Author:
Fernando Penim Redondo
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Date Posted: 9/11/04 15:27
In reply to:
Jorge Nascimento Fernandes
's message, "Re: A GOLPADA - mais uma colherada" on 9/11/04 10:51
Penso que este artigo do Público ajuda a perceber que o que está em causa é muito mais do que a tosca tentativa de manipulação do Ministro Gomes da Silva e envolve até gente que se mostra muito indignada...
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AGÊNCIAS DE COMUNICAÇÃO E O PODER
Os profissionais da comunicação aumentaram nos últimos anos.
As ligações aos partidos políticos, governantes e ao poder económico são vastas.
Por Helena Pereira e Cristina Ferreira
A denúncia do ex-director "Diário de Notícias", Fernando Lima, sobre uma guerra das agências de comunicação, que funcionam como grupos de pressão sobre o Governo, veio colocar na ordem do dia um tema que é controverso.
As maiores empresas de consultadoria contactadas ontem pelo PÚBLICO refutam as palavras de Lima, que apontou o dedo, mas sem nomear, a agências de comunicação que trabalham com grandes empresas públicas.
O mercado das agências de comunicação tem-se desenvolvido nos últimos anos (trabalham neste sector cerca de 700 colaboradores) e é essencialmente dominado por pessoas que adquiriram experiência e contactos quando passaram pelo jornalismo. Podem trabalhar com grandes empresas, públicas ou privadas (muitas com interesses em privatizações e outros negócios a realizar com o Estado) partidos políticos ou agremiações profissionais.
O ex-deputado europeu e membro do PSD, Pacheco Pereira, considera que as agências de comunicação são "um aspecto que tem permanecido obscuro" e que estas estão a competir "pelos negócios que a 'central de informação', muitos ministérios e gabinetes se preparam para fazer (ou já fizeram)". "É uma área obscura onde promiscuidades de todo o tipo abundam", escreveu ontem no seu blogue.
Desde 1989, que existe a APECOM (Associação Portuguesa das Empresas de Conselho em Comunicação e Relações Públicas), que representa várias empresas de consultadoria, como a Ipsis, Unimagem, Bairro Alto e Cunha e Vaz. Tem 23 associados, o que deixa de fora muitas empresas ligadas à área, designadamente a de João Líbano Monteiro. Um dos critérios de admissão é um volume mínimo de negócios anual de 149 640 Euros. Nos últimos dias, na sequência das declarações de Fernando Lima, surgiram na praça pública vários nomes de empresas que poderiam estar a disputar mercado e influências no seio da maioria governamental.
A APECOM rege-se por um código internacional, o Código de Estocolmo, que diz claramente que "as consultoras de comunicação e relações públicas são empresas prestadoras de serviços profissionais que ajudam os clientes a influenciar opiniões, atitudes e comportamentos".
Ipsis
Ligações ao barrosismo
O administrador é Tiago Franco, ex-director do "Euronotícias" que fazia equipa com José Augusto Fernandes, o homem que agora é dado como o provável chefe da central de comunicação que o Governo vai criar no início de 2005. Fernandes foi entretanto adjunto do ex-primeiro-ministro, Durão Barroso, em São Bento.
De acordo com a informação disponibilizada pela empresa no site electrónico, a Ipsis tem, entre os seus clientes, a Caixagest (do Grupo Caixa Geral de Depósitos), a EMEL, a EPUL, José de Mello Residências e Serviços, a Ordem dos Advogados, a RTP, a UMIC e a Universidade Lusíada. Faz parte de uma empresa maior, a Central de Comunicação, que detém também a MKT, empresa de publicidade que trabalhou para o CDS-PP nas autárquicas de 2001. Em 2003, a Central de Comunicação foi a empresa escolhida pelo ministro da Presidência, Nuno Morais Sarmento, para fazer o livro do primeiro ano do Governo. Já nessa altura se falava da criação de uma eventual central de comunicação, que só agora recebeu luz verde com o actual primeiro-ministro. A Ipsis negou que possa vir a trabalhar com a Presidência do Conselho de Ministros nesse projecto.
Tiago Franco é ex-aluno da Universidade Lusíada e faz parte da direcção da Associação de Antigos Alunos juntamente com Fernandes, José Luís Arnaut (ministro do Ambiente) e José Correia (vice-presidente do PSD). Contactado pelo PÚBLICO, Tiago Franco disse não ter comentários a fazer sobre as acusações de Lima acerca das movimentações das agências de comunicação.
João Líbano Monteiro & Associados
O "senhor PSI 21"
Os sócios desta empresa são o próprio Líbano Monteiro e um outro ex-jornalista, Fernando Maia Cerqueira. João Líbano Monteiro começou a fazer assessoria ao ex-ministro das Obras Públicas, Joaquim Ferreira do Amaral, com quem mantém relações de amizade. Outro dos seus amigos é Miguel Horta e Costa, actualmente presidente da PT, e Luís Delgado, administrador da Lusomundo Media. São sócios no jornal "Diário Digital". Os principais anunciantes deste jornal são clientes da JLMA. João Líbano Monteiro participou na campanha autárquica de Ferreira do Amaral em 1997.
A PT, Secil, CTT, de Carlos Horta e Costa, UBS, EDP, Galp Energia, Totta e Parque Expo são alguns dos principais clientes onde a JLMA coloca colaboradores seus. Os contratos com a PT, EDP e Galp foram feitos ainda durante os governos PS. É conhecido no meio como o senhor PSI 21. Organizou, em conjunto com Miguel Almeida Fernandes da Unimagem, no início deste ano o Compromisso Portugal, evento que juntou uma série de gestores, onde se encontravam clientes seus. António Mexia (CEO da Galp), Diogo Vaz Guedes (da espanhola Sacyr/Somague), Horta Osório (do espanhol Totta), Filipe Botton e Alexandre Relvas (Logoplaste), António Carrapatoso (da inglesa Vodafone) encabeçaram o projecto político.
O assessor de imprensa do primeiro-ministro, João Paulo Velez (que esteve na Expo 98 por sugestão de Ferreira do Amaral), foi requisitado à JLMA para onde ingressou depois de abandonar a Parque Expo. Paulo Campos Costa, assessor do ministro das Obras Públicas, já trabalhou na JLMA, assim como Isabel Athaíde Cordeiro (que assessorou Santana na CML, Carmona Rodrigues nas Obras Públicas, regressando agora à autarquia).
João Líbano Monteiro, que frisa que a sua empresa não é uma agência de comunicação, mas uma empresa de consultadoria, disse ontem ao PÚBLICO não ter comentários a fazer às palavras de Fernando Lima, não se sentindo atingido pela acusação, apesar de trabalhar com empresas SA de capitais públicos, designadamente com a PT, que detém a Lusomundo Media.
Já a LPM- Luís Paixão Martins, tinha grande influência nos governos de Cavaco Silva, sendo Paixão Martins amigo pessoal de Arlindo Carvalho e Fernando Nogueira, para quem trabalhou.
Unimagem
Do lado do bloco central
Fundada em 1991, tem à frente Miguel Almeida Fernandes, que já foi assessor de Mário Soares e ex-chefe de gabinete de Jaime Gama. Chegou a trabalhar com Santana Lopes na campanha para a Câmara de Lisboa em 2001. A Unimagem esteve prestes a celebrar contrato para assessorar um ministro do Governo de Durão Barroso, Amílcar Theias. A notícia foi dada por "O Independente" e o acordo nunca chegou a ir avante.
Miguel Almeida Fernandes está também ligado a João Líbano Monteiro e Luís Delgado, pois todos são sócios no "Diário Digital".
De acordo com a informação disponibilizada pela empresa no site electrónico, são clientes seus a Apetro, Associação Portuguesa de Seguradores, a Brisa, Dun & Bradstreet, Edifer, Galp, José de Mello SGPS. O ex-jornalista foi o consultor da Carlyle, por sugestão de Líbano Monteiro, o primeiro a ser convidado, mas que recusou devido à sua ligação à Galp. Facto que foi confirmado por Almeida Fernandes.
Miguel Almeida Fernandes, que confirmou ao PÚBLICO ter realizado algumas parcerias com João Líbano Monteiro, afirmou não ter "nenhum cliente público, apenas empresas privadas" e não quis pronunciar-se sobre as declarações do ex-director do "Diário de Notícias". "As empresas de comunicação não têm força para demitir directores de jornais", acrescentou.
Bairro Alto
O homem do Rock in Rio
O presidente, antigo jornalista, Salvador da Cunha, tem como clientes a Auto-Estradas do Atlântico, Compal (presidida pelo vice-presidente do PP, António Pires de Lima), a EDP Energia, o Grupo Media Capital, a Novabase, as Pousadas de Portugal, o Rock in Rio e a Valorsul.
O empresário esclarece que não trabalha para o Ministério da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, tutelado pelo líder do CDS Paulo Portas, como tem constado, tendo sim sido contactado para apresentar uma proposta de trabalho pela Secretaria de Estado dos Assuntos do Mar.
Acerca do director do "Diário de Notícias", Salvador da Cunha diz que "só os jornalistas e os analistas tontos é que se deixam pressionar". "É um tonto", afirma sobre Fernando Lima. "Nós fazemos um trabalho profissional com a comunicação social e não há nenhuma consultora séria que não saiba ouvir um não. Como não há nenhum jornalista que não saiba numa relação frontal dizer que não a uma informação irrelevante para o seu meio de comunicação social. Não tenho nenhuma empresa pública, nem trabalho com nenhum político, o que não significa que não venha a trabalhar com um político ou numa campanha eleitoral", afirma. O ex-jornalista desafia Lima a "dizer a que empresas de comunicação se refere".
Cunha Vaz & Associados
Da política para a banca
Os principais clientes da Cunha Vaz & Associados são a Sonae.com, BCP, Cofina, Grupo Mosqueteiros, Benfica (SLB). Foram os responsáveis pela comunicação da UEFA durante o Euro 2004. Cunha e Vaz foi assessor e porta-voz do BCP até 2000, altura em que decidiu fundar a sua empresa de comunicação. Chegou a ser presidente da Juventude Centrista na Madeira. Actualmente, é também dono da revista de economia "Prémio". Ao PÚBLICO, afirmou que a sua "agência não tem dimensão para entrar em guerras com outras empresas do mercado para disputar contas de empresas públicas".
"Se as declarações do dr. Lima foram as que vieram retratadas nos meios de comunicação, haveria uma carta compromisso da PT, em que este se comprometia a revelar com a antecedência as notícias que saíam no DN, acho essa declaração profundamente infeliz", acrescentou.
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