Author:
Francisco Ramalho
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Date Posted: 27/09/04 22:30
Como outros já haviam ensaiado neste fórum, em artigo no «Jornal de Notícias» de hoje com o título «O “modelo” eterno», Edgar Correia agarra-se desesperadamente a uma passagem das Teses para o Congresso do PCP, procede a uma série de mutilações nas citações que faz e procura convencer os incautos que nestas Teses se está a andar para trás na apreciação de países como Cuba, China, etc.
É necessário algum detalhe para se perceber a má-fé, desonestidade e espirito falsificador do sujeito.
Repare-se então que Edgar Correia escreve que, naquele documento, «afirma-se, preto no branco, que “deve ser valorizado o papel dos países que definem como orientação e objectivo a construção de uma sociedade socialista” ».
A este respeito, registe-se que por alguma razão Edgar Correia precisou de ocultar dos leitores as palavras que antecedem esta afirmação. E que são “Na resistência à nova ordem imperialista, embora com graus e aspectos diferenciados, deve ser valorizado o papel dos países que...(segue igual)”. Ou seja, desonestamente Edgar Correia quis silenciar o contexto e o quadro em que a valorização dessa existência era feita.
Repare-se ainda que Edgar Correia diz que «é verdadeiramente aberrante que a direcção do PCP caracterize como construção do socialismo o que se passa nesses países”. Ora a verdade é que em nenhum ponto do documento a direcção do PCP faz tal caracterização porque o que diz é que esses países (são eles e não o PCP sobre eles) , como é inquestionável, «definem como orientação e objectivo a construção de uma sociedade socialista».
Repare-se também que Edgar Correia afirma de seguida que o PCP não tem uma palavra para se demarcar destas experiências. Mas só o pode desonestamente fazer porque deliberadamente omite que, no mesmo período das Teses se diz que “Para além de profundas diferenças entre si, eles constituem uma importante realidade da vida internacional, cujas experiências é necessário acompanhar e conhecer, independentemente das diferenças que comportem em relação à concepção de sociedade socialista que aspiramos para Portugal, e de inquietações e discordâncias que nos suscitem certas concepções e soluções de importantes questões”.
Mas o mais espectacular da trafulhice de Edgar Correia é que quem ler com atenção o seu artigo acaba por perceber, a custo; que afinal as formulações agora usadas são muito semelhantes ou praticamente iguais às usadas no XV Congresso, em 1996.
Só faltando lembrar aquilo que Edgar Correia já não lhe convinha lembrar : é que as formulações de 1996 foram favoravelmente votadas por Edgar Correia que, durante mais quatro anos, continuou a ser membro do Comité Central do PCP e da sua Comissão Política.
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