| Subject: Re: O caminho faz-se caminhando, CLARO! |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 11/11/04 10:59
In reply to:
Jorge Nascimento Fernandes
's message, "O caminho faz-se caminhando" on 8/11/04 15:22
Sim , Jorge . O que se verifica cada dia mais claramente é uma tendencia estremada para dissociar um Projecto de Sociedade de uma mera Opção Eleitoral.
Na arrumação de forças em presença a cultura do imediatismo e do pragmatismo parecem predominar no seu envolvimento com os eleitores , sendo que os valores e a ética estão cada vez mais afastados das suas preocupações.
Neste quadro ,que ultrapassa o nosso espaço nacional, só O PCP ,( talvez O Bloco de uma forma menos estruturada ) , pese embora o seu progressivo fechamento internacional,os legítimos questionamentos a que está sujeito e nem sempre esclarecidos, consegue manter como projecto central , uma sociedade qualitativamente diversa.
Os contornos dessa sociedade , desse modelo alternativo ao capitalismo , é óbviamente aquilo que os comunistas e demais forças que com eles querem caminhar , forem capazes de construir na base de experiencias passadas , dos tremendos erros e desvios cometidos , mas igualmente expressão de novas realidades , dos novos problemas e anseios sociais.
>Não queria eternizar a discussão, mas sempre vou
>dizendo algumas coisas que me parecem importantes.
>Não existe, nem nunca existiu um projecto de esquerda
>para Portugal ou como tu designas “alternativo”.
>Existem diferentes projectos ou, acima de tudo, várias
>maneiras
>de chegar ao poder e exercer influência na sociedade.
>Alguns dos projectos, principalmente, os do PS, até
>são credíveis, pois conquistam votos e ganham
>eleições.
>Portanto é esta a realidade que temos e é com ela que
>temos que conviver.
>Isto não é ser profundamente conformista, mas é
>partindo de uma realidade conhecida, tentar alterá-la,
>de modo a que a nossa actuação seja eficaz. Nesta
>conjuntura interessa portanto as propostas que
>apresentamos, as alianças que estabelecemos, mas
>igualmente a nossa inserção na luta política
>quotidiana. Ora o “episódio Marcelo”, não é como eu
>anteriormente tentei provar, um caso de somenos, que
>se dê de barato, sobre o qual nada temos que dizer. E
>não sendo a ofensiva fascista sobre a liberdade de
>informação, prefigura em todos os seus contornos um
>ataque a essa mesma liberdade e, se soubermos separar
>o que é acessório do que é principal, podemos
>desencadear uma luta importante contra este Governo.
>Lamento Fernando, mas a luta política não é um Olimpo
>onde apresentamos a melhores propostas e esperamos que
>o povo venha ter com elas, é saber a cada momento
>definir o eixo principal de ataque e meter as mãos no
>quotidiano da luta. Ela passa inevitavelmente por
>episódios como este e como necessariamente passaria
>por eleições antecipadas. Se pensamos que qualquer
>intervenção na realidade é oportunista e se só vimos o
>objectivo final e não os obstáculos momentâneos,
>podemos cair na inacção ou no cepticismo. O caminho
>faz-se caminhando.
>Por aqui me fico, dando pela minha parte por encerrada
>esta troca de opiniões.
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