| Subject: Re: Edgar Correia ou a eterna vigarice |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 28/09/04 11:47
In reply to:
Francisco Ramalho
's message, "Edgar Correia ou a eterna vigarice" on 27/09/04 22:30
Penso sinceramente que é importante debruçarmo-nos sobre aqueles que , tendo assumido funções directivas e de responsabilidade em organizações políticas , vêm posteriormente , quais "arrependidos " de qualquer bando terrorista , dar o dito por não dito e criticarem públicamento aquilo porque em tempos lutaram , se empenharam e defenderam.
E.C. não foi dirigente de um bando terrorista e, no pleno uso das suas faculdades, assumiu o que tinha que assumir.
Não houve fechamento do PCP às novas realidades sociais e à alteração profunda na correlação de forças internacionais ; há uma evidente resistência a uma conjuntura internacional desfavorável e isso , este facto aparentemente simples , tem que levar o PCP ,nessa luta desigual , a sacrificar algumas concessões democráticas e a tolerar certas experiências políticas alheias...
omo outros já haviam ensaiado neste fórum, em artigo
>no «Jornal de Notícias» de hoje com o título «O
>“modelo” eterno», Edgar Correia agarra-se
>desesperadamente a uma passagem das Teses para o
>Congresso do PCP, procede a uma série de mutilações
>nas citações que faz e procura convencer os incautos
>que nestas Teses se está a andar para trás na
>apreciação de países como Cuba, China, etc.
>É necessário algum detalhe para se perceber a má-fé,
>desonestidade e espirito falsificador do sujeito.
>Repare-se então que Edgar Correia escreve que, naquele
>documento, «afirma-se, preto no branco, que “deve ser
>valorizado o papel dos países que definem como
>orientação e objectivo a construção de uma sociedade
>socialista” ».
>A este respeito, registe-se que por alguma razão Edgar
>Correia precisou de ocultar dos leitores as palavras
>que antecedem esta afirmação. E que são “Na
>resistência à nova ordem imperialista, embora com
>graus e aspectos diferenciados, deve ser valorizado o
>papel dos países que...(segue igual)”. Ou seja,
>desonestamente Edgar Correia quis silenciar o contexto
>e o quadro em que a valorização dessa existência era
>feita.
>Repare-se ainda que Edgar Correia diz que «é
>verdadeiramente aberrante que a direcção do PCP
>caracterize como construção do socialismo o que se
>passa nesses países”. Ora a verdade é que em nenhum
>ponto do documento a direcção do PCP faz tal
>caracterização porque o que diz é que esses países
>(são eles e não o PCP sobre eles) , como é
>inquestionável, «definem como orientação e objectivo a
>construção de uma sociedade socialista».
>Repare-se também que Edgar Correia afirma de seguida
>que o PCP não tem uma palavra para se demarcar destas
>experiências. Mas só o pode desonestamente fazer
>porque deliberadamente omite que, no mesmo período das
>Teses se diz que “Para além de profundas diferenças
>entre si, eles constituem uma importante realidade da
>vida internacional, cujas experiências é necessário
>acompanhar e conhecer, independentemente das
>diferenças que comportem em relação à concepção de
>sociedade socialista que aspiramos para Portugal, e de
>inquietações e discordâncias que nos suscitem certas
>concepções e soluções de importantes questões”.
>Mas o mais espectacular da trafulhice de Edgar Correia
>é que quem ler com atenção o seu artigo acaba por
>perceber, a custo; que afinal as formulações agora
>usadas são muito semelhantes ou praticamente iguais às
>usadas no XV Congresso, em 1996.
>Só faltando lembrar aquilo que Edgar Correia já não
>lhe convinha lembrar : é que as formulações de 1996
>foram favoravelmente votadas por Edgar Correia
>que, durante mais quatro anos, continuou a ser membro
>do Comité Central do PCP e da sua Comissão Política.
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