Subject: Re: 17º Congresso do PCP - uma "arrumação" mal arrumada
Author:
Guilherme Statter
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Date Posted:11/11/04 15:40 In reply to:
Fernando Penim Redondo
's message, "17º Congresso do PCP - uma "arrumação" mal arrumada" on 11/11/04 12:20
Então cá vão algumas opiniões...
1. No geral parecem-me oportunas e pertinentes as tuas observações.
2. Acho incorrecta a tua premissa de que proletarização é uma função dependente de "contrato de trabalho permanente", quando dizes: Se considerarmos adicionalmente que desses 35,4 % uma parte cada vez maior é constituída por contratos a termo ou contratos de trabalho temporário teremos que concluir que o assalariamento é uma relação de produção em crise. Teremos de concluir que as empresas capitalistas estão a ter muitas dificuldades ou retraimento na criação de empregos assalariados.
As Teses passam ao lado desta questão e, pelo contrário, induzem que o crescimento do assalariamento é galopante e que se verifica uma “proletarização” acelerada de vastas camadas.
Ao fazê-lo estão a descartar uma hipótese que merecia mais atenção, a de que a revolução tecnológica e os processos de globalização possam estar a pôr em causa o próprio assalariamento e tudo o que ele representa no sistema burguês..
A esse respeito chamo a tua atenção para o facto de o "contrato de trabalho permanente" é uma invenção historicamente recente. Do "fordismo", "estado previdência" ou "keynesianismo".
No tempo de Marx e de Lenine não havia disso...
Ou seja, ainda que concorde contigo no que respeita ao facto de as Teses do PCP não serem completas por não contemplarem alguns dos pontos por ti assinalados, neste caso julgo que não terás razão e que as Teses estão certas quando falam de “proletarização” acelerada de vastas camadas.
3. Dizes a certa altura Como se pode constatar o número de cidadãos cujo principal meio de vida tem origem no Estado (3.109.944) supera já o dos trabalhadores assalariados em empresas (3.077.592), pondo "no mesmo saco" 716.400 "funcionários públicos" e 2.074.443 pensionistas e reformados. Ora tu sabes tão bem como eu que MUITOS (3/4 ?... 5/5?...) destes pensionistas e reformados NUNCA foram "funcionários públicos" e que o Estado se limita aqui a gerir a transferência de riqueza produzida. Quer por capitalização da riqueza criada pela geração agora reformada, quer por "solidariedade" da geração agora activa.
Ou estarás - não acredito, como é evidente! - a sugerir que SE EU E TU E TANTOS OUTROS, TIVESSEMOS DESCONTADO SÓ PARA UM FUNDO DE PENSÕES PRIVADO, já aquele numero de "dependentes do Estado" seria menor, sendo maior (por tabela...) o numero de "dependentes das Empresas"?...
Por outro lado, julgo que será uma premissa razoável assumir que ao fim de 30 ou 40 anos de trabalho as pessoas já terão a "cabeça feita". Ou seja, se foram "trabalhadores" toda a vida, não é aos 60 ou 65 que vão adoptar pontos de vista de "burgueses" (se não os tinham já, claro!!!).
4. No que diz respeito aos elementos para uma tipologia de classes ("A título indicativo enunciamos a alguns tópicos que têm influência considerável na diferenciação das atitudes políticas dos estratos e classes sociais:), continuo a achar que a matriz analítica proposta por Erik Olin Wright é perfeitamente adequada, embora seja útil considerar elementos tais como alguns dos por vocês indicados (em particular a "impunidade fiscal").
Para já é tudo.
Cordiais saudações,
Guilherme Statter
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