Tal como o “visitante” também eu vi o “Eixo do Mal” e é espantoso como para este anónimo a intervenção, daquele grupo de comentarista, que lhe merece mais críticas é a do Daniel de Oliveira. O sectarismo está finalmente a toldar qualquer raciocínio dos apoiantes da direcção esquerdista que tomou conta do PCP.
O “Eixo do Mal”, na SIC Notícias, é formado por um grupo de comentadores, tal como já o era a “Noite da Má Língua”, na SIC, que pretendem, em tom jocoso, criticar a vida política portuguesa. Daí que, do Congresso do PCP, tentassem retirar o que poderia ser mais divertido, tal como já o tinham feito para os cromos (expressão por eles usada) anteriores. E estes eram o Santana, o Sampaio e mais alguns, terminado no cromo surpresa, que era o Avelino Ferreira Torres. Portanto, não se poderia esperar, nem era essa a intenção, qualquer notícia sobre o Congresso do PCP.
É interessante que a maioria dos comentaristas, todos eles muito mais à direita do que o Daniel de Oliveira, disseram as banalidades do costume sobre o PCP, mas que são muito do agrado dos actuais apoiantes da Direcção do PCP, porque esta gente sabe conviver com a direita, já os apoia nas Câmaras e há-de ir apoiá-los em muito mais coisas, fazendo o papel provocador, que caracterizava o MRRP em relação ao PCP.
O Júdice, que se a memória não me falha, numa das primeiras eleições para as Autarquias, naquelas em que o PCP ganhava em todo o Alentejo, entreteve-se durante grande parte da noite eleitoral, como jornalista de serviço ao PS, a falar numa diminuição de votos numa Câmara qualquer, o que mereceu do Álvaro Cunhal, quando teve acesso a falar na Televisão, a resposta à altura. Mas, dizia eu, o Júdice, o argumento que utilizou, era de que ainda bem que este PCP se mantinha assim, porque evitava que os operários, os tais operários míticos que ele pensa que ainda votam no PCP, não fossem votar na extrema-direita, como tinha sucedido em França. A Clara Ferreira Alves teria dito provavelmente aquilo que é referido, e que o “visitante” achou que o Daniel de Oliveira deveria ter corrigido, como todo o militante que se presa o deve fazer, coisa que o Daniel de Oliveira não é, nem tem obrigação de saber quem é a militante que está a intervir. Esquece o nosso visitante de referir que no Congresso anterior tinham posto o Morais e Castro a ler a intervenção do Cunhal, que pelo modo risível com foi apresentada mereceu logo as críticas dos mais circunspectos intervenientes, como o Dias Lourenço. Desta vez achou-se que esse trabalho ficaria a cargo de alguém que tivesse um comportamento condigno com o momento de grande exaltação “revolucionária” que se estava a viver. Mas isto foi um pequeno episódio.
Quanto ao Daniel de Oliveira disse o mais acertado da noite, e foi isso que irritou o nosso “visitante”, dado que ele, tal como outros, é incapaz de perceber a deriva sectária e esquerdizante em que se está a cair. Disse o Daniel de Oliveira, ao contrário do que todos os outros afirmavam - que este era o PCP de sempre -, que de facto isso não era assim, que dantes este PCP não era tão ideológico, acima de tudo, não se afirmava, nem gritava que era Marxista-Leninista. O que é verdade, porque se o nosso “visitante” se recorda quem era Marxista-Leninista, era o PCP M-L de Eduíno Vilar, ou todo o conjunto de grupúsculos, que se afirmavam M-L, e que na altura mereceram a condenação unânime do PCP. Mesmo dizendo o Daniel que no passado o PCP reflectia mais o espírito sindicalista, o que não será completamente verdade, afirmou, no entanto, que o PCP tinha fugido sempre a este clima sectário e extremamente ideológico em que actualmente se tinha fechado.
Foi este conjunto de apreciações, cheios de verdade, que fugiam aos lugares comuns dos outros intervenientes, todos eles a tresandar a desprezo, e gozo com o PCP, que mereceram o repúdio e a crítica deste visitante. Triste fim, já por mim aqui sublinhado, que está a ter este PCP de Jerónimo de Sousa.
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