Subject: Re: A pequenez política dos dirigentes do Bloco
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visitante
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Date Posted:30/11/04 21:33 In reply to:
Adriano Rodrigues
's message, "A pequenez política dos dirigentes do Bloco" on 29/11/04 17:30
Tem razão o Adriano. É que até registei o que a Drago disse quando se queixava que as direcções do PCP "tenham querido ignorar aquilo que é, se calhar, uma parte da esquerda".
Essa coisa da entrevista do DN ao Louçã em dia de Congresso do PCP faz-me lembrar a Capital que no dia a seguir à Festa do Avante trazia uma longuíssima entrevista ao assessor de imprensa e dirigente do bloco e zero, zero de notícia sobre a Festa...
E depois há (ou havia) por aqui uns castiços que dizem que a culpa é do PCP...
>Acabamos de voltar a ver que os dirigentes do Bloco de
>Esquerda vivem politicamente apenas ao ritmo da
>comunicação social sendo nela quase tão vidrados
>quanto Santana Lopes.
>
>De facto, bastou um dois jornalistas (amigos ou não do
>BE) terem lançado o tema de que, primeiro, Carlos
>Carvalhas e, depois, Jerónimo de Sousa teriam
>«ignorado» o BE nos seus discursos no Congresso do PCP
>para logo virem a Ana Drago e mais alguns bloquistas
>dos blogues assumirem as suas dores por essa
>gravíssima atitude do PCP.
>
>Vale a pena perder uns minutos a colocar alguns pontos
>nos is nesta questão, para o que basta recapitular o
>seguinte:
>
>1. Tanto Carvalhas como Jerónimo de Sousa, nos seus
>discursos, referiram-se variadas vezes às forças
>democráticas e aos partidos da oposição, sublinhando a
>vantagem e importância da sua cooperação ou
>convergência, o que inclui obviamente o Bloco de
>Esquerda.
>
>2. O facto de não se terem referido explicitamente ao
>BE é coisa que os dirigentes do BE até deviam ver como
>uma atitude de não hostilidade pois, se o tivessem
>feito, poderiam ter de enunciar divergências ou
>efectuar alguma demarcação crítica.
>
>3. No que respeita à questão da alternativa política
>de esquerda, é inteiramente compreensível que o PCP
>concentre as suas atenções e discurso de Congresso na
>questão das atitudes e orientações do PS, pois o PCP e
>o BE até se podiam dar como Deus e os anjos que nem
>por isso estaria garantida uma alternativa de política
>e de governo para o país.
>
>4. No sábado passado, em dia de Congresso do PCP, o
>Diário de Notícias publicava uma entrevista de fundo
>com Francisco Louçã em que a questão da alternativa
>era abordada e Louçã não fazia qualquer referência
>ao PCP, situando as suas declarações só no âmbito da
>relação PS-BE.
>
>5. Nas Convenções Nacionais do BE não consta que os
>discursos dos seus principais dirigentes tenham
>contido grandes referências ao PCP e quando têm
>contido é sobretudo para afirmar que o PCP é a
>«esquerda cansada» e outros mimos que, feliz e
>acertadamente, Carvalhas e Jerónimo não tiveram a
>tentação de retribuir no Congresso do PCP.
>
>6. No último Congresso do PS, nos discursos de Ferro
>Rodrigues e de José Sócrates não houve qualquer
>qualquer referência ao Bloco de Esquerda e, apesar
>disso, não viram quaisquer queixumes ou lamúrias dos
>dirigentes do Bloco de Esquerda.
>
>De tudo isto, resulta claríssimo que os dirigentes do
>BE julgam que a sua agremiação é o centro do mundo e,
>de tão apaparicados pela comunicação social, até a
>respeito do Congresso do PCP queriam estar em cena. Já
>não lhes basta que as suas posições tenham um
>desproporcionado eco e generosidade da comunicação
>social. Acabam de mostrar que querem ter eco só porque
>o PCP não falou deles. Chama-se a isto pequenez
>política. Não haverá ninguém que lhes ofereça um
>espelho ou uma embalagem de chá de tília ?
>
>PS: Solicita-se encarecidamente aos prováveis
>oponentes deste escrito que, em vez de blá-blá geral,
>se pronunciem sobre os seis pontos concretos que estão
>lá atrás.
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