Author:
Jorge Nascimento Fernandes
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Date Posted: 26/11/04 11:47
In reply to:
Jorge Nascimento Fernandes
's message, "Para que serve um Congresso?" on 25/11/04 16:49
Podia não dar resposta e ultimamente tenho evitado envolver-me em polémicas com os defensores da Direcção do PCP. Mas sobre este tema gostaria de acrescentar alguma coisa.
Todos sabem que formalmente é verdade o que o João Silva Costa diz: que tudo isto são propostas a submeter ao Congresso. Simplesmente estas propostas são sempre aprovadas. E mais, não é possível apresentar para votação uma lista alternativa para o Comité Central. O centralismo democrático, na versão centralista e pouco democrática da III Internacional e do Partido Comunista da União Soviética pós-Lenine, sempre considerou que os órgãos dirigentes propunham um nova direcção e que um grupo de militantes e, pior ainda se pertencessem a células diferentes, não o podiam fazer. Ou seja, a direcção tinha o poder de se eternizar no poder, mudando alguns nomes, mas mantendo o essencial do conjunto. O direito à alternativa estava inegavelmente arredado do Partido. Este facto poder-se-ia justificar em situações históricas complicadas, como a da luta contra o fascismo, já não fazia muito sentido em sociedades capitalistas desenvolvidas e democráticas, como eram as sociedades do ocidente europeu pós Revolução de Outubro. Hoje, na Europa Comunitária, e com uma cultura de liberdade extremamente desenvolvida, é manifestamente uma aberração do passado. Esta é a realidade, mas a juntar a este facto, que é estrutural e foi dominante no movimento comunista, junta-se-lhe o papel desempenhado pela actual Direcção, completamente fechada sobre si mesma, incapaz de perceber as mudanças e atingida de um desvio sectário e esquerdizante e, pior ainda, totalmente dominada por um conjunto de funcionários que se pretendem perpetuar no poder, porque esse é o seu modo de vida e ganha pão. Quando se diz que a luta de classes é o motor da história, isso não sucede por acaso, é porque os grupos dominantes resistem o mais que podem na manutenção dos seus privilégios e poder. O mesmo, desgraçadamente, se verifica com o grupo dominante no PCP, que defende os seus interesses de grupo e o seu poder com unhas e dentes.
É triste, mas é a realidade. Tudo o mais é paleio para entreter o tempo e que não leva a lado nenhum.
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