| Subject: Muito bem analisado |
Author:
João Laveiras
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Date Posted: 24/11/04 18:45
In reply to:
Luis Rainha (Blog de Esquerda)
's message, "PORQUE MORRE O PCP?" on 24/11/04 15:16
É isto mesmo que eu venho aqui a dizer, de forma menos perfeita, há muito.
>novembro 23, 2004
>PORQUE MORRE O PCP?
>O PCP não vai morrer por teimosa fidelidade a ideais
>que já há muito pedem revisão profunda. Não falecerá
>por medo de se transformar numa coisa outra que mete o
>medo do desconhecido. Não é o idealismo nem sequer a
>saudade que tolhe qualquer ímpeto de mudança. Se fosse
>alguma destas a "causa provável" que irá ser inscrita
>na certidão de óbito do PCP, a agonia que agora
>testemunhamos ainda mereceria o nosso respeito. Ou,
>pelo menos, alguma pena.
>Não. Trata-se apenas de vontade de poder. De uma
>clique minúscula, entrincheirada nas caves da Soeiro
>Pereira Gomes, que não imagina um mundo onde não
>possua aquele pequenino poder de indicar gente para o
>Comité Central, de decidir quem é ou não "de
>confiança". Gente como o "operário" Domingos Abrantes
>prefere por certo mandar em quase nada do que nada
>mandar. Os outros, os mil cúmplices neste enterro
>prematuro, são gente ainda mais pequena: os
>"camaradas" que não podem mesmo perder o emprego no
>partido, na câmara ou nos SMAS. Ou então malta que só
>sabe viver em bicos dos pés, aproveitado ínfimas
>tribunas – como a defunta marioneta que é o CPPC –
>mesmo que tal implique a cumplicidade com os zombies
>da Soeiro.
>Não julguem que se trata de questões que apenas
>afectam os dirigentes. A infâmia derrama-se das
>cúpulas para as bases: sei de militantes anónimos que
>aguardam há anos que lhes indiquem o organismo onde
>poderão exercer a obrigatória "militância", apenas
>porque anda no ar a suspeita de não serem "de
>confiança". E pouco importa que os votantes do partido
>procurem outros amanhãs cantantes; enquanto houver
>militantes, enquanto houver património e Festa para
>gerir, eles vão continuar, resistentes e sempre
>"firmes", a dar cabo do partido.
>Não, não é mesmo uma questão de "ortodoxia"; trata-se
>apenas de um reles apego ao tacho. E Jerónimo Sousa é
>só o rosto supostamente operário desta camarilha. Só
>mais uma humilde e sempre útil arma do crime; não o
>verdadeiro culpado.
>
>PS: acabo de saber que António Filipe assinou a sua
>sentença de ostracismo, ao votar contra o documento a
>ser aclamado no próximo congresso. Conheço-o apenas de
>raspão. Mas, mesmo assim, já me interrogava sobre o
>que faria ali uma pessoa assim.
>
>
>Publicado por Luis Rainha às novembro 23, 2004 03:47 PM
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