| Subject: Re: Para que serve um Congresso? (Parte II) |
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Date Posted: 26/11/04 23:11
In reply to:
Jorge Nascimento Fernandes
's message, "Re: Para que serve um Congresso? (Parte II)" on 26/11/04 11:47
Até onde leva o reformismo. Agora finalmente o Fernandes fala na luta de classes como motor da história somente, para logo a correr, circunscrevê-la ao PCP! É de rir, rir, rir!
>Podia não dar resposta e ultimamente tenho evitado
>envolver-me em polémicas com os defensores da Direcção
>do PCP. Mas sobre este tema gostaria de acrescentar
>alguma coisa.
>Todos sabem que formalmente é verdade o que o João
>Silva Costa diz: que tudo isto são propostas a
>submeter ao Congresso. Simplesmente estas propostas
>são sempre aprovadas. E mais, não é possível
>apresentar para votação uma lista alternativa para o
>Comité Central. O centralismo democrático, na versão
>centralista e pouco democrática da III Internacional e
>do Partido Comunista da União Soviética pós-Lenine,
>sempre considerou que os órgãos dirigentes propunham
>um nova direcção e que um grupo de militantes e, pior
>ainda se pertencessem a células diferentes, não o
>podiam fazer. Ou seja, a direcção tinha o poder de se
>eternizar no poder, mudando alguns nomes, mas mantendo
>o essencial do conjunto. O direito à alternativa
>estava inegavelmente arredado do Partido. Este facto
>poder-se-ia justificar em situações históricas
>complicadas, como a da luta contra o fascismo, já não
>fazia muito sentido em sociedades capitalistas
>desenvolvidas e democráticas, como eram as sociedades
>do ocidente europeu pós Revolução de Outubro. Hoje, na
>Europa Comunitária, e com uma cultura de liberdade
>extremamente desenvolvida, é manifestamente uma
>aberração do passado. Esta é a realidade, mas a juntar
>a este facto, que é estrutural e foi dominante no
>movimento comunista, junta-se-lhe o papel desempenhado
>pela actual Direcção, completamente fechada sobre si
>mesma, incapaz de perceber as mudanças e atingida de
>um desvio sectário e esquerdizante e, pior ainda,
>totalmente dominada por um conjunto de funcionários
>que se pretendem perpetuar no poder, porque esse é o
>seu modo de vida e ganha pão. Quando se diz que a luta
>de classes é o motor da história, isso não sucede por
>acaso, é porque os grupos dominantes resistem o mais
>que podem na manutenção dos seus privilégios e poder.
>O mesmo, desgraçadamente, se verifica com o grupo
>dominante no PCP, que defende os seus interesses de
>grupo e o seu poder com unhas e dentes.
>É triste, mas é a realidade. Tudo o mais é paleio para
>entreter o tempo e que não leva a lado nenhum.
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