Subject: As mentiras de uns e as verdades de outros
Author:
pjnsilva
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Date Posted:22/11/04 16:25
Lisboa, 22 Nov (Lusa) - O economista da CGTP, Eugénio Rosa contestou hoje os últimos dados sobre o desemprego, considerando que, pela primeira vez mais de meio milhão de portugueses estavam sem emprego, no terceiro trimestre de 2004.
Num estudo hoje divulgado, aquele especialista adiciona às 375.900 pessoas consideradas oficialmente desempregadas pelo INE (Instituto Nacional de Estatística), 80.300 pessoas que afirmaram que queriam trabalhar e estão disponíveis para isso, mas que foram contabilizadas como inactivas por não terem feito diligências para encontrar emprego nas quatro semanas anteriores à realização do Inquérito ao Emprego.
Assim, mais de 516 mil pessoas não tinham emprego ou não tinham conseguido trabalho a tempo completo no terceiro trimestre de 2004, segundo estimativas do consultor da CGTP.
Além disso, Eugénio Rosa adiciona ao desemprego as 60.300 pessoas classificadas pelo INE no subemprego visível, ou seja, que trabalham menos de 15 horas por semana apenas porque não encontraram um emprego a tempo inteiro, pretendendo trabalhar mais horas.
Somando o desemprego oficial, os inactivos disponíveis para trabalhar e ao subemprego visível, Eugénio Rosa encontra um universo de 516.500 pessoas que classifica como desempregados, que corresponderia a uma taxa de desemprego corrigida de 9,4 por cento.
O estudo revela ainda que os desempregados de longa duração (há mais de um ano sem emprego) aumentaram 39,1 por cento entre os terceiros trimestres de 2003 e 2004, mas o desemprego de muito longa duração (mais de dois anos desempregados) aumentou 67,3 por cento no mesmo período, para 94.200 pessoas.
Para Eugénio Rosa, isto significa "dificuldades crescentes de uma parte significativa dos desempregados em encontrar emprego, podendo estar a caminhar-se para a exclusão social de um número muito significativo de portugueses", se não forem adoptadas medidas urgentes para inverter esta situação.
O autor do estudo destaca o "elevadíssimo desperdício de mão- de-obra qualificada" num país de baixa escolaridade que constituem os 43.600 desempregados (11,6 por cento do total) com formação escolar superior.
Eugénio Rosa critica o aumento de apenas 4,0 por cento nas verbas previstas no Orçamento de Estado de 2005 para subsídio de desemprego, apoio ao emprego e "lay off", essencialmente utilizadas para subsídio de desemprego, menos de metade do acréscimo de 2004 (11,8 por cento), apesar de o "desemprego em Portugal continuar a aumentar de forma preocupante".
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