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revolucionário de sofá
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Date Posted: 3/12/04 23:34
In reply to:
José Manuel Faria
's message, "Vamos Ignorar o PCP" on 27/11/04 9:08
Bem, malta, como não sou profissional da política e tenho de dar o litro para o gajo que me paga o salário (que nem é porreiraço, nem deixa de ser, porque só conheço o seu representante, mas estou certo, convicto, de que é um pulha dum capitalista anónimo); como o trabalho de agit-prop do glorioso começa agora a apertar; e, também, como não sou lá muito prolixo, só posso cá vir de vez em quando. Mas não pensem que se vêem livres de mim, seus ramelosos! Sempre que poder, venho cá desancar-vos no canastro, seus trânsfugas vendidos ao capital monopolista e ao imperialismo!
Houve aqui uns gajos, um visitante aparvalhado e um cínico de primeira apanha, não sei se camaradas, se provocadores, que me interpelaram acerca do que se passa na Ucrânia. Não percebi lá muito bem o que os gajos quiseram dizer, mas provavelmente foi porque não compreenderam o que disse. Se são camaradas, estão confusos, porque o glorioso ainda não tomou posição sobre o assunto, e desejam que alguém mais esclarecido (é claro, modéstia à parte, eu, a minha pessoa, que até pensei sobre o caso e já tenho a posição, mais coisa, menos coisa, que o glorioso há-de vir a tomar, assim que a faça subir até ao cc); se são provocadores, estão a querer tirar nabos da púcara, para ver se a gente comete mais uma argolada e se espalha ao comprido, para se ficarem a rir.
Mas eu coloco já a coisa em pratos limpos, para não restarem dúvidas. Venham lá dizer o que disserem, aquela merda na Ucrânia é mais um golpe sujo do imperialismo, passado a papel químico do que ele deu na Sérvia! O nosso candidato (porra! e eu a dar-lhe! de vez em quando ainda me esqueço que a Rússia já não é socialista!), como ia dizendo, o candidato pró-russo ganhou aquela merda das eleições com uma limpeza claríssima e o candidato pró-imperialista perdeu! E mais nada! Mesmo que não tenha ganho, que a gente não pode pôr as mãos no lume, não podemos é deixar de denunciar as manobras sujas do imperialismo, que orquestrou todas aquelas manifestações de protesto na tentativa da tomada do poder à má fila. Estar do lado do imperialismo, isso, nunca! E ficarmos calados, também não, que os ucranianos feitos com o imperialismo não são flor que se cheire.
A gente não pode esquecer-se do que aqueles bandalhos fizeram durante a guerra nazi-fascista, aliando-se aos alemães na agressão contra a mãe pátria russa e farol do socialismo e do comunismo no mundo! Mesmo que estes sejam filhos e netos daqueles traidores, a gente não pode perdoar-lhes, porque transportam no sangue os genes da traição e da perfídia. Se aquela merda, agora, é tudo capitalismo, porque é que optam pelo capitalismo imperialista, que só pensa em desmembrar o velho, o antiquíssimo império e em transformá-lo em potência de terceira classe, e não se unem aos russos? Além de estarem com manias nacionalistas e de plena soberania, logo, anti-internacionalistas, aquela malta já está à espera das benesses do imperialismo, para se aburguesarem ainda mais e cravarem mais um prego na nossa esperança na revolução proletária, socialista e comunista! Sim, porque se um gajo se puser a pensar ainda vê que qualquer dia não resta nada do glorioso mundo socialista e comunista de outrora (se é que já resta alguma coisa)!
Outros provocadores vêm para aqui afirmar que o nosso glorioso não é marxista-leninista, e põem-se a mandar umas bocas a perguntar onde pára o nosso leninismo, blá-blá, blá-blá. Estes bandalhos, que se afirmam anti-estalinistas e, logo, anti-marxistas-leninistas, não têm um pingo de vergonha na cara. Estão a desafiar-nos, é o que é, agora que o glorioso, com o nosso grande camarada Jerónimo à frente, voltou a afirmar-se partido comunista, marxista-leninista, defensor da classe operária e do povo! Não percebem que o leninismo não é para andar a apregoar todos os dias, que ainda afugentávamos os nossos já poucos seguidores, mas é a cartilha de receitas de análise das situações concretas que se passaram na velha Rússia, que não deixarão de cá ocorrer também, e, acima de tudo, é um guia para a acção na situação revolucionária que se avizinha e está na forja com a próxima crise geral do capitalismo.
Fazem-se parvos, parece que não percebem que o marxismo-leninismo é só para quando está próxima a tomada do poder e, então, a gente, em plena insurreição, já pode usar e abusar do leninismo para acabar com a resistência da burguesia e dar-lhe o golpe de misericórdia. São parvos, não percebem que até lá a gente tem de afirmar-se, mas não praticar, porque para as situações de calmaria e de refluxo, que antecedem as situações revolucionárias, temos o marxismo, que antecede o leninismo. São mesmo parvos, estes provocadores! Não percebem patavina, nada de nada, nicles batatóides.
Qualquer dia ainda se põem a perguntar onde pára o nosso marxismo. Não percebem que esse, mesmo sem andarmos sempre a afirmá-lo, é o que a gente tenta praticar, ainda que com zigue-zagues, que a luta entre as duas linhas nem sempre permite que se afirme com clareza. Há malta que tem a impressão de que o nosso profeta barbas não era contra o capitalismo, mas a favor do seu desenvolvimento e de tudo o que apressasse o seu fim próximo, porque não se pode ser contra o que está condenado, e a gente deve lutar é para vê-lo morto e enterrado, mas isto ainda é uma corrente minoritária! Quer dizer, é ultra, ultra minoritária, que eu ainda só ouvi um gajo a levantar estas merdas: eu! Mas, também, imaginem o que sucederia se a gente passasse a afirmar que defendia o desenvolvimento do capitalismo! Caía o Carmo e a Trindade! Ai, caía, caía!
As coisas nem sempre são lineares, porque no seio do glorioso há muito tempo que a luta de classes grassa em surdina. Não sorriam, se faz favor! Aquilo tem sido a paz dos cemitérios, só interrompida para dar caça aos burocratas intelectualóides direitistas que foram crescendo e queriam tomar conta do partido e descaracterizá-lo. O Álvaro moldou aquilo, o glorioso, à sua visão das coisas, consonante com o entendimento que o Zé dos Bigodes tinha dos princípios e da concorrência entre o capitalismo e o socialismo, a pontos de considerá-lo criação sua, e a malta, que não percebia grande coisa nem tinha tempo para pensar, não teve outro remédio se não amochar. Além disso, a guerra-fria também não ajudava, porque a malta tinha era de defender a URSS contra as investidas do imperialismo americano. Foi o terreno ideal para os burocratas intelectualóides medrarem, e a malta teve de se unir para correr com estes vendidos.
Desde que o Álvaro foi para a reforma, as coisas têm vindo a ganhar outros contornos. É claro, o ultra-leve do gago esteve de panelinha com os cabrões dos burocratas direitistas, e a malta viu-se entalada entre dois fogos: os ramelosos dos direitistas, vendidos ao imperialismo, que apenas se dizem progressistas; e a corrente nacionalista e conservadora, personalizada pelo Álvaro e seus seguidores, os dinossauros e os Abrantes e companhia, dona do glorioso, que persiste agarrada à visão tradicional do mundo, estilo Zé dos Bigodes, e que acha que o tempo volta para trás, como dizia a cantiga do Mourão. Mas a malta operária tem vindo a ganhar mais consciência, sob a forma de dúvidas, é certo, coisa ainda sem grande consistência, é facto, mas já não fica boquiaberta, como quando escutava as sentenças do Álvaro, e começa a levantar um pouco mais de cabelo. Com a ascensão do nosso grande camarada Jerónimo, um operário que ainda tem memória, pensa-se, a corrente operária no seio do glorioso ganhou esperança e julga ter algumas condições para se desenvolver no sentido daquilo que ainda se pode aproveitar para além da profecia do barbas. Mas, porra, se a gente não se põe a pau, ainda corremos o risco de ser apelidados de mais direitistas que os ramelosos dos burocratas intelectualóides da RC!
Nesta altura do campeonato, temos de vencer algumas resistências e incompreensões, nomeadamente, quanto à subtileza da nossa linha de defesa da economia nacional, que não é bem compreendida. A maior parte da malta não entende como é que a luta por aumentos de salários, por melhores regalias sociais e por mais direitos de cidadania, a defesa dos chamados interesses imediatos das massas trabalhadoras, poderia contribuir para o desenvolvimento do capitalismo e para a aproximação do seu fim, na medida em que no imediato coloca em aperto de tesouraria os nossos grandes aliados, os pequenos, médios e grandes industriais, comerciantes e agricultores, e a longo prazo contribui para o aburguesamento da malta. Quando um gajo lhes diz “bardamerda para esses capitalistas da treta”, há malta que não está com meias medidas e começa logo a mandar umas bocas, que isto é radicalismo esquerdista e aventureirista, que levaria ainda a mais falências e ao aumento do nosso descrédito e isolamento político e social, e re-béu-béu, pardais ao ninho. E, é claro, estes gajos, para manterem a fachada e a boca tapada à malta, escudam-se, umas vezes, nas grandes reivindicações que sabem que nunca serão acordadas, e, outras vezes, nos acordos por baixo, à socapa, dizendo que foi o que se conseguiu arranjar. O que vale é terem os sindicatos na mão e bem blindados.
E, depois, também há aquela malta, antigos operários e coisa assim, que singraram na vida e hoje são empresários, que continuam no glorioso; os próprios capitalistas, pequenos, médios e grandes industriais, comerciantes e agricultores que a gente já arregimentou para o nosso lado, e que mesmo sem serem muitos tiveram direito a ter um representante seu no cc; muita malta funcionária do glorioso e do estado, empregadagem de emprego certo, estudantada a viver à conta dos velhos, quadros e reformados; ah!, e há ainda aquela maralha dos autarcas e malta que anda por ali à babugem, que acha ser pelo exemplo de competência, de dedicação e de benfazejos sem hábito que a gente conquista as grandes massas e dorme descansada. Para toda esta malta, que é mais do que muita, a revolução é uma miragem, e, como tal, não faz mal a gente se dizer revolucionários, porque daí não advém mal ao mundo. E, isso, é uma das poucas coisas em que estamos de acordo.
Agora, imaginem vocês como é que a corrente operária, que ainda é ultra minoritária e tem apenas um só elo, se vê no glorioso no meio desta gentalha! É preciso é ter calma, que isto com o tempo vai.
Viva o glorioso!
Viva a revolução proletária!
Viva o marxismo-leninismo!
Viva o comunismo!
Viva a classe operária!
Viva o nosso grande camarada Jerónimo!
Vivam as grandes vitórias que nos esperam na nova era!
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