração espontânea ou por recado,
>>via e-mail ou SMS, do Espírito Santo (não é o banco).
>>
>>Sim, confessamos que é uma horrorosa prática
>>antidemocrática que no PCP, ao longo de dois meses, se
>>realizem cerca de mil reuniões de militantes para
>>discutir documentos, teses e propostas políticas e se
>>divulgue a lista proposta para o seu Comité Central
>>antes de o Congresso começar, sendo necessário
>>reconhecer que fazem bem todos os jornalistas e
>>comentadores que, pelos vistos, consideram como
>>irrepreensíveis práticas de outros partidos como a de
>>divulgar as moções para Congresso apenas quatro dias
>>antes da sua realização ( o que significa que a
>>esmagadora maioria dos delegados entra para o
>>Congresso sem as ter lido) ou a de afixar listas
>>apenas ao início da manhã da própria votação.
>>
>>Sim, confessamos que os rótulos e etiquetas
>>persistentemente aplicados a comunistas (e a
>>ex-comunistas) são uma incomparável manifestação de
>>seriedade, espírito crítico e profundidade e que,
>>razoavelmente e de todos os pontos de vista, nada se
>>pode objectar ao decreto mediático que, “per secula
>>seculorum” e salvo o parágrafo seguinte, procedeu à
>>rígida e quase imutável identificação dos “ortodoxos”
>>e “renovadores”, dos monstros e dos belos, dos
>>demónios e dos anjos, dos cinzentos e dos cintilantes.
>>
>>Sim, confessamos o nosso rendido acordo à ideia
>>longamente concretizada de que, salvo excepções que se
>>contam pelos dedos de uma mão, comunistas bons ou com
>>valor só aquele nosso primo ou o “gajo porreiro” que
>>conhecemos da nossa rua ou empresa, só quem tenha
>>entrado em conflito público com o PCP, só quem tenha
>>deixado de ser comunista ou só quem já tenha morrido.
>>
>>Todas estas confissões de um dirigente do PCP, embora
>>quase ignoto e irrelevante, têm, como seria de
>>esperar, uma volta na ponta e visam propor um negócio
>>ou um acordo sem o qual ficam sem valor ou falhas de
>>sinceridade. E que consiste em, como justa
>>contrapartida, jornalistas, comentadores e
>>responsáveis de outros partidos se absterem durante
>>três meses de, cansativa e desnecessariamente,
>>repetirem, a seu modo, a substância essencial destas
>>confissões e antes se dedicando a outro tipo de
>>análises. Porventura igualmente críticas, como é seu
>>direito, mas menos ligeiras e mais informadas, menos
>>preguiçosas e mais exigentes, menos cansadas e mais
>>inovadoras.
>>
>>E assim permitirem que, por via desta espécie de
>>trégua negociada, os portugueses possam ajuizar pela
>>sua própria cabeça dos méritos e deméritos e dos
>>defeitos e qualidades do PCP, livres, por três meses,
>>do turvo maremoto de preconceitos, falsificações,
>>esquematismos, dogmatismos e ódios mal disfarçados que
>>hoje, como ontem e anteontem, procuram cercar o PCP e
>>impedir o seu reforço de influência que tantos, com
>>inexcedível cinismo e desvelo tão comovente quanto
>>suspeito, proclamam desejar ardentemente.
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