Hoje, clamando contra o "neoliberalismo", boa parte da esquerda ainda acusa a direita de querer acabar com o Estado (curiosamente, era esse o objectivo final do marxismo).
Só que, apesar das privatizações, o Estado não diminuiu. Nem sequer M. Thatcher logrou reduzir significativamente a despesa pública britânica.
E a direita ideológica evoluiu. Já não prevalece aí a ideia de que o Estado é um mal necessário, de que liberdade é apenas impedir que a nossa esfera privada seja alvo de interferêncÍas alheias (em particular estatais), de que quanto menos governo, melhor.
Essa era a posição dos conservadores do Partido Republicano nos Estados Unidos dos anos 90. Depois, o presidente republicano George W. Bush subiu espectacularmente a despesa federal (por exemplo, entre 2O0l e 2004 aunentou 75 por cento os gastos na educação). Com os cortes nos impostos, a direita «big government» levou a um enorme défice orçamental, que o vice-presidente Cheney considera irrelevante. E neo-conservadores como Irving Kristol afirmam ser natural e inevitável que o Estado cresça.
Por cá, onde o Estado absorve quase metade da riqueza nacional, é ridículo falar em «Estado mínino». Pelo contrário, falta em Porugal um Estado digno desse nome- o que implicaria não gastar mais, nas gastar de outra maneira, nouras áreas.
Desde logo, nas que tornam o Estado indispensável: segurança, justiça, defesa, protecção dos mais pobres - em vez de inchar a burocracia com empregos vitalícios.
Ora o ministro Morais Sarnento disse ser prioridade do Gorerno rever as funções do Estado, estando feito o respectivo levantanento. Aguarda-se, pois, essa indispensável mudança para um melhor Estado, com expressão já no Orçamento para 2005.