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Subject: Re: Nao ao federalismo - OUTRA VEZ???


Author:
João Aguiar
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Date Posted: 16/11/04 23:17
In reply to: Guilherme Statter 's message, "Re: Nao ao federalismo - OUTRA VEZ???" on 15/11/04 0:24

1) sobre a questão do federalismo. A União Europeia (UE) não pode ser algo que os comunistas devam defender (seja ela federal ou outra coisa qualquer). Que a UE é uma inevitabilidade, concordo. Que concordemos com a sua existência, aí é que não. Parece-me que a posição do PCP é muito pouco consequente na medida em que propõe o recuo ao estado nacional, naquela linha de um desenvolvimentismo dos portugueses, sem atender a que classe atendem esses mesmos portugueses. Contudo, os comunistas devem rejeitar a UE, não porque esta prejudica a soberania nacional (que é um facto mas não é a questão central), mas porque a UE mais não é do que a construção de um aparelho estatal (ou inter-estatal) que promova o ascenso do capital europeu ao nível da competição com os seus mais directos rivais imperialistas (EUA e Japão). O exército europeu é um exemplo claro da vontade do capital europeu em sacudir o rival americano e embarcar em aventuras tão tenebrosas como as do Iraque ou o Afeganistão. Portanto, o imperialismo europeu, que existe mas num grau de autonomização da sua política externa inferior ao dos EUA, terá de ser rejeitado sob qualquer que seja a forma que assumir no futuro.
A alternativa? Bem, a alternativa terá forçosamente por passar por construir pontes de solidariedade entre o proletariado europeu (e não só). Isto será de alguma maneira uma "inevitabilidade". Por um lado, porque o ataque a conquistas das classes trabalhadoras (salários, educação, saúde, etc.), ao nível europeu, pode propiciar uma luta em torno de um mesmo lema: "Contra o neo-liberalismo!". Por outro lado, a própria burguesia ao atirar o proletariado europeu para o campo de batalha, pode promover a própria coalização de forças entre o operariado.
Para resumir, o importante é recusar a UE, porque é um projecto que só pode ser imperialista - a panaceia da Europa Social é uma versão do ultra-imperialismo para o século XXI - independentemente da configuração que venha a assumir. A organização da classe operária (na sua heterogeneidade) é, assim, vital.

2)sobre o conceito de cidadania. Obviamente, não vejo nesse conceito qualquer interesse político para classificar o que quer que seja. E digo isto porque o conceito de cidadão reduz os seres humanos a uma massa uniforme com os mesmos direitos (plano ideal), quando o que se passa de facto na realidade é o oposto, em que as classes trabalhadoras não são mais do que objectos de valorização do capital, quer dizer, desapossadas de qualquer controlo efectivo dos meios que dão vida à actividade social (meios de produção, poder político, etc.).
Desse modo, parece-me útil combater este conceito, já que instila nas classes assalariadas ilusões fetichistas de confiança no Estado, vendo-o como uma muleta e um amigo ao qual se podem socorrer, quando o importante é que a luta de classes política seja orientada contra o poder de Estado.

Saudações,
João Aguiar



>Confesso que já me vai faltando a pachorra para estas
>"patacoadas"...
>Mas que é que o FEDERALISMO tem a ver com esta
>"chachada"???... Independentemente de algumas das
>coisas MUITO certas que diz o sr. Agostinho Lopes.
>Já Estaline (!...) se referia com justeza à questão
>nacional. É no mínimo insólito que alguns militantes
>do PCP ainda não tenham conseguido ultrapassar a
>mentalidade nacionalista para assumir (de uma vez por
>todas) a mentalidade de CLASSE...
>Eu por mim, entre os interesses do sr. Belmiro de
>Azevedo e os interesses dos operários e trabalhadores
>"alemães" e "franceses", não hesito. Estou do lado do
>operários e trabalhadores "alemães" e "franceses".
>Aliás, permita-se-me aqui a ironia, coisa estranha foi
>uma espécie de polémica (aqui há uns anos) a propósito
>de alguém considerar o sr. Belmiro de Azevedo como
>"cidadão".
>Uma alma caridosa que me refresque a memória pois ando
>"embrulhado" numa dissertação (está mesmo, mesmo no no
>fim...) e já não me lembro dos nomes dos
>intervenientes. Um deles era o sr. Alvaro Cunhal (que
>achava que o Belmiro de Azevedo não seria não sei bem
>o quê...)
>Cordiais saudações,
>Guilherme Statter

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